quinta-feira, abril 28, 2016

O fim depende do começo

Harmonia impressionante
Existe relação entre os primeiros e os últimos capítulos do Livro sagrado do cristianismo? As evidências bíblicas e científicas confirmam a literalidade da semana da criação?    

[Este artigo foi escrito por meus alunos de pós-graduação Márcio Tonetti, Reisner Martins, Sueli Ferreira de Oliveira, Ulisses Arruda e Valter Cândido. - MB]

A crença de que a semana da criação narrada no primeiro livro da Bíblia representaria um período de longas eras (ou de milhões de anos, segundo a cronologia evolucionista) se popularizou no meio cristão. Uma forte evidência disso é que já existem igrejas nos Estados Unidos que anualmente participam das comemorações do dia dedicado a Darwin (12 de fevereiro). Embora continuem atribuindo a Deus a origem da vida no planeta, os adeptos da evolução teísta não veem os "dias" descritos nos primeiros capítulos de Gênesis como períodos de 24 horas.

O geneticista norte-americano Francis Collins, que coordenou o Projeto Genoma por mais de uma década, está entre os representantes dessa vertente. No livro A Linguagem de Deus (Gente, 2007), embora ele busque apresentar diversas evidências no campo da bioquímica e da genética de que Deus foi o designer inteligente originador da vida, ao fim da obra o cientista expressa sua convicção no fato de que a criação teria acontecido no decorrer de longas eras.

O casamento entre a fé cristã e a evolução foi tema de uma reportagem publicada na edição de março de 2009 da revista Superinteressante. Nela, o jornalista Reinaldo José Lopes considerou que essa tendência reflete a tentativa de "sobrevivência" da Igreja diante da popularidade das ideias propagadas pelo naturalista britânico Charles Darwin. Ele comentou que, ao longo dos últimos 150 anos, "algumas das denominações cristãs mais antigas, como a Igreja Católica e a Igreja Anglicana, acabaram decidindo que não dava para brigar com as descobertas feitas pela biologia evolutiva e passaram a interpretar os relatos da Bíblia sobre a criação do mundo como textos poéticos e alegóricos".

Lopes cita ainda que, em 2008, o Vaticano promoveu uma conferência para discutir o legado de Darwin, fazendo questão de lembrar que os livros do naturalista nunca foram oficialmente condenados pela igreja. Como lembra o autor, essa concepção continuou sendo defendida por João Paulo 2º que, em 1996, expressou que a teoria da evolução "é mais do que uma mera hipótese", e, mais recentemente, foi reforçada pelo papa Francisco que considerou a história de Adão e Eva uma fábula.

No meio evangélico, o Gênesis é interpretado de diferentes maneiras. No livro He Spoke And It Was, que em breve deve ser publicado em português pela CPB, o teólogo Richard Davidson menciona que uma posição evangélica simbólica comum é a que é chamada por alguns de "teoria concordista ampla", defendida por conciliadores liberais. Segundo essa concepção, os sete dias representam longos períodos, admitindo, assim, a evolução teísta.

No artigo "Dias literais ou períodos de tempo figurados?", publicado na edição nº 53 da Revista Criacionista, Gerhard F. Hasel procurou mostrar alguns dos argumentos mais representativos a favor dessa ideia de longas eras. Para o erudito britânico John C. L. Gibson, por exemplo, "Gênesis 1 deve ser tomado como uma 'metáfora', 'história' ou 'parábola', e não como um registro direto dos acontecimentos da criação". No entender de Gibson, "se entendermos 'dia' como equivalente a 'época' ou 'era', poderemos pôr a sequência da criação, apresentada no capítulo 1, em conexão com os relatos da moderna teoria da evolução, e assim caminhar um pouco no sentido da recuperação da reputação da Bíblia em nossa era científica" (The Daily Study Bible, v. 1, p. 56).

Hasel cita ainda que, em 1983, o comentarista alemão Hansjörg Bräumer afirmou: "O 'dia' da criação que é descrito como contendo 'manhã e tarde' (sic) não é uma unidade de tempo que possa ser determinada com um relógio. É um dia divino no qual mil anos são como o dia de ontem (Sl 90:4). O dia primeiro da criação é um dia divino. Não pode ser um dia terrestre, pois ainda está faltando a medida do tempo, o sol. Não ocasionará nenhum dano ao relato da criação, portanto, entendê-la dentro do ritmo de milhões de anos" (Das erst Buch Mose - Wuppertaler Studienbibel, p. 44).

Em seu livro He Spoke And It Was, Richard Davidson também menciona que vários estudiosos evangélicos falam do relato de Gênesis sobre a criação em termos de dias "analógicos" ou "antropomórficos". Essa compreensão parte do pressuposto de que "os dias são dias de trabalho de Deus, sua duração nem é especificada nem é importante, e nem tudo no relato precisa ser considerado historicamente sequencial".

Além daqueles que veem o(s) relato(s) de Gênesis como poesia, metáfora ou parábola, outra corrente teórica apresentada por Richard Davidson é a visão "progressista-criacionista" que, embora considere os seis dias literais, entende que cada dia abre um novo período criativo de criação indeterminada. Porém, como lembra Davidson, "comum a todos esses pontos de vista não literais é a suposição de que o relato das origens de Gênesis não é um relato histórico literal e direto da criação material" (p. 20).

Cabe observar, entretanto, que a argumentação de que o primeiro livro da Bíblia tem um caráter alegórico ou figurativo é bem mais antiga do que se imagina. Alguns estudiosos sustentam que ela é muito anterior à publicação do livro A Origem das Espécies, de Charles Darwin. Segundo Hasel, Orígenes de Alexandria é considerado o primeiro a entender os "dias" da criação no sentido alegórico, e não literal. Posteriormente, Agostinho, o mais famoso dos pais da Igreja latinos, também corroborou esse pensamento, o que mostra que essas interpretações já começavam a surgir no período medieval.

Contudo, Gerhard F. Hasel observa que nem Agostinho nem Orígenes tinham em mente qualquer conceito evolucionista. "Eles consideravam os 'dias' da criação como não literais com base em algo distinto – era obrigação filosófica atribuir a Deus atividade criadora sem qualquer relação com o tempo humano. Como os 'dias' da criação se relacionam com Deus, argumentava-se que esses 'dias' tinham de ser representativos de noções filosóficas associadas a Deus, tomadas as suas respectivas perspectivas", ele ressalta. Desse ponto de vista, como para os filósofos gregos Deus era atemporal, logo supunha-se que os dias da criação deveriam ser entendidos com base nessa lógica.

A influência exercida pela filosofia grega sobre a igreja, determinando interpretações figurativas do Gênesis, levanta um aspecto importante citado por Hasel: o de que "houve razões extra-bíblicas que levaram alguns intérpretes a se afastar do significado literal dos 'dias' da criação".

Para Hasel, tal como ocorreu no passado, "existe hoje também outra influência extra-bíblica que induz os intérpretes a alterar o que parece ser o claro significado dos 'dias' da criação. É uma hipótese científica baseada num ponto de vista naturalístico, a moderna teoria da evolução, que tem impulsionado essa alteração".

No entanto, para fugir de compreensões equivocadas, é preciso voltar à Bíblia e interpretá-la corretamente. Como lembra o autor do artigo publicado na Revista Criacionista, Martinho Lutero, considerado o pai da Reforma Protestante, consistentemente, defendeu a interpretação literal do relato da criação ao afirmar que "Moisés falou no sentido literal, e não alegórica ou figurativamente, isto é, que o mundo, com todas as suas criaturas, foi criado em seis dias, como se lê no texto".              

Sendo assim, quais as evidências bíblicas e científicas que confirmam a historicidade do primeiro livro da Bíblia? No livro Estudos sobre Criacionismo, o primeiro sobre o tema produzido pela Casa Publicadora Brasileira na década de 1950, Frank Lewis Marsh sustenta que "em qualquer lugar em que o registro bíblico é tão claramente expresso como em Gênesis 1, nenhum conflito existe entre as declarações da Escritura e os fatos científicos demonstrados" (p. 182).

Um dos fatos que devem ser levados em conta é que, conforme Richard Davidson, o gênero literário de Gênesis 1-11 aponta para a natureza histórica literal do relato da criação (He Spoke And It Was, p. 20). Também na obra Genesis 1:1-11:26, Kenneth Mathews (1996, p. 109) desenvolve essa ideia mostrando que tanto o gênero "parábola", uma ilustração tirada da experiência diária, quanto o gênero "visão" se encaixam no texto bíblico, pelo fato de não conter o típico preâmbulo e outros elementos que acompanham as visões bíblicas.

Desconstruindo o argumento daqueles que, com base em paralelos do antigo Oriente Próximo, veem o relato bíblico das origens como uma narrativa mitológica, Richard Davidson sustenta: "A realidade é que o relato de Gênesis contrasta fortemente com outros relatos do antigo Oriente Próximo e egípcios, de forma que existe uma pretensa polêmica ou discussão contra esses mitos" (p. 8). Uma das diferenças é que, nessas culturas, as divindades sempre criam a partir da matéria pré-existente. Nas cosmologias egípcias, por exemplo, "tudo está contido dentro do Mônode inerte, até mesmo o Deus criador" (p. 2).

Em contrapartida, em toda a Bíblia (a começar pelo primeiro verso de Gênesis), o verbo especial para "criar" (bara) só tem Deus como sujeito. "Isso está na língua hebraica – ninguém-pode-bara ou 'criar', a não ser Deus. Só Deus é o Criador, e ninguém mais pode partilhar essa atividade especial. O verbo bara nunca é empregado para a matéria ou material a partir do qual Deus cria; ele contém, juntamente com a ênfase da frase 'no princípio', a ideia de criação a partir do nada (ex nihilo creatio)" (p. 2).

John Sailhamer, outro estudioso do assunto, também concluiu na obra Genesis Unbound: A Provocative New Look at the Creation Account (1996, p. 244) que existem grandes diferenças literárias entre o estilo dos mitos do antigo Oriente Próximo e as narrativas bíblicas da criação em Gênesis 1 e 2. Um exemplo disso é que, se, de um lado, todas as narrativas mitológicas da época foram escritas em poesia, de outro, o relato bíblico da criação foi registrado em prosa.

Assim, na ótica desses autores, não há qualquer pista de literatura metafórica ou meta-histórica no Gênesis. Ao contrário disso, se percebe que intencionalmente a estrutura literária desse livro da Bíblia como um todo assume a natureza literal das narrativas da criação.

Cabe ainda mencionar que todo o livro de Gênesis está estruturado segundo a palavra hebraica toledot (gerações, história), repetida treze vezes ao longo das diversas seções do livro. Em outros trechos da Bíblia, esse termo é usado no registro das genealogias, marcando a contagem precisa do tempo.

Outra forte evidência de que Moisés estava se referindo a dias de 24 horas é o uso da palavra hebraica yom (dia). As ocorrências desse termo na conclusão de cada um dos seis dias da criação de Gênesis 1 estão todas conectadas a um numeral ordinal (“primeiro dia”, “segundo dia”, “terceiro dia”, etc.). Uma comparação com as ocorrências do termo em outros lugares da Escritura (359 vezes) revela que tal uso sempre é feito com dias literais.

No livro Estudos Sobre Criacionismo (CPB), um clássico da literatura criacionista que ainda permanece bastante relevante na época atual, Frank Lewis Marsh acrescenta que a ideia de que yom (dia) significa um período de tempo maior do que 24 horas não encontra comprovante nos dicionários hebraicos de renome. "A interpretação de yom como aeon, fonte favorita para os harmonizadores de ciência e revelação, é oposta ao claro sentido da passagem e não tem justificação no uso hebraico" (p. 12).

Além disso, a frase “tarde e manhã”, que aparece na conclusão de cada um dos seis dias de criação, define claramente a natureza dos dias da criação como dias literais de 24 horas. Ressalte-se também que as referências à “tarde e manhã” juntas em outros pontos além de Gênesis 1, invariavelmente, nas 57 vezes em que aparecem no Antigo Testamento, indicam um dia solar literal. Marsh argumenta que o fato de cada dia mencionado no relato bíblico ser composto por um período de luz e de trevas "está em perfeita conformidade com o método do registro de tempo no período mosaico" (p. 179).

Outro ponto a ser considerado é a correlação entre a semana de trabalho da humanidade com a semana de trabalho da divindade. Em Êxodo 20:8, no mandamento do sábado, há uma explícita comparação entre os seis dias da semana de trabalho da humanidade e a semana de seis dias da criação divina. Posteriormente, o sábado a ser observado pelos seres humanos a cada semana é igualado ao primeiro sábado após a semana da criação. Assim, o divino Legislador inequivocamente interpreta a primeira semana como literal, composta de sete dias consecutivos e contíguos de 24 horas literais.

É pertinente também fazer referência ao endosso feito por Jesus e por todos os escritores do Novo Testamento. Cristo e esses autores recorrem a Gênesis 1-11, tendo como pressuposto que essa é uma história literal e confiável. Todos os capítulos de Gênesis 1-11 são referidos em alguma parte do Novo Testamento. O próprio Jesus recorreu a Gênesis 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7.

Em diversas passagens do Novo Testamento, implícita e/ou explicitamente há menção do livro de Gênesis. Em seu artigo “A Criação no Novo Testamento”, publicado no periódico Ciências das Origens, de maio de 2005, o Dr. Ekkerhardt Mueller menciona algumas dessas passagens: "As palavras de Jesus tal como estão registradas nos quatro evangelhos canônicos contêm dez referências à criação. Jesus não somente fez referência a Gênesis 1 e 2. Em Seus discursos também encontramos pessoas – Abel (Mateus 22:35) e Noé (Mateus 24:37-39; Lucas 17:26-27) – e acontecimentos – o dilúvio (Mateus 24:39) – que ocorrem em Gênesis 3-11. Quando lemos essas breves passagens, obtemos a clara impressão de que, segundo Jesus, Noé e Abel não foram figuras mitológicas, mas verdadeiras pessoas humanas, que Gênesis 3-11 é uma narrativa histórica que não deve ser entendida simbolicamente, e que o dilúvio foi um evento global que realmente ocorreu (Gênesis 6:8). Portanto, é de se esperar que Jesus utilizasse o mesmo enfoque sobre a interpretação bíblica quando se referiu à criação. E isso é exatamente o que encontramos nos evangelhos.”

Somado a tudo isso, Frank Lewis Marsh acrescenta em seu livro outras duas boas razões para concluirmos que os dias da semana da criação foram literais. Como explicar, por exemplo, pela ótica da evolução teísta, a relação das plantas com o período escuro? "No terceiro dia todas as espécies de plantas apareceram, as que produziam flores e sementes, bem como as formas mais simples. Evidentemente, se este 'dia' fosse um período de tempo geológico, todas as plantas teriam perecido durante esses milhões de anos de escuridão, antes que a luz do quarto dia iluminasse o mundo" (Estudos Sobre Criacionismo, p. 179, 180).

Raciocínio semelhante se aplica à dependência entre plantas e animais. Conforme o primeiro capítulo de Gênesis, as plantas foram criadas no terceiro dia, porém nenhum animal veio à existência antes do quinto dia. Uma vez que a dependência entre plantas e animais é um fato muito evidente no mundo dos seres vivos, seria ilógico imaginar que longas eras separam esses dois momentos da criação. "Para ilustrar, só em matéria de polinização, multidões de plantas não se reproduziriam sem a colaboração dos insetos. Contudo, o registro declara que as plantas com semente se reproduziam desde o princípio. Isso não podia ser assim se os insetos não tivessem aparecido senão 20 ou 40 milhões de anos mais tarde, como sucederia se os dias fossem períodos geológicos" (p. 180).  

A criação literal e a teologia bíblica

A negação da crença na criação em seis dias de 24 horas contraria o caráter de Deus. "Que tipo de Deus teria criado a vida por meio da morte e de extinções ao longo de milhões de anos? Certamente, não o Deus que percebe quando uma ave cai no chão", questiona o ex-evolucionista Michelson Borges, jornalista e mestre em Teologia que hoje defende a visão criacionista.

Para ele, endossar esse "método" implica negar o fato de que, segundo a Bíblia, a morte entrou no mundo por causa do pecado (Rm 5:12; 6:23). Na ótica do evolucionismo teísta, no entanto, a morte é o meio para que ocorra o progresso das criaturas.

Borges, que é autor dos livros A História da Vida e Por Que Creio, lembra também que tal crença tira de vista a doutrina da salvação. Afinal, "se a humanidade tem evoluído durante milhões de anos e está sempre evoluindo, por que precisamos de um Salvador?" E mais: a própria promessa feita em Gênesis 3:15, considerada a primeira profecia messiânica das Escrituras, deixa de fazer sentido.

Do mesmo modo, outras verdades bíblicas são seriamente comprometidas, como a guarda do sábado (o sétimo dia), as bases do matrimônio (a definição do que é o casamento passa a ser definida pela cultura), a remissão da humanidade (remir de quê?), a necessidade de salvação, a ideia de um juízo e, finalmente, a esperança na segunda vinda de Cristo. Todas essas doutrinas dependem da interpretação literal das origens. Sem isso, elas podem parecer vulneráveis e pôr em risco a confiabilidade de todo o conteúdo das Escrituras Sagradas e até mesmo a onipotência de Deus. Por que seria necessário tornar “humanamente” viável ou compreensível a criação? Quem teria interesse nisso? Por que não podemos absorver como isso aconteceu, então não pode ter de fato acontecido? “Eu Te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as Tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem” (Sl 139:14).

Ao mostrar quão problemática é a tentativa de misturar a visão evolucionista com o criacionismo bíblico, Richard Davidson ressalta: "No fluxo canônico geral das Escrituras, por causa da ligação inseparável entre a origem (Gn 1-3) e o fim dos tempos (Ap 20-22), sem um começo literal, não há um fim literal" (p. 19). Ou seja, se o início da história da humanidade é apresentado na Bíblia de maneira alegórica, de igual forma seria seu fim, o que significaria que a volta de Cristo não se daria como nós, adventistas, acreditamos e pregamos.

As três mensagens angélicas de Apocalipse 14:6-12 são o fundamento dessa igreja. A primeira delas, trata da pregação do evangelho eterno, que nos convida a adorar “Aquele que fez os céus, a terra, o mar e as fontes das águas” (Ap 14:7). No limiar da história da humanidade, o povo é convocado a se lembrar do Deus Criador. Essa convocação é uma clara defesa ao efervescente crescimento de teorias que anulam ou minimizam a atuação de uma mente inteligente por trás da formação do mundo.

A Igreja Adventista tem sido reconhecida como uma das guardiãs dessa verdade bíblica. Eduardo R. da Cruz, que não professa essa fé, em seu livro Teologia e Ciências Naturais, afirma que “uma das denominações mais importantes no desenvolvimento do criacionismo foi (e ainda é) a Igreja Adventista do Sétimo Dia. [...] Enfatizando a leitura literal da Bíblia (base para sua afirmação de que o sábado seria o verdadeiro dia de repouso ordenado por Deus). Ellen White e outros fundadores afirmaram que o mundo teria sido criado em seis dias literais”.

Embora, como observou Reinaldo José Lopes na revista Superinteressante, alguns grupos, como as denominações evangélicas surgidas do século 19 em diante, tenham insistido "na verdade literal das Escrituras Sagradas, considerando-as fontes confiáveis não só para temas espirituais mas também científicos", hoje são raras as denominações que ainda defendem esse ponto de vista. Como adventistas, somos praticamente uma voz isolada nesse universo de teologias controvertidas, cada vez mais diluídas no naturalismo filosófico. E não devemos perder de vista nossa missão de anunciar ao mundo o iminente retorno daquele que fez o céu, a terra e as fontes das águas.

Como aconselhou Gleason Archer, professor na Universidade Harvard que é considerado uma autoridade entre os eruditos do Antigo Testamento, ao teólogo adventista Richard Davidson após ter participado de um Encontro Anual da Sociedade Evangélica: "Vocês adventistas do sétimo dia são a única denominação que corajosa e oficialmente afirma as verdades bíblicas da origem da Terra. Por favor, não abandonem seu forte posicionamento em favor da semana da criação em sete dias literais e de um dilúvio global." Assim faremos!

quarta-feira, fevereiro 17, 2016

Astrofísico e químico discutem idade do Universo

O que a química e a física dizem?
O Universo tem bilhões de anos ou seria “jovem” como a vida na Terra?

[Recentemente, dois grandes amigos meus, por quem nutro grande respeito e consideração, discutiram o polêmico tema da idade do Universo. Da perspectiva de suas respectivas áreas de formação e atuação – astrofísica e química –, e de suas visões religiosas, ambos apresentaram argumentos e evidências para sustentar, de um lado, um Universo mais antigo do que a Terra (ou do que a vida na Terra) e, de outro, um Universo datado em milhares de anos, como a Terra. Dada a relevância do assunto e levando em conta o nível da conversa, posto aqui, com autorização, parte do diálogo para sua apreciação, preservando a identidade dos “debatedores”. O texto é longo, mas vale a pena lê-lo, a fim de tomar consciência de dois tipos de posicionamento quanto à idade do Universo defendidos por criacionistas “de peso”. – MB]

[Com a palavra, o astrofísico:] Eu gostaria de salientar que minha base é a Bíblia e que é por causa da Bíblia que creio que o Universo é mais velho do que a Terra. Evidências físicas apenas acrescentam detalhes (muitos e riquíssimos detalhes) de como as coisas funcionam. A Bíblia afirma categoricamente algumas coisas e fornece apenas pistas sobre outras. Precisamos estudar tudo com muita atenção.

Ao contrário do que diz o livro Star Light and Time, não é possível provar pela Bíblia que o Universo é jovem. No máximo, você consegue levantar essa possibilidade pelo texto bíblico. No artigo em anexo, o autor trata desse assunto. Também já escrevi vários com diferentes níveis de detalhe. Só gostaria de destacar que encontramos o significado das palavras principais de Gênesis 1 no próprio capítulo. Por exemplo, Deus disse “haja luz”, e houve. E à luz Ele chamou dia; às trevas chamou noite. Temos aqui criação de fótons pela primeira vez no Universo? Claro que não! O texto está falando do ciclo noite-dia. Quanto à palavra “céus”, que muitos imaginam tratar-se do Universo como um todo, os versos 6-8 explicam que se trata simplesmente do firmamento. Gênesis 1 fala da Terra e imediações. Tirar conclusões sobre a criação do Universo inteiro a partir daí é ir além da Bíblia com filosofias humanas.

A Bíblia afirma que a vida na Terra é bem recente (da ordem de 6000 anos, creio). Por isso, eu não me surpreenderia se confirmássemos que o sistema solar também tem uma idade dessa ordem. E, sim, há evidências físicas que sugerem isso. Mas isso não é evidência de Universo jovem; é outro assunto.

As supostas evidências apresentadas de que o Universo seja jovem é que têm sido problemáticas até por deixar de considerar coisas muito simples. São problemáticas porque discordam da minha opinião? Claro que não! Eu seria um completo idiota ou estaria me preparando para ser um se avaliasse evidências dessa maneira! Estaria destruindo a mente que Deus me deu e não mais sendo como os bereanos. Vejamos só alguns detalhes:

“Speedy stars are consistent with a young age for the universe. For example, many stars in the dwarf galaxies in the Local Group are moving away from each other at speeds of 10-12 km/s. At these speeds, the stars should have dispersed in 100 million years, which, compared with the supposed 14 billion-year age of the Universe, is a short time.”

Qual é o problema desse argumento? Ignora coisas conhecidas há séculos como as leis de Keppler, que, por sinal, podem ser deduzidas a partir da fórmula da gravidade de Newton, que por sua vez é uma boa aproximação da fórmula que podemos deduzir a partir da equação da Relatividade Geral, mais exata. O ponto é que nos sistemas ligados gravitacionalmente, os componentes possuem movimentos relativos, às vezes com velocidade relativamente alta (como é o caso do sistema solar em torno da Via Láctea, com uma velocidade 20 vezes maior do que as “problemáticas” do argumento acima), e isso é necessário justamente para manter a estabilidade do sistema. Pelas leis de Kepler, quanto mais próximo está um objeto do centro de massa de uma galáxia, mais rápido ele se move. As velocidades relativas não podem ser muito baixas. Há mais, mas vou parar por aqui.

“Spiral structure in galaxies should be lost in much less than 200 million years. This is inconsistent with their claimed age of many billions of years. The discovery of ‘young’ spiral galaxies highlights the problem of the assumed evolutionary ages.”

Isso falso. Não é esse o resultado que obtemos ao fazer os cálculos. Vou ver se consigo explicar minimizando pré-requisitos. Existem leis bem conhecidas e testadas. Um exemplo disso é o funcionamento da gravitação. O conhecimento nessa área é tão exato que conseguimos prever com muitas casas decimais a posição de corpos celestes com muita antecedência. Todos os movimentos batem exatamente com o esperado. A única coisa que poderia ser considerada “anomalia” por alguns (mas não o é de fato) é o fato de que é extremamente comum encontrarmos galáxias que possuem mais massa do que a que podemos ver, daí a ideia de matéria escura. Aliás, medindo o movimento das galáxias podemos medir efeitos gravitacionais provenientes de fontes que não podemos ver. Mas sem problemas, conseguimos “enxergar” essas fontes usando a gravidade ao invés de fótons para vê-las. Mas esse não é o ponto.

O ponto é que conseguimos usar esses detalhes matemáticos (equação da Relatividade Geral) confirmados pelas observações dos últimos 100 anos para calcular o que acontece. Quando lidamos com sistemas de muitos corpos, como galáxias, os cálculos que nos permitem ver como evolui um sistema (exemplo: como astros se movem em torno uns dos outros, esse tipo de coisa é o que os físicos chamam de evolução) são muitos e usamos computadores para fazê-los. Isso se chama simulação.

Para ver de que formas um sistema de muitos corpos pode evoluir no tempo, podemos começar com alguma situação inicial qualquer (pode ser a atual ou algo diferente) e usar o programa de computador que fizemos para automatizar os cálculos, mostrando a posição de cada objeto ao longo do tempo. Assim, pode-se ver como evolui uma galáxia ou um sistema de galáxias ao longo do tempo. Dá trabalho, mas pode ser feito. Podemos partir da situação atual para ver o que acontece no futuro (como Andrômeda e a Via Láctea se fundindo) ou partir de diversas condições iniciais para ver se alguma delas poderia gerar objetos como galáxias espirais e como essas galáxias se transformariam com o tempo.

Isso tem sido feito. As primeiras tentativas não conseguiram reproduzir alguns aspectos de alguns tipos de galáxias por não levarem em conta detalhes finos o suficiente. Quanto mais detalhes finos levamos em conta, de mais poder computacional precisamos. Com os avanços na área da Informática, já podemos fazer simulações bem mais detalhadas e agora já conseguimos ver galáxias espirais se formando por efeitos gravitacionais.

Lembre-se de que a gravidade e os demais fenômenos chamados naturais são apenas o efeito de Deus mantendo Suas leis. Nada disso tira Deus de Sua posição como Criador. Algumas coisas, como a vida, exigem intervenção especial. Outras decorrem de leis simples, como a formação de um rio, por exemplo. Deus não precisa intervir de forma especial cada vez que um rio, rocha, lago ou deserto se forma. Mas Ele está sempre intervindo como Mantenedor.

Voltando às simulações, vejamos um exemplo recente: por meio de uma colaboração entre universidades, partiu-se de supostas condições iniciais há 13 bilhões de anos, deixando o sistema funcionar na simulação apenas seguindo leis conhecidas. Foi feito um vídeo para mostrar visualmente o resultado: a formação de uma galáxia espiral bem parecida com a Via Láctea e como ela muda ao longo de 13 bilhões de anos. https://www.youtube.com/watch?v=VQBzdcFkB7w

Bem, vou parar por aqui. Eu teria milhares de detalhes para mostrar sobre essas e outras supostas evidências de Universo jovem (sistema solar é outro departamento, por favor não confundir), mas vou parando por aqui.

[Com a palavra, o químico:] Por mais de 30 anos tenho escutado os argumentos dos dois lados. Gente como Hugh Ross e companhia, e gente que, como você, tem defendido a gap Theory. Tenho avaliado; é tudo gente que se sente bem em poder manter sua ciência e fazer sua Bíblia se adaptar a ela. Hugh Ross, como você, também declara que o Universo é antigo e que Gênesis até descreve o big bang; o William Craig faz o mesmo; o papa também; o que eu acho um tremendo despropósito. É forçar a barra demais, e é dar autoridade a teorias de homens e subjugar a Bíblia a elas.

A Bíblia é clara e não deixa dúvida alguma de que “No princípio, criou Deus os céus e a Terra”, ou seja o tempo, o espaço e a matéria. E a prova disso se vê em Êxodo 20:11, que declara que Deus fez tudo em seis dias, os céus, a terra, o mar e tudo o que neles há. “Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o Senhor o dia do sábado, e o santificou.”  

Sei lá, cada um interprete esse versículo como desejar, mas eu creio que Deus cuida de Sua palavra, e cuida ao ponto de fazer Sua palavra claramente entendida no que ela diz, e não no que “quis dizer”. Por isso desconfio de qualquer interpretação que venha com qualquer “mimimi” além do texto, que aqui é claro – seis dias, e ponto final. Se o Universo não foi criado nos seis dias, e nos seis dias literais, então vamos jogar nossa Bíblia fora.

Quanto ao big bang, eu particularmente acho uma teoria, me desculpe, simplesmente ridícula, do ponto de vista químico. Desculpe não entrar em detalhes na química aqui, acho que você não entenderia bem e eu teria que começar desde Boyle e Bohr (desculpe a ironia, rs), mas o big bang é de doer de fraco em química, e você crê nele.

Resultado puro de leis em ação? Sei lá, tenho lido livros e mais livros de gente de peso que destrói o big bang e seus postulados, e o big bang tem críticos até não criacionistas, e é repleto de contradições e coisas inexplicáveis, e eu agora vou ter que adaptar a minha Bíblia a essa teoria? 

A antimatéria desaparece por uma assimetria magica; um tal de colapso gravitacional cria estrelas, quando sabemos pelas leis da cinética química que uma nuvem gasosa em expansão jamais poderia ser colapsada por gravidade – que é coisa que nunca deveria ser usada para gases, e sim forças químicas, eletromagnéticas, nada de gravidade aqui –, pequenos átomos e moléculas, e aí supernovas explodem e criam um tal de puff cósmico que se agrega por acreção – um modelo que faz chacota, que mais se assemelha a magia, e caçoa das leis da química, pois aqui não é mais gravidade, são forças intermoleculares, lembre-se disso. E aí uma tal de cola cósmica de pedrinhas que faz planetas rochosos fundirem e se formarem, e você vem me dizer que isso é simplesmente o resultado de “leis”... E aí os buracos negros das supernovas desaparecem; e aí planetas rochosos incandescentes esfriam e por milagre São Júpiter manda blocos de gelo para formar água em nosso planeta, um mar de água em cima e outro mar de agua a 400-700 km de profundidade por baixo. Dá para crer nisso? Foram a gravidade e as forças eletromagnéticas que fizeram isso? E aí planetas de gelo e gás se formam em regiões gélidas do sistema solar onde a “cold accretion” teria chance nenhuma de formá-los; e aí eu vou ter que crer que foram formados perto do Sol e encaminhados por sei lá quem para lá?

Eu sei, você é astrofísico e o big bang é um mantra sagrado em astrofísica, e aí você se sente bem em conseguir adaptar sua fé à sua ciência. Eu até entendo isso, mas tentar me convencer a fazer o mesmo, pois sua gravidade assim te convenceu, é impossível. Pois a química refuta o big bang... E vários astrofísicos também concordam com isso.

Há modelos e há astrofísicos e cosmólogos que concordam comigo quanto a um Universo jovem. E para a falácia do big bang? Claro que há... Citei o Star Light and Time do meu amigo Russel Humphrey para exemplificar um modelo de alguém que é da área. Sabe, tenho acompanhado o debate e sei que o Hugh Ross, outro bigbangista, tem tentado também desqualificar seus argumentos. O Russel me disse que detonou todos os argumentos dele... Bom, você cita que os argumentos deles são inconsistentes e que ele descreve o big bang. Sei lá, devo ter lido outro livro, mas não via ali semelhança alguma com o big bang.

Outro livro que li e achei interessante – sei que não sei astrofísica o suficiente para referendar as teses, mas acredito que o autor deva ser levado a sério no que propõe – é o Starlight, Time and the New Physics, do John Hartnett. Sou fã de carteirinha do Hartnett – o livro Dismantling the Big Bang é uma boa leitura. E aí você terá que me desculpar... Em termos de astrofísica, se eu vou concordar com alguém, acredito que terei que escolher o Hartnett. O livro dele também refuta o big bang e apresenta um modelo que – como a ciência deve fazer – aprimora as ideias de Russel.

Concluindo: desista de tentar convencer todo mundo a adaptar a Bíblia a uma teoria de homens. Muitos cristãos gostam do big bang, mas gosto é um péssimo critério de escolha. Eu adoraria poder defender o big bang se essa teoria descrevesse boa ciência com boa teologia. Mas encontro no big bang péssima ciência com péssima teologia.

Sou um criacionista da Terra jovem e do Universo jovem. E um que entende que no princípio criou Deus os céus e a terra, e que céu aqui é Universo mesmo, e que Terra aqui é matéria, e que princípio aqui é tempo. Tenho uma legião de cientistas e teólogos do meu lado. E que Deus foi claro o suficiente em Êxodo 20:11; claro demais – e tudo o que nele(s)  há [note o plural aqui], e veja o uso da palavra “dia”, para a criação e para o sábado.

E sou um criacionista de Terra jovem porque não creio em simulações computacionais feitas por homens subjetivos – conheço simulações computacionais que mostram a evolução darwiniana in action também – e sei que ajustaram os algoritmos. Não creio no Saci Pererê da matéria escura e outros milagres sem santo do big bang. Sou cético demais para crer nesses milagres, pois minha química os refutam...

Sou criacionista de Terra jovem pois creio ser essa a melhor ciência combinada com a melhor teologia. E cada dia que estudo mais, mais assim me torno.

Tentarei mudar a sua posição? Claro que não. Cada um dará conta de si mesmo. Quanto a mim, se Deus me cobrar, eu lerei Êxodo 20:11 para Ele e direi: “Senhor, Deus que cuida de Sua palavra, o que está escrito aqui? O que eu poderia entender deste versículo aqui, Senhor?” Sigo então em paz com Deus, com a Bíblia e com a ciência, com minha química e do lado de meus colegas astrofísicos.”

[Conclusão do astrofísico:] Pelo que você falou, fiquei com a impressão de que você não leu ou simplesmente decidiu ignorar os detalhes que levantei sobre Gênesis 1 e outros pontos. Talvez valha a pena dar mais uma olhada nos detalhes. Falei um pouco de conclusões, mas também falei de alguns detalhes que deveriam ter feito diferença, mas você continuou mencionando as mesmas coisas aparentemente sem levar em conta as evidências bíblicas que mencionei. Se nossa convicção atual já basta, para que continuar estudando a Bíblia? Sim, a Bíblia serve para fins que vão além de alterar nossa percepção das coisas, mas, se falhamos nesse ponto, o resto pode também ficar comprometido.

Eu creio que você deveria tentar me convencer, mas em uma conversa em que levantamos ponto por ponto, um de cada vez. Podemos começar pela química. E pode, sim, e deve entrar em detalhes técnicos. O que mencionei antes sobre pré-requisitos é porque mesmo entre os físicos são poucos os que sabem lidar com cálculo tensorial no nível exigido pela Relatividade Geral. Alguns resultados são trabalhosos de se obter. Não foi minha intenção menosprezar pessoas de outras áreas e não é assim que penso. O problema é que o modelo do big bang é uma família de soluções da equação diferencial tensorial da Relatividade Geral (RG), mas muitos têm tomado explicações qualitativas limitadas e extrapolações do modelo (algumas bastante equivocadas) para montar argumentos do espantalho, mesmo que as intenções sejam boas. Vou mencionar alguns detalhes daqui a pouco, sem mostrar os cálculos por enquanto.

Apesar do que parece para você, tenho examinado argumentos de ambos os lados até mesmo corrigindo argumentos equivocados contrários ao que considero verdade, quando o erro não é essencial às conclusões. Só para citar um exemplo, tive de fazer isso várias vezes no caso da hipótese do decaimento da velocidade da luz. Às vezes, o pessoal tirava conclusões usando equívocos na sua linha de raciocínio (exemplo: usar um raciocínio clássico em um ambiente com fenômenos explicitamente quânticos, como um átomo – como um elétron do subnível 1s movendo-se em círculos ao redor do núcleo, coisa que não acontece) –, mas ao fazer os cálculos da maneira correta obtive os mesmos resultados naquele caso em particular (aceitei o argumento, portanto, apesar do erro). Em outros pontos, os erros eram essenciais (a conclusão desaparecia quando se corrigia o erro). Detesto discordar das pessoas e detesto controvérsias, elas me deixam nervoso e tiram o sono, prejudicando a saúde. Tenho prazer quando posso aceitar os argumentos de quem debate comigo, mesmo que para isso, às vezes, precise ajustar um argumento dessa pessoa, se houver espaço legítimo para isso. Só entro em debates se acho que a causa é importante e que as pessoas como quem converso não destruíram a capacidade que Deus lhes deu de ser como os bereanos, substituindo-a por fideísmo.

Quanto ao livro do Dr. Humphreys, ele apresenta várias explicações corretas. O problema é que em alguns pontos há equívocos, pelo menos um dos quais é essencial para o modelo, pelo menos da forma apresentada. Estou escrevendo nos momentos livres, que são poucos, sobre pontos específicos do que considero não conformidades com a Bíblia e com a Relatividade Geral, ao mesmo tempo em que reflito sobre e reconsidero o que penso ser verdade. O problema é que, para mim, alguns equívocos técnicos são muito claros e vou ter que entrar nos detalhes técnicos para mostrar isso. Conversando com você, percebi que não posso apenas apontar o problema, mas preciso provar o argumento e, mesmo assim, muitos não aceitarão. Depois de termos isso pronto, podemos discutir isso entre nós e possivelmente com ele. Considero que o modelo dele tem algo muito atraente: propõe-se a harmonizar as evidências de que o Universo seja antigo com as da Terra jovem e mantendo a hipótese (bíblica para vocês, especulativa para mim) de que o Universo e a Terra foram criados ao mesmo tempo. Faltam só dois detalhes: o modelo precisa funcionar (no sentido de produzir resultados não baseados em erros de cálculo) e essa interpretação de Gênesis precisaria ser mais convincente. Quem sabe se há uma maneira de resolver o problema matemático e consertar o modelo?

Cito dois exemplos de problemas conceituais cuja solução está nos próprios métodos aceitos e usados pelo Dr. Humpreys. Um desses é essencial, o outro não. Comecemos pelo não-essencial:

1. Na Relatividade Geral dependemos de uma quarta dimensão de espaço. Imagine, por exemplo, o Universo como sendo a superfície (3D) de uma esfera de quatro dimensões (4D). Essa hiperesfera existiria em um espaço com uma dimensão a mais além da de tempo. Sim, essa é uma possibilidade, e não, nem a Relatividade nem o modelo do big bang dependem disso. Mas é um equívoco comum. Em Cálculo Tensorial lidamos com propriedades intrínsecas do espaço, independentemente de existirem mais dimensões (embedding) ou não. Não faz qualquer diferença para o formalismo matemático se o espaço estudado está ou não mergulhado em outro de dimensão maior. Isso já vem das próprias definições de manifolds e da Geometria Diferencial. E é isso o que a Relatividade Geral usa. Por outro lado, quando divulgadores escrevem artigos e livros para explicar essas coisas (eu inclusive), fazem ilustrações com dimensões extras para facilitar o entendimento. Para a RG e para os modelos dela provenientes isso é irrelevante. Não afeta cálculo ou resultado algum.

2. Este é essencial. O modelo do Dr. Humphreys deixa de levar em conta um detalhe que altera todo o cenário. Pretendo rever os detalhes disso e ver se temos como corrigir. De onde temos informações sobre buracos negros e buracos brancos? Como praticamente todas as grandes descobertas na Física, sabemos dessas coisas porque elas aparecem como soluções de equações que representam leis físicas. Esses resultados foram obtidos pela primeira vez em 1915, a partir da equação da RG e confirmados observacionalmente pela primeira vez nos anos 1990 pela equipe com a qual eu trabalhava.

Tanto buracos negros quanto buracos brancos possuem uma característica importante: no interior deles, a direção radial é uma dimensão de tempo. E a dimensão que para nós é tempo, lá é espaço. Isso não é fruto de alguma hipótese imaginativa ou especulação, mas simplesmente resultado da equação da RG, uma das equações mais exatas de todos os tempos.

Como seria o mundo quando estivéssemos em um buraco branco? Estaríamos num universo como o descrito pelo modelo do big bang: o centro (a singularidade) seria a origem, a criação do nosso tempo. Nosso universo pareceria sem centro e sem bordas. Ou seja, estaríamos no cenário do modelo mais popular do big bang. De fato, o modelo mais popular do big bang é simplesmente o de um buraco branco. Passar pela “fronteira” desse buraco seria como entrar em um buraco negro daquele universo vindo parar aqui.

Explico melhor: um buraco branco é um buraco negro com a “seta” do tempo invertida, isto é, no buraco branco, o tempo flui do seu centro (seu big bang local) para as bordas (futuro de quem está lá dentro, não algo visível para eles em alguma direção do espaço para a qual eles possam apontar). Dentro dele estaríamos em um universo sem bordas e mais ou menos homogêneo e que está em expansão. No buraco negro, o tempo flui das bordas para o centro. Dentro dele, nos veríamos em um universo sem bordas e mais ou menos homogêneo que está encolhendo e vai terminar em um big crunch.

Ao nos aproximarmos de um buraco negro, chegando a uma certa distância crítica, o buraco negro não parece mais esférico, mas totalmente plano: é a fronteira visual entre dois universos. Ao passarmos desse ponto, nosso universo, atrás de nós, passa a ser um objeto esférico com raio finito (um buraco branco) do qual estamos saindo para um ambiente que parece maior. Não atravessamos o horizonte de eventos nesse ponto ainda. O buraco branco (nosso universo) encolhe e desaparece, ficando no que agora é nosso passado (agora sim, atravessamos o horizonte de eventos). Nesse ponto estamos em um outro universo que está em contração, como mencionei antes. Esses detalhes podem ser obtidos da equação da RG, e se não lermos essas coisas nas fórmulas resultantes, acabaremos entendendo errado o que elas dizem.

Sobre a Bíblia ser clara em Gênesis, concordo. Veja bem: no princípio criou Deus os céus e a terra. O próprio capítulo 1 explica o significado das palavras-chave, de forma que mesmo quando as pessoas leem traduções e não conhecem o original podem tirar as conclusões corretas. E me refiro a pessoas de todas as épocas.

1. A palavra “terra” é definida no capítulo 1 como “porção seca”.

2. A palavra “céus” é definida como “firmamento” que separa as águas de cima das águas de baixo. Podemos entender as águas de cima como as nuvens (de onde vem a água quando chove, pois a água estava em cima) ou tentar uma interpretação mirabolante de que existe água em uma suposta borda do Universo só para poder forçar a conclusão de que o firmamento é o espaço em si. Mas isso violaria algo básico em exegese: interpretações mirabolantes possuem maiores chances de conter equívocos.

3. Quanto à palavra “luz”, o próprio capítulo explica que luz se refere à parte clara do dia. Essa leitura simples, direta, sem malabarismos, resolve uma enormidade de problemas sérios (não vou listá-los ainda) dos quais a correspondente interpretação mirabolante (criação de fótons pela primeira vez no Universo) padece.

E assim por diante. Não é uma “gap theory”, é uma leitura simples, literal e direta de Gênesis 1, sem extrapolações mirabolantes. Nem o verso 1 parece estar falando de Universo. Somente a terra, o céu (firmamento), as águas (mares) e tudo o que neles há. Como os termos estão explicados em Gênesis 1 e Êxodo 20 faz uma óbvia referência à primeira passagem, os termos na última têm o mesmo significado. Já Jó 38 sugere fortemente a existência do Universo com habitantes antes mesmo de Deus iniciar a formação da Terra.

Sobre o big bang, mencionei que as pessoas combatem o modelo sem saber do que se trata. Por exemplo, ele não fala de química, nem de física nuclear (incluindo a questão da antimatéria) e muito menos da formação e evolução de estrelas e galáxias. Concordo com muito do que você falou, mas isso não afeta o big bang. Por exemplo, como é possível gás se transformar espontaneamente em poeira? Verdade, há problemas desse tipo, mas isso não toca no big bang. Será que Deus formou cada estrela de maneira especial? Talvez. Se a Bíblia afirmasse isso claramente, eu defenderia essa ideia, mas não vejo nem a afirmação nem uma implicação de passagens bíblicas nesse sentido, exceto com passos mirabolantes, o que fere os princípios de leitura bíblica.

Sobre a química, todas as suas leis são consequências da eletrodinâmica quântica, que está no meu campo. Então podemos discutir os detalhes técnicos dessas evidências. Mas vamos discutir um pouquinho sobre dois dos argumentos mais comuns contra o big bang. Na verdade, o mais apropriado seria colocá-los na forma de questões, as quais nem são tão difíceis assim de responder quando se sabe de onde vêm algumas leis físicas e como elas funcionam. Trata-se da origem da matéria e do destino da antimatéria. Podemos falar de outros depois.

1. De onde veio a matéria do Universo? Vou mais longe: de onde veio o Universo em si (espaço-tempo)? Creio que Deus criou, pois a Bíblia afirma isso (mas não em Gênesis ou Êxodo). A questão que tentamos responder seguindo pistas do mundo físico é: Como? Não sabemos os detalhes sobre como Deus iniciou o processo, pelo menos não ainda.

Temos boas pistas, porém, sobre o que acontece após o tempo de Planck. É disto que trata o big bang: Quais as implicações da equação da Relatividade Geral em relação ao espaço-tempo como um todo? E a Relatividade Geral tem limites conhecidos: não fala sobre a origem do Universo propriamente dita, mas nos dá vários detalhes sobre como o espaço-tempo se comporta desde uma fração de segundo após a criação.

E de onde veio a matéria? Na verdade, essa questão está fora da alçada do modelo do big bang, mas está nos domínios de outras áreas, especialmente a Teoria Quântica de Campos. Para entendermos a resposta, entremos primeiro no mérito da pergunta. Por que essa questão está sendo levantada? Por causa da lei da conservação de energia: energia não pode ser criada nem destruída. De onde vem essa lei? Da definição de energia e da relação entre simetrias e leis de conservação (teorema de Nöther). Cada grandeza (coisa mensurável) corresponde a uma entidade matemática chamada de operador, que é uma espécie de função que atua sobre estados dos sistemas (sejam físicos ou não). O operador energia é que chamamos de “gerador das translações temporais”. A lei da conservação de energia é consequência de que as leis físicas não se alteram com o tempo. O teorema de Nöther garante a conservação de energia nesse caso.

Quando o Universo foi criado, o tempo estava sendo criado. Isso significa que só há simetria temporal depois disso, não durante ou antes (se fizesse sentido falar em antes do tempo, já que “antes” é uma referência a um tempo antecedente). Resumindo: a lei da conservação da energia não estava em vigor no momento da criação do Universo (mas da Terra, sim). Será que isso dispensa Deus de Seu papel como Criador? De forma nenhuma! Apenas nos diz que Ele não violou Suas próprias leis ao criar a energia do Universo. E as leis de Deus possuem essa característica: são coerentes e fortemente interligadas matematicamente, partindo de princípios muito simples.

Na verdade, levando-se em conta algo que se parece com a recíproca do teorema de Nöther, é de se esperar que surja energia na criação do tempo. De novo, isso não desmerece o papel do Criador, apenas lança alguma luz sobre como Ele trabalha: de maneira lógica, coerente, sem contradições, com detalhes que podem ser estudados por Suas criaturas.

2. Onde foi parar a antimatéria? Estudando a estrutura dos operadores que atuam no mundo físico, encontramos o que chamamos de operadores de criação e de destruição. É preciso levá-los em conta para entender o que ocorre no mundo das partículas. Elas são criadas e destruídas com muita frequência, dependendo das condições. A presença de grandes quantidades de energia consegue excitar o vácuo e criar partículas (que podem ser consideradas excitações do vácuo). Fazemos isso todos os dias em laboratórios e isso ocorre naturalmente também. Mas, além da lei da conservação de energia, existem outras leis de conservação também ligadas a simetrias: conservação de carga elétrica, conservação de spin, de número leptônico, etc.

Por causa da conservação da carga elétrica e do número leptônico, quando criamos um elétron em laboratório sem envolver outro lépton ou outra partícula com carga, acabamos criando também um antielétron. O mesmo se dá com bárions e outras partículas. Por que não encontramos essas antipartículas espalhadas pelo Universo na mesma quantidade que encontramos as correspondentes partículas de matéria?

De novo, essas leis de conservação são consequências de simetrias que só passaram a existir após a criação e estabilização do espaço-tempo. Não há qualquer necessidade de formar-se uma antipartícula para cada partícula no momento inicial. Formar-se-ia uma grande quantidade de uma e uma grande quantidade de outra, mas essas quantidades não precisariam ser iguais. Em seguida, haveria aniquilação de quase tudo o que fosse aniquilável (partículas e antipartículas tendem a se aniquilar mutuamente) e sobraria o que fosse mais abundante. Se sobrassem mais prótons negativos e elétrons positivos (antimatéria), chamaríamos a isso de matéria e o resto seria antimatéria. É só uma convenção de nomes.

Nada disso representa qualquer problema para o big bang porque esse modelo matemático não fala dessas coisas: é apenas uma família de soluções da equação da RG, sendo que a versão mais popular propõe algumas condições extras (homogeneidade aproximada, por exemplo) para simplificar os cálculos e, como corretamente afirma o Dr. Humphreys, podemos experimentar outras e ver que resultados se obtêm. Essas iniciativas são saudáveis, mas precisamos fazê-lo corretamente, sem erros conceituais ou de cálculo.

Para encerrar, fico muito assustado quando vejo alguém atribuir o status de Palavra de Deus (que pertence à Bíblia) a uma particular interpretação de um grupo de teólogos que são tão falíveis (ou até mais, por falta de instrumentos para detecção dos próprios erros) quanto os físicos. Existe um abismo muito grande entre o que físicos ateus falam e o que seus resultados mostram. Os resultados matemáticos tendem a ser extremamente confiáveis. As interpretações filosóficas, não. O problema de muitos físicos é uma visão de mundo que faz com que eles não levem em conta algumas coisas importantes. O mesmo ocorre com teólogos e com profissionais de outras áreas. Chamar a opinião desses eruditos de Palavra de Deus é muito grave. É aceitar como regra de fé filosofias de homens ao invés de verificar se eles não se enganaram, porventura, conferindo cada ideia com a Bíblia frequentemente para ver se não nos enganamos em algum detalhe. A Bíblia é a Palavra de Deus, não a minha leitura ou a sua ou a do mundo inteiro, se for o caso. Precisamos ter a humildade de aceitar que qualquer um ou até mesmo todos podem estar enganados em detalhes da interpretação bíblica. Precisamos sempre voltar à Bíblia e reconsiderar tudo muitas vezes e por muitos caminhos, com a ajuda do Espírito Santo. É possível que em alguns detalhes das Escrituras diferentes grupos de teólogos discordem entre si estando todos errados.

Lembre-se de como o povo de Deus no tempo de Jesus estava equivocado em pontos essenciais quanto à missão do Messias, mesmo sendo isso fundamental à Sua doutrina! E os sacerdotes e escribas liam e estudavam muito, e acumulavam estudos de eruditos ao longo do tempo, assim como se faz hoje. E estavam enganados em um ponto essencial assim mesmo. Muitos rejeitaram a Cristo para manter o que pensavam ser “fé” nas Escrituras. Mas a verdade estava, sim, na Bíblia, mesmo escapando aos eruditos: Isaías 53 parecia ser invisível para eles da mesma forma como parecem invisíveis para muitas pessoas as definições de palavras que o próprio capítulo 1 de Gênesis apresenta. Me desculpe, mas isso não me parece resultado de fé, mas de fideísmo direcionado a interpretações humanas, o que é contrário à Palavra de Deus.

Precisamos ter a mesma humildade tanto ao reconhecer nossa possibilidade de equívoco ao estudar a Bíblia (por isso a exegese, mas às vezes algumas regras parecem ser convenientemente ignoradas por muitos em certos pontos), quanto ao estudar a natureza (daí a exegese chamada de Matemática – incluindo 5sigma –, cuja aplicação chamamos de ciência, sendo que a exegese bíblica usualmente é uma instância simplificada da ciência e seria benéfico completar o processo). Espero jamais cair no fideísmo, mas ter sempre uma fé crescente, no sentido de relação de confiança com Deus, não em simplesmente crer na forma como outros entendem a Bíblia, mesmo que essas pessoas sejam teólogos que pertencem à minha denominação religiosa.

Mais um detalhe: você falou em mantra sagrado da Astrofísica. No tempo em que eu era pago para trabalhar com Astrofísica, a maioria dos colegas era mais cética em relação ao big bang do que hoje, justamente por envolver aspectos técnicos que a maioria dos físicos não domina, por isso algumas coisas não fazem sentido para eles. E mesmo entre os físicos que o aceitam, a grande maioria hoje em dia, nota-se um desconforto, uma tentativa de buscar alternativas que não estejam tão perigosamente próximas da ideia de um Criador de todas as coisas.

[Conclusão do químico:] Você é inconvencível; crê na gravidade, no big bang e que está certo em sua interpretação da Bíblia e da fisica do big bang. Físico vê moléculas como feitas de bolinhas, sob a ação da gravidade, e é assim que ele vê o universo dele... E quando as bolinhas não respondem à gravidade, ele adiciona a poção mágica: matéria escura; parte de um sistema já em colapso. Como convencer argentino de que o Pelé foi melhor do que o Maradona.

Eu tenho toda a química do meu lado, falando que o big bang é inviável, mas os físicos vão ver só a gravidade, e eu sei que gravidade não pode ser usada para nuvem de gás em expansão. Que gravidade não cola pó cósmico. Impasse, sinuca... discussão encerrada.

Quanto à Bíblia e à teologia, aprendi com um pastor meu que todo o argumento teológico que precise de um versículo para reinterpretar outro é fraco, ou seja, teologia de segunda, que nunca poderá ser aceita por todos. 

O argumento teológico do Universo antigo é assim... Usam-se diversas evidências indiretas extraídas de diferentes versículos bíblicos, o que significa que a teologia é fraca e precisa ser sustentada por somatória de pequenas evidencias e muita interpretação subjetiva, guiada pela conclusão a que se quer chegar, ou seja, pode ser até uma boa teologia, mas muitas evidências somadas mostram que não temos evidência forte alguma para tal teologia.

Para mim, Êxodo 20:11 é cabal e definitivo. Deus aqui “matou” a questão e não deixou margem para dúvida alguma. Boa teologia de um único versículo, por si só autoevidente. É boa teologia sustentada em um único versículo, cabal e absoluto. “Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o Senhor o dia do sábado, e o santificou.”

Dia aqui é usado para a criação e para o sábado, portanto é 24 horas Em seis dias Deus fez tudo; note: tudo o que neles há, no céu e na terra, e no mar (veja a riqueza de detalhes e a globalidade da obra: céu, terra e mar, coisa que usamos para descrever tudo, pois não há nada nos céus, na terra e no mar maior que o meu Deus). E Ele só descansou no sétimo, portanto não fez breaks.

Sigo então combatendo o big bang e o Universo antigo, pois é boa ciência com boa teologia, e boa filosofia também.

[Última pergunta do astrofísico:] Podemos encerrar, então. Me permita uma última pergunta? Se deixar a Bíblia explicar a si mesma, com um texto lançando luz sobre outro, especialmente quando é um versículo explicando o anterior, se isso é teologia de segunda, fraca, o que seria a teologia de primeira?

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