Terça-feira, Fevereiro 07, 2012

A calúnia celestial de Satanás

Como provar que Ezequiel 28 se refere também a Satanás e ao começo do conflito no Céu?

Como um teólogo aspirante, escrevi meu primeiro trabalho de pesquisa a respeito dos textos de Isaías 14 e Ezequiel 28 – passagens que os adventistas tradicionalmente interpretam como sendo referentes a Satanás e à origem do mal no Céu. Seguindo a pista de comentários da alta crítica, cheguei à desconcertante conclusão de que essas passagens se referem nem a um nem a outro. Consequentemente, senti que os adventistas não deveriam mais citar essas supostas evidências bíblicas para sustentar sua compreensão acerca de como o Grande Conflito começou.

Entretanto, estudos mais aprofundados revelaram que, até o surgimento da crítica histórica à época do Iluminismo, os cristãos em geral interpretavam Isaías 14 e Ezequiel 28 da mesma maneira que os adventistas interpretam hoje. E, recentemente, encontrei evidências exegéticas convincentes de que Isaías e Ezequiel estavam, de fato, se referindo a Satanás nessas passagens.

Enquanto era estudante em nosso seminário, Jose Bertoluci escreveu uma dissertação que compromete seriamente a visão crítica de que os dois profetas descrevem apenas inimigos terrenos históricos de Israel. Intitulado “O Filho da Alva e o Querubim Cobridor no contexto do conflito entre o bem e o mal”[1], o artigo de Bertoluci mostra que cada passagem se transfere do domínio local e histórico dos reis terrestres para o âmbito sobrenatural no qual Lúcifer interpretou seu sedicioso papel. Descobri mais evidências que suportam esse deslocamento conceitual em Ezequiel 28 – do “príncipe” terreno (nagid, o rei de Tiro, versos 1-10) para o “rei” cósmico (melek, o soberano sobrenatural de Tiro, o próprio Satanás, versos 11-19). Descobri também que esse julgamento sobre o querubim caído ocorre no clímax do livro inteiro.[2] Desse modo, a evidência bíblica suporta fortemente a exegese tradicional: o mal teve sua origem em Lúcifer, o querubim cobridor.

Até alguns meses atrás, entretanto, um conceito adventista muito familiar a respeito do advento do Grande Conflito parecia não ter mais do que um suporte bíblico meramente inferencial. Refiro-me às alegações de que, antes de sua queda, Satanás se pôs entre os anjos a difamar o caráter e o governo de Deus. Nos livros Patriarcas e Profetas e O Grande Conflito, em torno de 16 páginas tratam desse assunto, com base em informações a respeito de Satanás tais como o fato de ele ter sido chamado “homicida desde o princípio, [...] um mentiroso” (João 8:44, RSV) e “o acusador de nossos irmãos” (Apocalipse 12:10, RSV). Mas existe alguma base bíblica mais explícita para a acusação de “calúnia celestial”?

Acredito que sim. Por um feliz acaso, eu estava examinando uma afirmação recente de que a maior parte da descrição de Satanás em Ezequiel 28 seria apenas simbólica porque, como foi argumentado, ele é descrito como sendo engajado em uma “abundância de [...] comércio” (verso 16, NKJV) e, obviamente, Lúcifer não é literalmente um mercador celestial. Na etimologia da palavra hebraica para “comércio”, fiz uma surpreendente e empolgante descoberta. O verbo rakal, do qual esse substantivo deriva, literalmente significa “andar por aí, de um para outro (para comércio ou conversa fútil)”.[3] O substantivo derivado rakil – encontrado seis vezes no Antigo Testamento, uma delas em Ezequiel 22:9 – significa “caluniador” ou “mexeriqueiro”. O outro substantivo derivado, rkullah – que é o termo usado para “comércio” em Ezequiel 28:16 – aparece somente nesse livro, e todas as suas quatro ocorrências têm que ver com Tiro (26:12; 28:5; 16, 18).

A maior parte das versões modernas traduzem rkullah como “tráfico”, “comércio” ou “mercadoria” – o que faz sentido, se aplicado somente à Tiro histórica, uma cidade mercante, como contexto único da palavra. Entretanto, em referência às representações do querubim cobridor em 28:16 e 18, a noção de comércio não parece se aplicar tão bem. O notável crítico exegeta Walther Eichrod comenta: “A descrição da transgressão é um pouco inesperada, já que o comércio aqui é subitamente representado como sendo a origem da iniquidade.”[4]

Uma resposta que acomoda ambas as interpretações, “comércio” e “calúnia”, pode ser encontrada, creio eu, em um recurso literário conhecido como “paranomasia” – um jogo com o significado da palavra. Já que o substantivo rkullah é derivado do verbo que significa “andar por aí, de um para outro, para fins de comércio ou de conversa fútil/difamação” – parece provável que Ezequiel tenha escolhido esse raro termo hebraico (ao invés do termo mais comum para comércio, sahar) justamente por causa de seu possível duplo significado. A Tiro histórica claramente “andou por aí, de um para outro” para fins de comércio com outras nações. De maneira semelhante, o derradeiro governante de Tiro, Satanás (versos 11-19), no celeste “monte de Deus”, também andou por aí, de um para outro – mas não para negociar, e sim para espalhar calúnia e difamação entre os anjos. Ambos os governantes, o terrestre e o espiritual, praticaram “tráfico”: o primeiro, de mercadorias; o segundo, de calúnias contra Deus.[5]

O contexto imediato de Ezequiel 28:16 retrata a queda do Querubim Cobridor da perfeição (verso 15) para o orgulho (verso 17). Nesse cenário, os versos 16 e 18 traçam seus subsequentes passos para a perdição. O verso 16 pode ser mais bem traduzido da seguinte maneira: “Na multiplicação da tua difamação [rkullah], se encheu o teu [de Satanás] interior de violência, e pecaste; pelo que te lançarei, profanado, fora do monte de Deus...” Com hábeis pinceladas, Ezequiel pinta o retrato de Lúcifer difamando a Deus, um primeiro passo em direção à definitiva rebelião aberta e violenta descrita tão bem por João como “guerra no Céu” (Apocalipse 12:7, NIV). Ezequiel 28:18 revela que, após sua expulsão do Céu, o querubim caído continua a sua “iniquidade de difamação [rkullah]” contra Deus. O versículo também registra a sentença divina contra Satanás: destruição pelo fogo por causa da “multidão de suas iniquidades”.

A sediciosa difamação celestial de Satanás contra Deus nos primeiros momentos do Grande Conflito não é uma adição adventista extrabíblica à história; é, na verdade, uma admirável verdade bíblica!

(Richard M. Davidson é professor de Antigo Testamento na Universidade Andrews, nos EUA)

Referências:

1. Jose M. Bertoluci, “The Son of the Morning and the Guardian Cherub in the Context of the Controversy Between Good and Evil”, dissertação de Th.D., Andrews University Seventh-Day Adventist Theological Seminary, 1985 (disponível a partir de University Microfilms, University of Michigan, P.O. Box 1346, Ann Arbor, MI 48106-1346).

2. Richard M. Davidson, “Revelation/Inspiration in the Old Testament”, Issues in Revelation and Inspiration, Adventist Theological Society Occasional Papers, v. 1, Frank Holbrook e Leo Van Dolson, eds. (Berrien Springs, Mich.: Adventist Theological Society Publications, 1992), p. 118, 119.

3. Francis Brown, S. R. Driver e Charles A. Briggs, eds., The New Brown, Driver and Briggs Hebrew and English Lexicon of the Old Testament (Grand Rapids, Mich.; Baker Book House, 1981), p. 940.

4. Walter Eichrodt, Ezekiel: A Commentary, Old Testament Library (Philadelphia: Westminster Press, 1970), p. 394.

5. Apocalipse 18 parece capturar esse nuance dúbio utilizado por Ezequiel. Em uma passagem claramente alusória a Ezequiel 28, o anjo fala sobre a “mercadoria” de várias coisas materiais nos versos 12 e 13, mas a listagem termina transferindo-se para o âmbito espiritual: “mercadorias de [...] almas humanas” (KJV).

Sexta-feira, Fevereiro 03, 2012

Sobre deuses, astros e ídolos

Por que não é aconselhável a um cristão (ou a qualquer outra pessoa) ir ao cinema?

Este artigo procura explicar a influência que o “local cinema” pode ter na vida do indivíduo, relacionado a questões de espiritualidade, mente, comportamento e a aspectos fisiológicos. Este estudo não tem como intenção mostrar que filmes são indicados ou não para serem assistidos, ou se os filmes devem somente ser assistidos em casa (existem parâmetros bem definidos para isso na Bíblia e alguns textos de referência estão no fim deste artigo).

Aspectos psicológicos e sociológicos

1. Ritual religioso. Seja do ponto de vista evolucionista ou criacionista, sabe-se que o ser humano sempre teve a necessidade de adorar alguma coisa, algo, em algum lugar e vemos isso presente em todos os tempos, locais e culturas. Em termos de Semiótica e da Psicologia da Comunicação, é sabido que o ato de ir ao cinema se trata de um “ritual religioso”, por meio de uma representação dirigista, e que o cinema (o local) é comparado a um templo. Ou seja, pessoas desconhecidas, de diversos lugares convergem em um único ponto, em um lugar especial, específico (coisas especiais se fazem em lugares importantes) para “venerar” algo/alguém.

“Não é estranho que Hollywood fosse comparada com Meca e que os cinemas fossem comparados com os templos. Em todos esses contextos, os espectadores se abrem para a revelação que lhes é dada, acolhem em atitude de êxtase a força sagrada, veneram com devoção a seus deuses e deusas, recebem com fé mensagens que conferem um sentido a suas vidas e acolhem com reverência os modelos de vida que lhes impõem. É desta forte conexão com a emoção e com o inconsciente que as imagens incidem nas crenças e nos comportamentos, são reguladoras da conduta, veículos privilegiados para a implantação de modelos de vida” (Joan Ferrés, Televisão Subliminar – Socializando através de comunicações despercebidas, Artmed, 1998; Ferrés é professor na Universidade de Barcelona, pesquisador e pedagogo especialista na área de mídia).

Implicações – O indivíduo que vai ao cinema, intrinsecamente, estará preenchendo sua necessidade de adorar alguma coisa em algum lugar e, como consequência, por que ele sentiria, então, a necessidade de adorar a Deus na igreja? Ele poderá perder esse desejo ou diminuí-lo paulatinamente, substituindo-o por algo muito mais excitante aos seus sentidos.

2. Deuses, astros e ídolos. Outro aspecto “espiritual” do ato de ir ao cinema é a referência aos “astros”, “deuses” e “ídolos” do cinema. Muitas vezes, o indivíduo não vai ao cinema por causa do filme, mas, sim, por causa do ator/atriz que ele tanto admira. Prova disso são frases do tipo “você já viu o novo filme do fulano/fulana?”, servindo como referência ao ídolo do cinema e não ao filme, ou seja, o ator é a referência para que se vá assistir ao filme. Novamente, essa é uma analogia com aspectos religiosos, no ato de ir ao cinema.

Implicações – Novamente, a “concorrência” que tais ídolos, deuses e astros do cinema estariam fazendo ao preencher a busca de um referencial, algo inerente ao ser humano. O verdadeiro Deus ficaria, assim, suprimido e perderia espaço na adoração, na mente e no tempo do indivíduo que vai ao cinema.

3. Suspensão da realidade ou credibilidade. Ao adentrar um ambiente fantasioso, que gera toda uma expectativa, o indivíduo deixa fora sua realidade e se permite sonhar, esquecer seu cotidiano, esquecer o que rege sua vida, seus princípios, do que é louvável ou não, do padrão do certo ou errado. Ele fica envolvido. Quer esquecer a realidade e viver o filme. Joan Ferrés, em seu livro, diz: “O espectador esquece os cabos que sustentam o Superman e as transparências que animam seu voo, porque necessita sonhar com a superação das limitações que lhe atam a uma realidade medíocre e cinzenta.”

Implicações – Quando se vai a um ambiente em que a realidade fica “de fora”, a mente fica “aberta” a novas mensagens apresentadas de modo intenso, porque a noção do certo e errado acaba minimizada.

4. Interação social. O indivíduo vai ao cinema e está, também, interagindo com os demais “adoradores”; estão partilhando do mesmo ideal, pois não existe cinema sem pessoas. Seria totalmente desconfortável estar numa sala de cinema e ter meia dúzia de “gatos pingados”. Desde coisas simples, como onde sentar, quem sentará ao meu lado, o contágio do clima fílmico, toda a questão de “comunidade” está ali presente, pois todos estão ali com o mesmo objetivo. Não é nenhuma coincidência a semelhança com o contágio social, o senso de comunidade em uma igreja, de pessoas que estão ali para adorar a Deus.

Veja esta citação da matéria “Por que os cinemas não morreram”, publicada na revista Sociologia, edição nº 2 (Editora Escala): “Uma das poucas vantagens do cinema em relação às demais mídias é o forte apelo da indústria cultural divulgando as estreias dos filmes, pois a indústria cultural trabalha constantemente com o novo. Ainda assim, as salas de cinema ainda são capazes de atrair as pessoas para desvendar o mistério de assistir um filme em grande écran, acompanhadas de desconhecidos que compartilham sentimentos e expectativas por um breve período de exibição de uma película. Enfim, parece que as pessoas ainda precisam do clima místico do cinema e da partilha de sentimentos coletiva para se sentirem como parte do mundo, por mais que este hoje pareça tribalista.”

Implicação – Quem vai ao cinema está também preenchendo ali seu senso de coletividade, ao “congregar” e partilhar do mesmo objetivo com outros indivíduos.

O ambiente: aspectos neurofisiológicos

Partindo do princípio de que a sala de cinema é projetada especialmente para dar um grande impacto emotivo, uma hiperestimulação sensorial, ser realmente algo especial e marcante para o espectador, podemos tirar algumas conclusões:

1. O som. No ambiente da sala do cinema o som proporciona ao espectador algo mais do que o envolvimento emocional de uma trilha sonora. Geralmente, é um som alto, surround e com intensidade acima de 90 decibéis, quando este é então percebido também como vibrações. Essas vibrações penetram no corpo influenciando diretamente nossos órgãos. As ondas sonoras graves têm maior comprimento e podem penetrar em distâncias maiores. No labirinto (órgão do ouvido), existe um líquido que, quando se movimenta, empurra as células ciliadas para um lado ou outro. Quando viramos a cabeça para um lado, o líquido se movimenta e empurra os cílios das células receptoras para o outro lado, aumentando ou diminuindo o número de estímulos elétricos enviados pelo nervo ao sistema nervoso central. O sistema nervoso central é que decifra a quantidade de estímulos elétricos, compara com a posição do resto do corpo e dá a percepção de equilíbrio.

Se um som com 90 decibéis ou mais fizer com que o líquido do labirinto incline os cílios das células receptoras, o sistema nervoso vai decifrar isso como movimento e ajustará os músculos dos membros para equilibrar, podendo assim alterar o equilíbrio do corpo em meio à contemplação de um filme com tal volume de som, por exemplo.

As imagens projetadas nos olhos também influenciam o equilíbrio, pois o Cerebelo é que integra as informações oriundas dos olhos e aquelas oriundas do labirinto. Muitas vezes, em um ambiente de cinema, as informações vindas do labirinto e dos olhos são conflitantes e isso também provoca desequilíbrio.

Como os nervos que levam informações do labirinto para o cérebro são muito próximos do nervo vago, que leva e traz informações do sistema gastrointestinal, uma estimulação forte do nervo que sai do labirinto pode estimular o nervo vago e produzir ânsia de vômito e até vômitos.

Enquanto houver estímulos sobre as células receptoras e o cérebro receber essas informações, esses fenômenos continuarão ocorrendo.

Implicação – A intensidade do som de uma sala de cinema é além de 90 decibéis e, aliada a um efeito surround, a noção de equilibro é em muito diminuída (o indivíduo fica “zonzo”, “tonto”), no transcorrer do filme. Isso compromete em muito seu estado de lucidez e seu senso crítico/discernimento, nesse tipo de ambiente.

2. Hiperestímulo sensorial. O indivíduo que assiste a um filme em uma sala de cinema está enormemente mais exposto a hiperestímulos sensoriais do que o que assiste a um filme em sua casa, pelos fatores anteriormente abordados e pelo que ainda será abordado mais adiante.

Quando escutamos e/ou vemos algo, essa informação sonora e auditiva, esses estímulos sensoriais são transformados em impulsos nervosos, sendo enviados ao córtex cerebral para serem interpretados e se tornarem ou não conscientes (segundo estudos, não mais que 20% do que vemos ou ouvimos vai para o consciente; o restante vai para o inconsciente humano e ali não se tem controle de como atuará em todo o corpo e mente). Antes de chegarem ao córtex cerebral os estímulos chegam a uma “estação retransmissora” chamada tálamo. No tálamo, existem sinapses com várias partes do sistema nervoso:

a) Sistema límbico, responsável pelas emoções.
b) Hipotálamo, que controla o sistema nervoso autonômico, responsável pelo controle dos batimentos cardíacos, sudorese, pupilas, respiração, secreção de adrenalina pela glândula suprarrenal, etc., e a glândula hipófise, responsável pelo controle dos hormônios e das várias outras glândulas do corpo.
c) Tronco cerebral, onde é controlado o ciclo sono/vigília e o movimento e equilíbrio do corpo.

Assim, os sons e imagens podem provocar variadas reações no organismo. Quando os estímulos chegam ao tálamo, ele decide para onde vai enviar sinais nervosos e quais estruturas nervosas e hormonais vai acionar.

Por exemplo, filmes que contenham cenas de suspense, terror, guerra, mortes geram uma reação de estresse e o sistema nervoso autonômico é estimulado e prepara o organismo para lutar ou fugir (reação de fuga ou luta). O corpo então é preparado para esforço físico forte e rápido: aumentam os níveis de glicose no sangue, o sangue é deslocado de regiões como cérebro, estômago e intestino para aumentar o fluxo sanguíneo nos músculos; ainda aumentam a frequência respiratória e cardíaca, a velocidade de coagulação sanguínea, ocorre sudorese, a pupila fica dilatada, diminui o fluxo sanguíneo em outros órgãos como rins e sistema gastrointestinal, aumenta a liberação de adrenalina, noradrenalina e cortisol na glândula suprarrenal.

Essa situação deve ocorrer por pouco tempo, pois se perdurar por mais do que 15 ou 20 minutos, os efeitos do cortisol fazem com que o sistema imunológico fique deprimido. Além disso, os efeitos da adrenalina e da noradrenalina provocarão aumento da pressão arterial e a função renal será prejudicada. Perceba que o indivíduo poderá ter todas essas reações estando estático, sentado em uma cadeira de uma sala de cinema.

Mas um filme que gera essas sensações tem duração de somente 15 ou 20 minutos? Vale lembrar que em qualquer tipo de filme existe suspense em relação a “qual será a próxima cena”, embalado por trilhas sonoras e tomadas de câmera envolventes. Deve-se ter o discernimento do que, como e onde assistir – fatores decisivos que interferem na influência das películas em nossa mente.

Além disso, quando o sistema límbico (responsável pelas emoções) é ativado, várias reações emocionais são acionadas, além de estimular a aquisição de dados na memória.
Uma vez que o hipotálamo seja estimulado, tanto o sistema límbico (emoções) e o sistema nervoso autonômico (batimentos cardíacos, respiração, secreção de adrenalina, etc.) quanto o sistema hormonal ficarão alterados. Quanto mais intensa for a entrada e quantidade de estímulos sensoriais, mais estruturas nervosas serão estimuladas.

O centro do prazer é formado por estruturas do sistema límbico (das emoções) e é estimulado por neurotransmissores e/ou hormônios como: dopamina, serotonina, endorfinas, noradrenalina e adrenalina. Quando esse centro do prazer é estimulado o individuo tende a repetir a experiência para produzir prazer novamente.

A superestimulação sensorial também produz aumento do nível desses receptores nas sinapses. Se esses neurotransmissores estimularem de maneira mais demorada (qual a duração de um filme?), o centro do prazer leva ao estado de dependência – desejo de repetir a experiência – e à tolerância – necessidade de uma dose maior para produzir o mesmo sentimento de prazer. A isso se chama vício. Embora tal mecanismo também ocorra em estímulos neurossensoriais recebidos de um filme em uma televisão, os efeitos em uma sala de cinema são consideravelmente mais intensos, devido aos fatores abordados e a serem ainda expostos.

Outra consequência de filmes assistidos em salas de cinema é a “anestesia e atrofia” do que popularmente chamamos de “consciência”. Um dos centros nervosos que recebem impulsos do hipotálamo e do ouvido é um núcleo denominado Lócus Cerúleos. Esse núcleo envia neurotransmissores para algumas partes do cérebro, entre elas está o córtex pré-frontal. Quando ocorre muita estimulação do Lócus Cerúleos (como assistir a um filme no cinema), ele faz com que estímulos nervosos liberem noradrenalina dos terminais dos nervos que chegam ao córtex pré-frontal. A atuação de níveis altos de noradrenalina no córtex pré-frontal atua como uma forma de anestesia das funções dessa região.

Por isso, as funções de tomar decisões corretas ficam prejudicadas, pois o córtex pré-frontal não consegue buscar informações armazenadas na memória e em outras regiões (como se a “base de dados” do que é certo e errado estivesse sendo bloqueada). Assim, a razão, o domínio próprio, a consciência ficam afetados. Como a razão fica “anestesiada”, as emoções dominam as ações. Como os hormônios foram liberados em maior quantidade pela estimulação do hipotálamo, o desejo sexual e qualquer outra função ficam fora do controle da razão, por exemplo.

Implicação – Podemos enumerar as implicações:

1. Assim como não temos mais domínio sobre a ação de um copo d água dentro do corpo depois que a ingerimos, não temos mais domínio próprio em uma informação visual e auditiva que percebemos, pois ela se transforma em impulsos nervosos e torna-se algo fisiológico; não mais há o domínio próprio sobre o efeito que terá no corpo do indivíduo.

2. Funções metabólicas e sistema imunológico ficam prejudicados mediante a exposição a uma hiperestimulação do corpo em uma sessão de cinema (alteração de batimentos cardíacos, pressão arterial, sudorese, pupilas, respiração, secreção de neurotransmissores e hormônios, etc.).

3. A exposição a esses estímulos neurosensoriais intensos leva a um estado de: (1) dependência – desejo de repetir a experiência, e (2) tolerância – necessidade de uma dose maior para produzir o mesmo sentimento de prazer. Tais fatores são popularmente chamados de vício. Surge então o perigo de que o ato de frequentar o cinema não será mais um prazer suficiente para gratificar o mecanismo de recompensa do cérebro, pois este pedirá estímulos mais intensos.

4. Outra consequência é a que o espectador assíduo do cinema acaba por achar monótono tudo o que é abstrato ou estático (como a leitura de livros e revistas, que requerem mais concentração e um cérebro mais treinado na abstração que é requerida na leitura). O indivíduo acaba necessitando de sobrecarga sensorial para se sentir vivo e gratificado.

5. O córtex pré-frontal e suas funções (consciência, razão, discernimento, domínio próprio) ficam atrofiados e anestesiados pela atuação de níveis altos de noradrenalina liberados pela estimulação do Lócus Cerúleos. As funções de tomar as decisões corretas ficam prejudicadas e o indivíduo passa a tomar suas decisões baseados em aspectos emotivos e não racionais.

3. Dimensões da tela de cinema

Um dos grandes diferenciais entre assistir a um filme em uma televisão e em uma sala de cinema, com certeza, é a dimensão da tela. Somente por essa comparação, deduz-se que a quantidade de informação e influência visual é muito mais intensa. Quantas televisões “cabem” em uma tela de cinema?

Ainda nessa comparação, a tela de cinema envolve a visão fóvica (central) e a visão periférica. Uma televisão comum certamente não engloba as visões fóvica e periférica ao mesmo tempo, por mais que as telas estejam maiores e quase sempre haja interferência e distrações no ambiente (alguém se levanta, vai ao banheiro, cozinha, existem comentários entre os espectadores, etc.).

Indo para o campo fisiológico, explicaremos como ocorre a estimulação da retina e como isso chega ao córtex visual (SNC – Sistema Nervoso Central).

Campo receptivo é a chamada área da retina em que um estímulo luminoso (imagem) altera os fotorreceptores (cones e/ou bastonetes), provocando atividade dos neurônios da via visual (nervo óptico). Na fóvea (visão fóvica, central), que fica no centro da retina onde a acuidade visual é maior, os campos receptivos são menores comparados àqueles da retina periférica (ou visão periférica). Tais campos receptivos dos neurônios que recebem informações dos fotorreceptores são circulares. Esse campo receptivo circular é dividido num círculo central e num círculo periférico. A área central desse círculo central (visão fóvica, central) é estimulada de forma antagônica à do círculo periférico (visão periférica), ou seja, se antagonizam mutuamente.

Quando estímulos visuais (imagens) atingem apenas a periferia de um campo receptivo, a estimulação dos neurônios é mínima. Porém, quando a imagem estimula a periferia e o centro de um campo receptivo, simultaneamente, então a estimulação das células nervosas é máxima e, como consequência, muitíssimo mais informações visuais adentrarão o cérebro.

Possivelmente, a exposição de um filme numa tela grande facilite a estimulação de uma área maior na retina, principalmente nas regiões laterais onde os campos receptivos dos neurônios são maiores. Lembramos que em uma sala de cinema o indivíduo permanece estático, sem muitos movimentos de corpo e cabeça, por no mínimo 90 minutos.

Apenas para completar, existem vias nervosas separadas para levar até o córtex visual os diversos estímulos: uma para cor, outra para forma e profundidade da imagem e outra para movimento. As informações visuais contidas numa imagem são primeiramente detectadas e analisadas por diferentes circuitos neurais, depois permitindo a síntese da informação para a percepção global no córtex visual.

Implicação – Não existe “escape visual” ao estar em uma sessão de cinema. Por no mínimo 90 minutos, o indivíduo estará exposto a uma estimulação máxima nas células receptoras da visão devido à dimensão da tela, por englobar visão fóvica e periférica, o que gera uma influência muito maior da mensagem filosófica do filme e seus efeitos fisiológicos na mente e corpo.

4. Resposta pupilográfica

Outro fator relacionado ao ato de assistir a um filme em uma sala de cinema é a dilatação da pupila, ou midríase (nomenclatura fisiológica) ou ainda resposta pupilográfica. A pupila é a porta de entrada dos estímulos luminosos (imagens), portanto, quanto mais dilatada estiver, com maior abertura, mais estímulos neurossensoriais adentrarão com maior intensidade no organismo do indivíduo.

É bem conhecido que em um ambiente escuro a pupila se dilata mais para que entre mais luz (estímulos luminosos, imagens) e, assim, se tenha melhor acuidade visual. Obviamente, em uma sala de cinema não existe luz ambiente (o ambiente é projetado para ser escuro) e a tela não emite luz como uma TV, uma vez que as imagens do filme são projetadas sobre a tela e ela refletirá pouca luz. Com isso, o ambiente tende a ficar mais escuro do que num ambiente em que o filme é assistido em uma TV e a abertura da pupila é maior – ou seja, mais estímulos neurossensoriais chegarão ao cérebro.

A pupila aumenta de tamanho; “abre-se” frente a estímulos agradáveis (alguém vai a uma sala de cinema para assistir a um filme que para si é “desagradável”?), e diminui de tamanho, “resiste”, se fecha frente a estímulos desagradáveis. Toda experiência nova faz com que adrenalina e noradrenalina sejam liberadas estimulando o centro do prazer. Como os jovens estão mais interessados em experiências novas, pois em sua memória ainda não estão registrados os resultados dessas experiências e suas consequências, eles desfrutam de prazer por praticar atividades que liberem esses neurotransmissores. Assim, situações novas ou desafiadoras fazem com que o sistema nervoso autonômico simpático libere noradrenalina e adrenalina, e uma das ações dessas substâncias é a midríase (dilatação das pupilas). Como mencionado anteriormente, essa dilatação proporciona maior entrada de luz nos olhos e uma visão mais acurada, e maior entrada de estímulos neurossensoriais.

Em situações de repouso, quem comanda nossas atividades autonômicas é o sistema nervoso autonômico parassimpático. Entre suas funções estão: diminuição dos batimentos cardíacos, aumento dos movimentos gastrointestinais, miose (contração das pupilas), dilatação dos vasos sanguíneos dos órgãos internos, etc.

Implicação – Podemos comparar, quem sabe, a pupila como um funil. Quanto maior for sua abertura, mais substâncias entrarão pelo orifício. A pupila é um “funil visual”: quanto maior a abertura, mais informação, mais influência, mais consequências comportamentais e fisiológicas. O olho não passa somente de um sensor e cerca de ¼ do cérebro é dedicado à visão.

5. Hipnose. Todas as questões anteriormente abordadas, somadas à “equação” ambiente escuro + corpo estático + olhar fixamente por mais de 90 minutos para um único ponto de luz, sugerem um estado de princípio de hipnose. Na hipnose, há a ausência de piscadas dos olhos e, quanto menos piscamos, mais intensamente estamos no estágio de pré-hipnose. A hipnose ocorre quando nossa mente está sob controle de um comando externo e perdemos o controle voluntário. Isso pode ocorrer voluntariamente ou involuntariamente.

Quando o indivíduo se dispõe a fazer todo o ritual de ir ao cinema, ficar exposto a toda sorte de estímulos psicológicos, sociológicos e fisiológicos, a “entrar no filme” e participar dele com todas as influências já abordadas, contemplando fixamente a produção que fabrica emoções, esse indivíduo está permitindo que as mensagens daquele filme dominem sua mente e suas emoções por um determinado espaço de tempo; ele se expõe a uma hipnose voluntária.

O simples fato de tais mensagens e filosofias dos filmes começarem a fazer parte da cultura e comportamento do indivíduo e predominarem em sua mente por meio da contemplação passiva desses já pode ser considerado uma hipnose voluntária.

Ademais, o período de tempo em que esses “valores hollywoodianos” permanecerão na mente e no comportamento do indivíduo dependerá do quanto sua consciência interferirá nesse processo (já abordamos anteriormente como o córtex pré-frontal é “anestesiado” sob tais influências).

A avaliação do “certo e errado” das mensagens conscientes do filme ficará então muito prejudicada com a consciência “bloqueada”, “anestesiada” e não conseguindo avaliá-las na comparação com os padrões éticos e morais memorizados.

Além desses aspectos, as mensagens abaixo do limiar da consciência (subliminares) não estão disponíveis para avaliação e escolha do que seja certo ou errado.

Assim, quanto mais cada indivíduo ficar exposto a todas as influências comentadas neste artigo e a menos padrões éticos, mais os conceitos enviados pelos filmes dominarão sobre os padrões estabelecidos.

Implicação – Se comentasse com um amigo que você iria se dirigir a uma reunião com indivíduos com quem jamais se encontrou antes, em um salão, auditório fechado, escuro, com som alto que compromete seu equilíbrio corporal, contemplando fixamente um único ponto de luz que envolve toda sua visão, sem escape visual, por cerca de duas horas, com suas emoções em seu limiar, acolhendo mensagens, filosofias e roteiros cuidadosamente elaborados para gerar um estado de êxtase em você, o que esse amigo lhe diria a respeito disso?

Para reflexão: “Não porei coisa má diante dos meus olhos” (Salmo 101:2). “A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz” (Mateus 6:22). “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Provérbios 4:23). “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” (Filipenses 4:8).

(Cristiano James Kleinert, designer/programador visual)

Contribuições técnicas:

Prof. Dr. Hélio Pothin (professor de Fisiologia Humana na Universidade Federal de Santa Maria)

Prof. Dr. Eduardo Guillermo Castro (professor do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Santa Maria)

Assista a este vídeo em que o pastor Erton Köhler, presidente da Igreja Adventista na América do Sul, fala sobre cinema.

Quero adicionar apenas mais dois simples argumentos [MB]:

1. Aparência do mal: para muitos irmãos adventista e evangélicos, cinema é local inapropriado para o cristão. Alguns nem sabem bem por quê. O fato é que ficam escandalizados de ver um adventista/cristão lá. Qual seria a postura do apóstolo Paulo, por exemplo, nesse caso? Ainda que ele não visse mal em ir ao cinema (coisa que duvido), ele não iria para não servir de pedra de tropeço. Ele evitou carnes sacrificadas aos ídolos justamente por causa da consciência mais fraca de alguns irmãos. Se nos preocupamos com a salvação dos outros, evitaremos tudo aquilo que pode atrapalhar a edificação da fé deles. Nossos prazeres e preferências não podem ser mais importantes que isso.

2. A igreja não recomenda a frequência ao cinema e creio sinceramente que Deus guia Seu povo, especialmente quando este, reunido e representado por sua liderança, toma decisões ou faz recomendações aos membros.

Sexta-feira, Janeiro 20, 2012

O poder da música

A música tem realmente o poder que alguns lhe atribuem? O rock e estilos assemelhados podem ser usados como música sacra? A bateria é um instrumento musical apropriado para o louvor a Deus? O que dizer do exagero nos melismas? Quais os conselhos divinos para o louvor mais apropriado?

Quando era adolescente, no fim dos anos 1980 e começo dos anos 1990, eu apreciava o chamado rock progressivo, estilo de rock que surgiu no fim da década de 1960, na Inglaterra. Mas minha preferência musical era, de fato, o rock brasileiro dos anos 1980. Minhas bandas prediletas eram Legião Urbana, Engenheiros do Hawaii, Paralamas do Sucesso, Capital Inicial, entre outras. Vivia de rádio ligado (os CDs ainda não estavam popularizados) à espera de canções que diziam coisas como estas:

“Nós não precisamos saber pra onde vamos, nós só precisamos ir. Sem motivos, nem objetivos, estamos vivos e isso é tudo” (Engenheiros do Hawaii).

“Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era pra sempre, sem saber que o pra sempre sempre acaba” (Legião Urbana).

“Quando tá escuro e ninguém te ouve, quando chega a noite e você pode chorar, há uma luz no túnel dos desesperados, há um cais de porto pra quem precisa chegar. Eu tô na lanterna dos afogados, eu tô te esperando, vê se não vai demorar” (Paralamas do Sucesso).

“O tempo não passa quando falo sozinho. Ninguém sabe onde estou nem pra onde eu vou; mas se tudo der errado, eu quero estar do seu lado dançando à beira do precipício” (Capital Inicial).

Qual era o efeito de tudo isso? A sensação de depressão, inconformismo e desesperança. Pelo menos era o que eu sentia. Uma das músicas, “Faroeste Caboclo”, conta a história de uma vida trágica, tem nove minutos de duração e eu sabia de memória (creio que ainda consigo me lembrar de quase toda, se quiser).

A música mexe com os sentimentos e ajuda a fixar ideias, conceitos. Talvez por isso Andrew Fletcher, estadista escocês do século 18, tenha escrito: “Deixe-me escrever as canções de uma nação e não vou me preocupar com quem escreve as suas leis.”

Por que mudei de “estação”?

Eu já estava cursando jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina e era recém-batizado na Igreja Adventista do Sétimo Dia, quando, certo dia, no ano de 1992, voltei cansado das aulas e resolvi ligar o rádio para relaxar. O apartamento-república estava vazio e aumentei o volume. Era uma dessas rádios FMs populares. Como nunca antes, comecei a ouvir atentamente o que o locutor dizia e a prestar atenção nas letras das músicas. De repente, me dei conta do quanto aquilo tudo era vazio e fútil. Desliguei o rádio e fui ler. Pouco tempo depois, me deparei com este texto inspirado:

“Voam anjos em torno de uma habitação além. Jovens estão ali reunidos; ouvem-se sons de música vocal e instrumental. Cristãos acham-se reunidos nessa casa; mas que é que ouvem? Uma canção, uma frívola cantiga, própria para o salão de baile. Veja, os puros anjos recolhem para si a luz, e os que se acham naquela habitação são envolvidos pelas trevas. Os anjos afastam-se da cena. Têm a tristeza no semblante” (Ellen G. White, Mensagens aos Jovens, p. 295).

O texto realmente me impressionou. Parecia a descrição exata das músicas que eu ainda gostava de ouvir (próprias para o salão de baile; para as discotecas, como a gente chamava naquele tempo). Daquele dia em diante, nunca mais ouvi essas canções. Não queria fazê-lo sem a companhia dos anjos. E Deus mudou meu gosto e minhas preferências musicais.

Música no Céu e no Éden

É interessante notar que antes mesmo de o ser humano ser criado a música já fazia parte da vida no Céu. Pelo menos é o que afirma Moisés no livro de Jó: “Quando as estrelas da alva [anjos], juntas, alegremente cantavam, e rejubilavam todos os filhos de Deus” (38:7).

Depois, quando o primeiro par humano foi criado neste planeta, a música também estava lá: “Os anjos associaram-se a Adão e Eva em santos acordes de harmoniosa música, e como seus cânticos ressoassem cheios de alegria pelo Éden, Satanás ouviu o som de suas melodias de adoração ao Pai e ao Filho. E quando Satanás o ouviu, sua inveja, ódio e malignidade aumentaram, e ele expressou a seus seguidores a sua ansiedade por incitá-los (Adão e Eva) a desobedecer, atraindo assim sobre eles a ira de Deus e mudando os seus cânticos de louvor em ódio e maldições ao seu Criador” (Ellen G. White, História da Redenção, p. 24, 29-30).

Por que Satanás ficou com toda essa raiva ao ouvir os puros cânticos? Simples: ele era o regente do coral angélico, antes de se rebelar contra Deus e ser expulso do Céu. Assim, com todo o conhecimento de que dispõe e motivado por ira insana, o inimigo de Deus procura usar a música para desonrar o Criador, pervertendo-lhe o propósito original de louvar o Senhor.

Música secular e profana

Isso quer dizer que somente a música sacra que louva a Deus pode ser ouvida? Não, necessariamente, mas é preciso fazer distinção entre a boa música secular e a música profana.

Certa ocasião, numa viagem de navio, Ellen White registrou: “Os músicos [no navio] [...] entretinham os impacientes passageiros com música bem apresentada e bem selecionada. Ela não feria os sentidos [...], era suave e realmente gratificante aos sentidos porque era harmoniosa” (Música – Sua Influência na Vida do Cristão, p. 56). Note que a música que ela elogia era suave e harmoniosa.

E quanto à música profana? É aquela que desonra a Deus, ofende Suas criaturas e rebaixa os princípios que devem reger a vida humana. Segundo Eurydice Osterman, no livro O Que Deus Diz Sobre a Música (Unaspress), “a música associada ao mundo entorpece a mente apelando à natureza carnal e, portanto, evoca reações físicas que minimizam a contemplação intelectual que é necessária para discernir e entender preceitos espirituais” (p. 13). Desse tipo de música é melhor manter distância.

Por que gostamos de música?

Pesquisa com ressonância magnética indicou que a percepção musical não é resultado do trabalho de uma área específica do cérebro, como ocorre com muitas atividades, mas da colaboração simultânea de grande quantidade de sistemas neurológicos. Esses dados foram publicados por Daniel Levitin, no livro This Is Your Brain on Music.

Muito do que se imagina ser o som do mundo exterior ocorre, na verdade, dentro do cérebro. As moléculas de ar que fazem vibrar os tímpanos não têm em si as variações entre sons graves e agudos. Elas oscilam numa determinada frequência que o cérebro mede; a partir disso, ele constrói uma representação interna com variações de tonalidade sonora. É similar ao que acontece com as ondas de luz, que são desprovidas de cor.

Além das regiões especializadas do cérebro, o cerebelo se “sincroniza” com o ritmo, tornando possível acompanhar a melodia. Interessante é que o cerebelo parece ter prazer no processo de sincronização.

Conclusão: o cérebro foi projetado para entender a música e gostar dela. É puro design inteligente. Assim como os anjos, fomos criados para fazer música e gostar dela.

A influência da música

No maravilhoso processo da audição, algumas partes do cérebro têm participação especial. Veja a explicação do doutor em fisiologia e professor da Universidade Federal de Santa Maria, Hélio Pothin: “O tálamo é uma estrutura de retransmissão de impulsos nervosos no sistema nervoso central. Sua função é escolher qual parte do córtex cerebral receberá os padrões de estímulos nervosos que chegam a ele. Assim, dependendo dos padrões de estímulos que chegam do ouvido, sejam da melodia, harmonia ou ritmo da música, o tálamo os envia para vários centros do sistema nervoso central, antes de enviá-los ao córtex pré-frontal (responsável pelo raciocínio, razão, discernimento entre o que é certo e errado, ou seja, a consciência). Estímulos nervosos provocados pela melodia da música são enviados pelo tálamo para o sistema límbico, responsável pela deflagração das emoções e sentimentos. Os estímulos nervosos provocados pela harmonia da música são enviados ao córtex pré-frontal. Os estímulos do ritmo da música, antes de serem enviados para o córtex pré-frontal, são enviados para diversas partes do corpo e podem afetar a liberação de hormônios, provocar movimentos e outras sensações, inclusive as mesmas das drogas psicoativas.”

Evidentemente que os efeitos da música sobre a mente e o corpo vão depender também da formação da pessoa e de seu condicionamento cultural. Além disso, levando-se em conta nossa natureza holística, conforme explica a Dra. Marisa Fonterrada, a experiência musical é, antes de tudo, uma “experiência global” (Fonterrada escreveu o livro De Tramas e Fios – Um ensaio sobre música e educação [Unesp]).

Alguns exemplos da influência direta da música no comportamento humano:

Música + volante – Na pesquisa realizada pela empresa fabricante de peças de automóveis Halfords, 60% dos participantes responderam que a música os afeta enquanto dirigem. A análise continuou para saber quais faixas afetavam esse comportamento e o resultado foi o seguinte: Beastie Boys (Sabotage) e The Prodigy (Firestarter) são um perigo! Dão vontade de acelerar além da conta.

Foi feita também uma lista de músicas tranquilas, encabeçada por “As Quatro Estações”, de Vivaldi, entre outras.

Música e álcool – Músicas agitadas e com batidas fortes fazem com que as pessoas consumam mais álcool em bares e boates. Além disso, ambientes ruidosos colaboram para que as pessoas percam o bom senso e bebam mais do que o “normal”.

Rock’n’Roll

Em seu livro História Social do Rock and Roll, Paul Friendlander afirma que o rock teria surgido no meio-oeste americano, sendo uma mistura de country e rythm and blues, tendo se baseado também no gospel. Já o samba, segundo alguns estudiosos, como o antropólogo Antonio Risério (autor do livro Lendo Música), tem origem na música dos cultos de matriz africana e na música de diversão dos escravos, sendo que os tambores proporcionam a rítmica peculiar que pode ser ouvida nos rituais afro-brasileiros.

Elvis Presley (1935-1977) é conhecido como o “rei do rock”. Ele era leitor de Helena Blavatski, co-fundadora da Sociedade Teosófica, uma das fundadoras do movimento Nova Era e contemporânea das irmãs Fox. Quando Elvis cantava hinos, chorava por saber que havia se vendido ao sucesso. Com ele, o rock deixa de ser apenas música para se tornar uma “febre”. Fenômeno semelhante ocorre com os Beatles (1960). A banda inglesa revolucionou não apenas a música, mas o estilo de vida das pessoas. Os músicos passaram a ser considerados “ídolos” e seu público é chamado “fã” (de fanático). A moda e o comportamento igualmente sofreram a influência desses “ídolos”. Os Beatles também promoveram, de certa forma, uma revolução espiritual: estiveram no Oriente e trouxeram de lá toda a influência do budismo, hinduísmo e Hare Krishna e a disseminaram no Ocidente.

Para alguns, o melhor e mais influente álbum da história do rock é Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, de 1967. Na capa, os Beatles homenagearam 70 celebridades históricas, como Sigmund Freud, Bob Dylan, James Dean, Marlon Brando, Oscar Wilde, o Gordo e o Magro e líderes espirituais.

Na música tema, eles afirmam: “Hoje faz 20 anos que o Sargento Pimenta ensinou a banda a tocar.” E quem morreu 20 anos antes disso, em 1947? Aleister Crowley (1875-1947), o pai do satanismo moderno. Ele dizia falar diretamente com Satanás e ter recebido dele a missão de preparar o mundo para a chegada do anticristo por meio de cinco revoluções: social, sexual, das drogas, espiritual e satanista. O slogan dele era: “Do what thou wilt” (“Faze o que tu queres”). Crowley foi influenciado por Alice Bailey (1880-1949) e Helena Blavatsky.

Um amigo dos meus tempos de adolescente, grande fã dos Beatles, acabou, graças a eles, tendo contato com as ideias de Crowley. Sabia tudo sobre ele.

As revoluções libertárias dos anos 1960 foram em grande parte promovidas por seguidores de Crowley. Ele dizia que “qualquer um pode se tornar um gênio da música se se entregar ao satanismo”. “Sexo, drogas e rock’n’roll” é o conhecido slogan dessa “geração libertária”, e a frase “o diabo é o pai do rock”, de Raul Seixas, também garantiu seu lugar na história. Detalhe: Seixas ajudou a divulgar a obra de Crowley no Brasil. Na música “Sociedade Alternativa”, ele convidava: “Faz o que tu queres, pois é tudo da lei! Da lei! Viva! Viva! Viva a sociedade alternativa.”

Evidentemente que existem vários tipos de rock, desde o heavy ao soft. Mas uma coisa é certa: “Muitos dos valores representados pela cultura do rock estão em flagrante contradição com os valores da adoração e da aceitação reverente de Deus como o eterno Criador de todos os seres vivos” (Lilianne Doukhan, In Tune With God, p. 246).

Levando em conta essa origem, digamos, “nebulosa” do rock e a “flagrante contradição” de boa parte dessa cultura musical com a adoração, há quem questione a adequação desse estilo musical ao louvor cristão. Passagens bíblicas são apresentadas para expor essa inadequação: “Que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas?”, pergunta Paulo em 2 Coríntios 6:14. E Jesus afirma: “Quem não é por Mim é contra Mim; e quem comigo não ajunta espalha” (Mateus 12:30). Dá o que pensar...

De minha parte, considerando-se minha formação e preferências musicais anteriores à minha conversão, quando ouço certas músicas ditas sacras, lembro-me do rock que eu “curtia”. E isso me soa como mistura do sagrado com o profano. Água e óleo.

Como diria o personagem Bart Simpson: “Rock cristão? Ridículo! Todos sabem que as melhores bandas são afiliadas de Satanás.”

(É claro que jovens que cresceram ouvindo “rock cristão” não fazem associações com uma experiência secular que não tiveram. Por isso eles não veem problemas com o “rock cristão/gospel”, o que não significa que essa mistura seja apropriada.)

Mistura imprópria

Em meu livro Nos Bastidores da Mídia (p. 72-76), publiquei uma entrevista com o pastor e conselheiro familiar Marcos Faiock Bomfim. Ele disse: “Satanás é um ser real, muito inteligente, e que nunca perde tempo. Ele sabe que música é algo que mexe profundamente com os sentimentos do ser humano; sabe que tipos diferentes de acordes, dispostos em sequências e ritmos diferentes podem produzir sentimentos que influenciam a mente para aceitar o pecado ou para afastar se de Deus; sabe que esses sentimentos, se repetidos, fixam padrões de conduta ou resposta. Assim, é importante saber que o que entra no cérebro humano pelos sentidos influencia de algum modo, para o bem ou para o mal. O conceito teológico do Grande Conflito nos revela que neste mundo simplesmente não existe coisa alguma absolutamente neutra. [...] A música sacra tende a privilegiar o desenvolvimento espiritual e a facilitar o contato com o Céu. A confusão acontece quando existe a mistura dos dois elementos – música popular com letra sagrada. Acontece então uma falta de integridade, uma inconsistência entre a letra e a música. A música ‘fala’ uma coisa e a letra, outra. O cérebro percebe essa incoerência, que pode ser transferida também para a vida espiritual. O próprio Espírito Santo não pode trabalhar, e, então, como diz Ellen White, as mesmas verdades que deveriam converter, podem acabar endurecendo (cf. Testemunhos Seletos, v. 2, p. 291).”

Testemunho de Ivor Myers

A Casa Publicadora Brasileira lançou no Brasil o livro Novo Ritmo – A História de um Ex-artista de Hip-Hop, no qual Ivor Myers conta sua impressionante história de conversão ao adventismo. Myers nasceu na Jamaica e, ainda criança, se mudou com a família para os EUA. Mais tarde, criou uma banda de hip-hop chamada The Boogie Monsters. Chegaram ao estrelato e assinaram um contrato superlucrativo de oito anos com a gravadora EMI Records. No capítulo 10, Myers conta a compreensão que seu irmão Sean (em processo de conversão) alcançou:

“– Rapazes, ando estudando um pouco, e acho que precisamos tirar a bateria da nossa música.

“Silêncio. Olhamos para Sean como se ele fosse de Netuno.

“– Acho que a percussão, a maneira como a usamos, pode não estar certa. Já li que o modo como se toca a bateria pode exercer um efeito negativo sobre as pessoas. Não sei direito como, mas acredito nisso. [Grifo meu.]

“Silêncio. Olhamos fixamente para ele, tentando assimilar essa ideia bizarra. Finalmente, um de nós se manifestou:

“– Nada de bateria? Nada de bateria? Você está maluco? A percussão é o sangue vital da nossa música. Sem bateria, não mexemos com a multidão!” [Grifo meu.]

Testemunho de Karl Tsatalbasidis

Karl Tsatalbasidis, ex-baterista de banda de jazz, estudou com os maiores músicos do Canadá e hoje é cristão adventista. Eis aqui algumas conclusões do autor, publicadas no livro Drums, Rock and Worship – Modern music in today’s church:

1. Alguns confundem tambores e instrumentos de percussão com bateria e esse erro leva à conclusão falsa de que, como a Bíblia menciona alguns instrumentos de percussão e tambores, então a bateria seria aceitável na adoração.

2. A Bíblia relata que tambores foram usados apenas em ocasiões festivas e não em cultos ou adoração. Eles foram sistematicamente excluídos do Templo e não fazem parte da música celestial descrita no Apocalipse. Além disso, é errado pensar que os instrumentos de percussão citados na adoração bíblica poderiam ser tocados da mesma maneira que a bateria é tocada hoje. [Também não significa que possamos usar a percussão como era usada no Antigo Israel. Além disso, é bom lembrar que o piano igualmente não faz parte da música celestial descrita no Apocalipse.]

3. Existe grande diferença no modo como os tambores (bumbo, tarol, tímpano) são tocados numa orquestra e na bateria numa banda de rock.

4. A bateria foi inventada para o único propósito de fortalecer o jazz, blues e todas as variedades de rock’n’roll. Por isso, não pode ser separada da origem do rock e do jazz.

5. O rock e o jazz estão associados a sexo, drogas, ocultismo e rebelião, por isso são formas de música inadequadas para a adoração. [Não podemos ignorar o fato de que muitos hinos tidos como “tradicionais” também têm origem, digamos, duvidosa. Alguns provêm de músicos maçons ou têm que ver com a guerra, o nacionalismo/patriotismo “rebelde”, o pentecostalismo, a valsa e o gospel, e mesmo com canções populares.]

Bateria: terreno pantanoso

Em seu livro Cristãos em Busca do Êxtase, o jornalista Vanderlei Dorneles sustenta que “a exclusão do tambor no templo pode indicar que Deus não quis o instrumento na música de adoração por causa de sua influência” (p. 193; grifo meu).

Mais enfático é Samuele Bacchiocchi, em seu livro O Cristão e a Música Rock, ao afirmar que “nenhum instrumento de percussão foi permitido no Templo. O canto e a música instrumental no Templo deveriam diferir daqueles usados na vida social do povo” (p. 209). [Cf. 2 Crônicas 29:25.]

Dorneles cita Helen Grauman, segundo a qual a flauta também foi excluída da lista de instrumentos do templo. Então o silêncio sobre um tópico quer dizer a confirmação de uma hipótese? Talvez não.

No livro In Tune With God (Review and Herald), páginas 113 e 114, a Dra. Doukhan diz que se alguém argumentar que os tambores têm que ser excluídos da igreja com base em práticas bíblicas do Templo hebraico, então as mulheres deveriam ser excluídas do serviço musical da igreja (ou de qualquer outra atividade na igreja). Se as flautas não foram aceitas na disposição litúrgica do Templo, não haveria lugar para o órgão hoje, pois este é nada mais que um “grupo de flautas” (os tubos de um órgão têm a função de flautas).

O piano, o órgão e o violão ¬– todos passaram por debate semelhante. Mas isso não significa que o uso desses instrumentos não deva ser alvo de estudos e motivo de oração. Além disso, é sempre bom lembrar que, na adoração, não é meu gosto que deve prevalecer, do contrário, estarei reproduzindo a atitude de Caim.

No artigo “Música sacra, controle religioso e fetiche cultural”, Joêzer Mendonça, doutorando em musicologia na Unesp, sugere que “é preciso verificar se determinada comunidade religiosa, com diferentes grupos etários e culturais, reunida num templo se sente à vontade com mudanças litúrgicas mais radicais e ‘emergentes’. Uma comunidade poderá se sentir pronta para certas mudanças e outras nem tanto. Porém, se esse debate não cessa, que ao menos fique livre de tradicionalismos obscurantistas e inovações irrefletidas”.

Creio que três versos paulinos se encaixem bem neste contexto: “Todas as coisas são permitidas, mas nem todas são proveitosas. Todas as coisas são permitidas, mas nem todas são edificantes. Ninguém busque seu próprio bem, e sim o dos outros. [...] Não vos torneis motivo de tropeço nem para judeus, nem para gregos, nem à igreja de Deus, assim como em tudo eu também procuro agradar a todos. Pois não busco meu próprio bem, mas o de muitos, para que sejam salvos” (1 Coríntios 10:23, 24, 33).

“Deve haver um cuidado especial para não utilizar músicas que apenas agradem os sentidos, tenham ligação com o carismatismo, ou tenham predominância de ritmo”, recomenda o Voto 2005-116 (5/5/2005), da Divisão Sul-Americana da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Esse é um ótimo conselho da Igreja.

Hiperestimulação

Minha esposa gosta muito do filme clássico “A Noviça Rebelde”, de 1965. Nele há longas tomadas com diálogos e caminhadas ao som de musiquinhas tranquilas. Hoje nenhum diretor se dá ao luxo de filmar assim. Os filmes têm tomadas curtas, cheias de ação e mudanças de planos. Se não for assim, a plateia dorme. Por quê? Porque as pessoas foram aos poucos acostumadas com a hiperestimulação dos sentidos.

O mesmo ocorre com o paladar. Se lhes fossem oferecidos uma maçã ou um sorvete, geralmente as pessoas optariam por qual deles? O paladar de alguns está tão pervertido que os alimentos simples, não condimentados ou açucarados, já não lhes dão prazer gustativo. Culpa da hiperestimulação.

No sexo ocorre fenômeno semelhante. A exposição da nudez quase não mais choca ou constrange esta geração sensualizada. O sexo criado por Deus foi deturpado e deu origem à pornografia, pedofilia, zoofilia e outras barbaridades. Hiperestimulação.

Você acha que a música ficaria fora dessa tendência?

A hiperestimulação, no que diz respeito à música, consiste em supervalorizar o ritmo e o volume em detrimento da melodia e da harmonia. Note como Ellen White define o bom cântico: “O bom cântico é como a música dos pássaros – suave e melodioso” (Música, p. 26; grifo meu). E Paulo escreveu: “Cantarei com o espírito, mas também cantarei com a mente” (1 Coríntios 14:15; grifo meu). O que a hiperestimulação faz é justamente dificultar o pensamento racional. E viciar.

De acordo com Norman Weinberger, o ritmo repetitivo sincopado e marcado aumenta os níveis de neurotransmissores (noradrenalina, serotonina e dopamina) e de adrenalina no sistema nervoso central, gerando prazer. A música com esse tipo de ritmo ativa alguns dos mesmos sistemas de recompensa estimulados por comida, sexo e drogas (“Mente e cérebro – segredos dos sentidos”, Scientific American Brasil, Edição Especial nº 12, p. 53).

Em seu livro In Tune With God , Lilianne Doukhan afirma que, “no estilo musical em que um dos elementos [da música] torna-se dominante em detrimento dos outros através de uma presença monolítica, sustentada e acentuada, o princípio do equilíbrio é destruído e o efeito holístico da música que deve caracterizar nossa música de adoração, em particular, fica perdido” (p. 27, 28).

Assim como ocorre com a gustação e o sexo, o prazer, em si, é neutro. Mas o sexo fora de contexto e pervertido pode causar uma resposta dopamínica viciante naquilo que é errado. Quando praticado no contexto certo, cria vínculos (oxitocina/vasopressina) com o parceiro e “vicia” de modo correto. É possível sentir prazer com qualquer tipo de música, mas a sensação em si a torna adequada? Meu gosto será guia seguro?

Segundo Ellen White, “Satanás sabe que órgãos excitar [hiperestimular] para animar, monopolizar e atrair a mente de modo que Cristo não seja desejado. Os anelos espirituais da alma [...] ficam por esperar” (O Lar Adventista, página 407). E mais: “Se trabalharmos para criar excitação do sentimento, teremos tudo quanto queremos, e mais do que possivelmente podemos saber como manejar. [...] Importa não considerar nossa obra criar excitação. Unicamente o Espírito de Deus pode criar um entusiasmo são” (Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 16, 17).

Por isso o Manual da Igreja (edição 2010) aconselha: devemos “exercer grande cuidado na escolha da música no lar, nos encontros sociais, nas escolas e igrejas. Toda melodia que partilhe da natureza do jazz, rock ou formas híbridas relacionadas e toda linguagem que expresse sentimentos tolos ou triviais, serão evitadas” (p. 151). Isso significa que a Igreja Adventista do Sétimo Dia desaprova qualquer tipo de música que faça lembrar os estilos musicais mencionados acima.

Floreios e contorcionismos vocais

“Tenho ouvido em algumas de nossas igrejas solos completamente inadequados ao culto na casa do Senhor. As notas prolongadas e os floreios, comuns nas óperas, não agradam aos anjos. Eles se deleitam em ouvir os simples cânticos de louvor entoados em tom natural. Unem-se a nós nos cânticos em que cada palavra é pronunciada claramente, em tom harmonioso. Eles combinam o coro, entoado de coração, com o espírito e o entendimento” (Ellen G. White, Evangelismo, p. 510).

Por que será que os anjos não se agradam das “notas prolongadas” e dos “floreios comuns nas óperas”, quando usados na igreja? A expressão a seguir, sua definição e aplicação é um forte auxílio para que compreendamos os motivos para a orientação recebida do Céu, segundo Aurélio Ludvig, professor de Educação Musical no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam):

Ad libitum. Essa expressão aparece na partitura de algumas óperas e outras formas musicais. Refere-se principalmente às partes dos solistas, nas quais eles têm liberdade de interpretação, a parte da contagem rítmica. As notas musicais (sons definidos, com nome e altura) podem ser identificadas nesse tipo de recurso vocal, a coloratura. Em geral, isso faz com que o solista seja exaltado pela plateia porque ele pode mostrar ali todo o seu virtuosismo. Traduzindo: show.

O louvor dos anjos passa longe disso: “Os serafins ao redor do trono acham-se tão cheios de solene reverência ao contemplar a glória de Deus, que nem por um instante se olham a si mesmos com admiração. Seu louvor é para o Senhor dos Exércitos. Ao contemplarem o futuro, quando toda a Terra será cheia de Sua glória, o triunfante cântico ecoa de um a outro em melodioso acento: ‘Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos’ (Is 6:3). Acham-se plenamente satisfeitos de glorificar a Deus; permanecendo em Sua presença, sob Seu sorriso de aprovação, nada mais desejam” (Ellen White, Obreiros Evangélicos, p. 21).

Para Ludvig, o Ad libitum se assemelha ao famoso melisma. “Nesse recurso, não há a possibilidade de identificação das notas musicais. Muitas vezes, as pessoas não conseguem alcançar notas mais agudas, por isso fazem uma pequena curvatura nelas, até as definirem. Mas se não alcançam, por que não experimentam cantar aquelas músicas que sabem que não precisarão de um ‘jeitinho’? Se cada palavra deve ser pronunciada claramente, em tom harmonioso, para que serve o melisma?”

É claro que a música judaica, por exemplo, é cheia de melismas. O canto gregoriano é também um canto melismático. No contexto da adoração cristã, o que se recomenda é que não se exagere nesse recurso e que ele não seja transformado em exibição vocal ou maneirismo chato e abusivo.

Relativismo musical

“Vivemos o período conhecido como pós-modernidade, caracterizado por um relativismo avesso à verdade absoluta. O choque entre a visão adventista e o espírito desta época afeta a questão da adoração”, escreveu o teólogo Douglas Reis, em seu livro O Y da Questão (capítulo 14). Depois ele cita o artigo de Daniel Plenc, “O culto como adoração: uma perspectiva de Ellen White” (Dialogue, 20[2], 15-16): “Se encararmos a adoração como um reconhecimento do caráter amoroso de Deus e uma homenagem sincera a Seus atributos, seremos levados a reconhecer que a adoração tem de agradar-Lhe. É dever do adorador apresentar algo agradável ao ser adorado.”

Exemplo de relativismo: “O que faz uma música sagrada é a sua mensagem [letra]. A música não é nada mais do que um arranjo de notas e ritmo. […] Não existe música cristã, mas, sim, letras cristãs. Se fosse tocada uma música sem palavras, você não saberia se é cristã ou não” (Rick Waren, Uma Igreja com Propósito, p. 272-273).

Douglas arremata: “Quando Ellen White comenta os efeitos danosos que a ‘música popular’ de seus dias causava sobre os jovens, desviando-lhes ‘a mente da verdade’ [T, v. 1, p. 496, 497], temos de entender sua orientação dentro de uma ‘época em que o jazz começava a se generalizar’. Daí se pode constatar que Ellen White era uma crítica social, não alguém que recomendasse o uso indiscriminado de influências culturais com objetivos evangelísticos.”

Conselhos inspirados

“Como parte do culto, o canto é um ato de adoração tanto como a oração” (Ellen White, Música, p. 11).

“Frequentemente, pelas palavras de um canto sagrado, são liberadas as fontes do arrependimento e da fé” (Ibidem, p. 12).

“Não é o cantar forte que é necessário, mas a entonação clara, a pronúncia correta e a expressão vocal distinta. [...] que o louvor a Deus seja entoado em tons claros e suaves, sem estridências que ofendam o ouvido” (Ibidem, p. 24).

“Às vezes é mais difícil disciplinar os cantores e fazê-los atuar de forma adequada, do que desenvolver hábitos de oração e exortação. Muitos querem fazer as coisas à sua maneira. Não concordam com as regras, e ficam impacientes sob a liderança de alguém” (Ibidem, p. 25).

“Deus não Se agrada de barulho e desarmonia” (Ibidem, p. 32).

“A música, quando bem utilizada, é uma grande bênção, mas, quando mal-usada, uma terrível maldição” (Ibidem, p. 48).

Dividir para conquistar

O assunto da música na igreja tem sido um dos mais polêmicos nos últimos anos. Discussões acaloradas envolvem o uso desse ou daquele instrumento; estilos musicais; comercialização da música; etc. Sem dúvida, dialogar sobre esse tema nos ajuda a ampliar os horizontes e pode ser realmente benéfico, se o desejo é aprender humildemente para louvar cada vez melhor Aquele que nos criou e redimiu.

Mas há um perigo destacado por Eurydice Osterman, em seu livro O Que Deus diz Sobre a Música: “Quando nossa discussão sobre esses temas nos desviam de focalizar nossa atenção em Deus, esteja certo de que o inimigo plantou sua semente de discórdia com sucesso de modo que ele pode dividir e conquistar, e, afinal, conduzir seus cativos à perdição” (p. 24).

Não podemos permitir que esse ou qualquer outro assunto promova divisão entre o povo de Deus, cumprindo ao contrário a oração de Jesus registrada no capítulo 17 do evangelho de João. A unidade da igreja deve estar acima das preferências de seus membros, e os cristãos maduros saberão deixar o eu de lado para cumprir o desejo do Senhor para Seus filhos: que sejam um.

Adoração

No capítulo 3 do livro de Daniel está a descrição de uma cena dramática. Uma multidão foi convocada pelo rei Nabucodonosor para se prostrar diante de uma estátua de ouro que ele mandou construir. Música foi usada na celebração: “Quando todos os povos ouviram o som da trombeta, do pífaro, da harpa, da cítara, do saltério e de toda sorte de música, se prostraram os povos, as nações e homens de todas as línguas e adoraram a imagem de ouro” (Daniel 3:7; grifo meu). Apenas três jovens hebreus leais a Deus não se deixaram envolver pelas músicas e pelo clima do culto pagão.

A história deixa claro que Satanás aceita e promove “toda sorte de música” e a usa com objetivos espúrios, a fim de escravizar as pessoas e afastá-las do Criador e do verdadeiro culto “racional” (Romanos 12:1). Entretanto, Deus aceita somente a adoração e o louvor conscientes de Seus filhos fiéis.

Devemos sempre louvar com reverência e alegria o Deus que nos criou e redimiu. Louvar do melhor modo que pudermos, sem nos esquecer de que o louvor pode e deve ser aprimorado sempre: “Quenanias, chefe dos levitas, estava encarregado dos cânticos e os dirigia, porque era capacitado” (1 Crônicas 15:22). Busque a capacitação – especialmente aquela que vem do Alto.

Michelson Borges, jornalista e mestre em teologia

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Segunda-feira, Dezembro 12, 2011

Semelhança genética e ancestralidade

Como você explica, sob uma perspectiva criacionista, a existência de exatamente 20-25 mil genes (codificadores de proteínas) em todos os seres vivos do planeta? O fato é que, embora os organismos vivos tenham genomas de tamanhos diferentes, todos eles apresentam sempre a mesma quantidade de genes codificadores de proteínas. Tanto eu quando um verme cilíndrico temos 20 mil genes, embora sejamos organismos completamente diferentes e evidentemente com complexidades diferentes. É claro que ainda não sabemos exatamente como o genoma é lido e interpretado e gera a diversidade e complexidade que podemos observar nos seres vivos, porém, o fato da existência da mesma quantidade de genes codificadores de proteínas, além de outros detalhes genéticos, é um forte argumento que apoia a teoria da evolução darwiniana, nos levando à conclusão de que todos os organismos vivos do planeta tiveram um ancestral comum. Não é isso? – J.

Prezado J., já existem trabalhos científicos questionando a tão famosa árvore genealógica de todos os seres vivos (mais recentemente, Craig Venter, da Celera Genomics, entrou nessa polêmica). Quanto ao número de genes, é interessante ressaltar que a maioria deles está ligada ao metabolismo celular. As enzimas responsáveis pela síntese de polímeros tais como proteínas, açúcares e ácidos nucléicos são as mesmas. Enfim, nós compartilhamos 99% dos nossos genes com o chimpanzé e 50% com as bananas, por causa disso. São justamente esses genes ligados ao metabolismo celular. Atualmente, sabemos que a principal diferença entre os genomas dos metazoários está nos chamados genes reguladores do desenvolvimento. Esses genes já estão presentes desde o Cambriano, quando “surgiram” todos os invertebrados ao mesmo tempo. Do ponto de vista criacionista, vejo que, ao nível genético, temos um plano muito mais sólido do qual o Criador Se utilizou para formar boa parte da biodiversidade. Essa é uma área bastante explorada pelos proponentes do Design Inteligente. Há muita complexidade especificada e irredutível nos genomas que aponta para a existência de planejamento. Seria bom que você desse uma lida nesse tipo de material.

Segunda-feira, Outubro 24, 2011

Qual a origem dos tipos sanguíneos?

Minha duvida é a seguinte: Como explicar os tipos sanguíneos existentes, se todos descendemos de Adão e Eva? Eva teria que ter o mesmo sangue de Adão, pois foi retirada da costela dele. Então como explicar os outros tipos de sangue? De onde eles surgiram? – T.

No ponto de vista darwinista, a principal causa evolucionária dos variados grupos sanguíneos parece ser as doenças. Por exemplo, a malária parece ser a principal força seletiva por trás do tipo O. Esse tipo sanguíneo é mais prevalente na África do que em outras partes do mundo, e se acredita que esse sangue carrega algum tipo de “vantagem evolutiva”. A vantagem parece surgir no sentido de que as células infectadas com malária não aderem bem aos tipos sanguíneos O ou B. Células sanguíneas infectadas com malária são mais propensas a ficar nas células com o açúcar A, formando aglomerados conhecidos como “rosetas”, que podem ser fatais quando se originam em órgãos vitais, como o cérebro. Por outro lado, as pessoas com sangue tipo O podem ser mais propensas a outras doenças. Por exemplo, essas pessoas são conhecidas por serem mais suscetíveis a serem atingidas pela bactéria Helicobacter pylori, que provoca úlceras. Entretanto, os cientistas ainda não sabem se algum tipo de doença em específico provocou os diferentes tipos de sangue dos humanos. (Informações do site Hypescience.)

O criacionista e doutor em Genética Wellington dos Santos Silva explica: o sistema ABO é formado por três loci gênicos: o locus ABO, localizado no cromossomo 9, o locus H (antígeno H) e Se (secretor), ambos localizados no cromossomo 19. Esses loci estão envolvidos na expressão de antígenos que, na verdade, são moléculas de açúcar presentes na superfície das hemácias. Tudo começa com o locus H que produz uma glicosiltransferase (enzima que transfere moléculas de açúcar para se ligar a uma molécula de lipídio presente na membrana da hemácia) para formar o antígeno H. Esse antígeno H é formado por quatro moléculas de açúcar. Depois temos o locus ABO que produzirá outras glicosiltransferases, dependendo do alelo presente (A, B ou O). Se for o alelo A, esse gene expressará uma enzima que irá transferir uma molécula de açúcar para o antígeno H e formar o antígeno A. Se for o alelo B, esse gene expressará uma enzima que irá transferir outra molécula de açúcar para o antígeno H e formar o antígeno B. Se for o alelo O, não ocorrerá produção de uma enzima funcional e teremos só o antígeno H. Esse é o alelo O.

Podemos ver que as diferenças entre esses antígenos ocorrem devido a uma pequena mudança que corresponde a umas poucas moléculas de açúcar. Sabe-se que esses antígenos têm grande importância nas transfusões de sangue, mas não se sabe exatamente qual a função deles.

Quanto à origem desse polimorfismo (variabilidade) no sistema ABO, podemos especular que pequenas mudanças nesses genes poderiam levar ao surgimento de outros alelos que, depois, seriam selecionados.

Do ponto de vista criacionista, não se conhece algum modelo que explique a origem desse polimorfismo, mas, segundo o Dr. Wellington, não haveria problema em considerarmos essa origem a partir de um casal, como se vê em outros sistemas genéticos. O binômio mutação-seleção poderia explicar bem isso.

Havia pessoas suficientes para construir as pirâmides?

Uma vez que o Egito foi estabelecido pouco depois da Torre de Babel (Gênesis 11), e uma vez que os egípcios construíram algumas das mais espantosas estruturas que o ser humano já viu, como foi possível eles terem pessoas suficientes para levar a cabo tais empreendimentos? Não seriam necessários milhares de operários para construir obras de tal magnitude? Quando as pessoas pensam nas pirâmides egípcias, usualmente pensam na Grande Pirâmide de Gizé, que foi construída pelo rei Khufu, na 4ª Dinastia. No entanto, segundo a cronologia revista proposta pelo arqueólogo David Down (ver este link), a primeira pirâmide de pedra (pirâmide de degraus de Saqqara) foi provavelmente construída durante a 3ª Dinastia, entre 2100 e 2000 antes de Cristo.

Segundo a cronologia bíblica proposta pelo arcebispo James Ussher, o evento da Torre de Babel ocorreu cerca de 2250 antes de Cristo. Isso deixa um intervalo de cerca 150 a 250 anos entre a dispersão e o início das primeiras construções egípcias. Dado isso, quem foi que desceu ao Egito?

O fundador do Egito foi o neto de Noé, Mizraim (Gênesis 10:6). A título de informação, a palavra hebraica para “Egito” é Mitsrayim, que é traduzida para Mizraim, filho de Cão (Gênesis 10:6, 13). Em arábico, a palavra usada para “Egipto” é Misr.

Se assumirmos que Mizraim deixou Babel com sua família de oito crianças (quatro rapazes e quatro meninas), e se cada casal teve, em média, oito filhos a cada 30 anos (que é uma estimativa bastante conservadora), em 150 anos atingiriam cerca de 30 mil descendentes. Em 250 anos, a população explodiria para mais de um milhão de pessoas.

Génesis 11 indica que gerações mais antigas muitas vezes continuavam vivas durante muito tempo, chegando a viver mais de 200 anos. Imagine a população do seu país, hoje, se todas as pessoas que nasceram depois de 1808 ainda estivessem vivas?

Quantas pessoas seriam necessárias para construir uma pirâmide de degraus? Bem, com a tecnologia certa e os recursos adequados, seria necessário muito menos gente do que a maior parte das pessoas pensa. É preciso levar em conta alguns fatores:

1. Os egípcios quase certamente tinham conhecimentos de construção trazidos do tempo da Torre de Babel.

2. Eles certamente tinham tecnologia que lhes permitia poupar em mão-de-obra (guindastes, talhas, etc.)

3. Os egípcios poderiam contratar ajuda externa ou usar escravos (como evidenciado durante o tempo de José, filho de Jacob – Gênesis 37–40) ou ambos.

Conclusão: usando as Escrituras e outras evidências histórias e arqueológicas, podemos, portanto, ver que os egípcios não só teriam a população necessária para construir as pirâmides, como também a tecnologia para tal.

“Naquele dia, Israel será o terceiro, com os egípcios e os assírios, uma bênção no meio da terra. Porque o Senhor dos Exércitos os abençoará, dizendo: Bendito seja o Egito, meu povo, e a Assíria, obra das Minhas mãos, e Israel, Minha herança” (Isaías 19:24, 25).

(Darwinismo)

Sexta-feira, Setembro 23, 2011

Pescadores ou pescados – parte 2

O que há de pior na internet (e como se livrar disso)

Segundo Mark Hurd, presidente da empresa de informática Hewlett Packard, a quantidade de informações publicadas na web já é maior do que tudo o que foi produzido pela humanidade até agora em matéria de conhecimento. Precisaríamos de mil anos para receber o que se produz em um mês no mundo. A título de comparação, uma edição como a do jornal The New York Times contém mais informações do que uma pessoa comum poderia incorporar durante toda a existência dela, no século 17, nos Estados Unidos.

Vivemos na era da informação. Mas e a capacidade de processamento dessa informação? Esse excesso de informação tem criado o estresse digital (sentir-se dominado pelas tecnologias) e a ansiedade de informação (não dar conta de se atualizar). Além disso, tem contribuído para a Síndrome do Pensamento Acelerado (SPA).

Uma característica básica da SPA é o cansaço físico. Por pensar excessivamente, os portadores dessa síndrome roubam energia do córtex cerebral. Essa energia deveria ser utilizada nos órgãos do corpo, como os músculos. Assim, sentem uma fadiga persistente.

No século 19, Ellen White já falava sobre energia mental e recomendava: “Muitos [...] têm sofrido por causa de excesso de trabalho mental sem o refrigério do exercício físico. O resultado é a debilitação de suas faculdades” (Evangelismo, p. 661). “Os [...] que se aplicam exclusivamente a trabalho mental [...] pelo confinamento prejudicam toda a estrutura viva. Cansa-se o cérebro, e Satanás insinua toda uma lista de tentações” (Mente, Caráter e Personalidade, v. 2, p. 507).

Mentes cansadas e fracas são fáceis de ser “pescadas”.

Pensamento rápido e utilitário

Nicholas Carr, em seu livro The Shallows: What the Internet is Doing to Our Brains, afirma que a facilidade para achar coisas novas na rede e se distrair com elas estaria nos tornando estúpidos. Diz ele: “A internet, sendo um sistema multimídia baseado em mensagens e interrupções, tem uma ética intelectual que valoriza certos tipos de pensamento utilitários, voltados para a solução de problemas, que encoraja as multitarefas e a rápida transmissão ou recepção de migalhas de informação. [...] A maneira de manter o modo mais contemplativo de pensamento é desconectar-se por um tempo substancial, reduzindo nossa dependência em relação às tecnologias de tela e exercendo nossa capacidade de prestar atenção profundamente em uma única coisa.”

Estudar a Bíblia e ler um bom livro, por exemplo.

Numa resenha do livro de Carr, publicada no jornal El País, o jornalista e escritor Mario Vargas Llosa escreveu: “Acostumados a picotar informações em seus computadores, sem ter necessidade de fazer prolongados esforços de concentração, [os alunos] têm perdido o hábito e a faculdade de [ler livros], e têm sido condicionados a contentar-se com esse borboleteio cognitivo a que os acostuma a internet, com suas infinitas conexões e saltos e complementos, de modo que estão ficando de certa forma vacinados contra o tipo de atenção, reflexão, paciência e prolongado abandono àquilo que se lê, e que é a única maneira de ler, desfrutando, a grande literatura.”

Pessoas incapazes de refletir e esgotadas são alvo fácil de Satanás. E ele está lá, na internet, “[andando] em derredor, rugindo como leão” (1 Pedro 5:8), oferecendo suas “distrações”.

Conselho divino: “Aquietai-vos e sabei que Eu sou Deus” (Salmo 46:10).

Principais perigos

Numa lista breve, os principais perigos da internet geralmente apontados são: (1) Contato com material impróprio (ex.: pornografia); (2) incitamento à violência e ao ódio; (3) violação da privacidade; (4) violação da lei; (5) encontros “online” com pessoas não recomendáveis; (6) perda de tempo precioso; e (7) pensamento utilitarista e superficial.

Na American Journal of Psychiatry de março de 2008, o Dr. Jerald J. Block comenta que a dependência da internet parece ser uma desordem mental que merece ser incluída na próxima edição da Classificação Internacional das Doenças usada nos EUA (DSM-V). O diagnóstico da desordem que engloba o uso compulsivo-impulsivo de computador consiste de três subtipos de vício: jogos excessivos, preocupações sexuais e mensagens tipo e-mail ou texto. E qualquer uma dessas modalidades de dependência tem em comum quatro componentes:

1. Uso excessivo, frequentemente associado com perda da noção do tempo ou negligência de necessidades básicas.

2. Abstinência, com sintomas de raiva, tensão e/ou depressão quando o computador está inacessível.

3. Tolerância, que inclui a necessidade de obter melhores computadores, melhores softwares ou mais horas de uso.

4. Repercussões negativas, incluindo argumentos, mentiras, isolamento social, pobres realizações e fadiga.

A dependência acomete, principalmente, os adolescentes, pois a maturação cerebral ocorre somente depois dos 21 anos. O córtex pré-frontal (localizado na região da testa) é a sede do pensamento, a sede do controle dos impulsos, e os jovens ainda não têm essa região plenamente amadurecida.

Os jovens precisam contar com a ajuda dos pais, é o que defendem Joe S. McIlhaney Jr. e Freda McKissic Bush, no ótimo livro ainda não traduzido Hooked: New Science on How Casual Sex is Affecting our Children. Eles dizem: “Fatores benéficos, tais como ambiente familiar e orientação de adultos, podem guiar um adolescente através desse tumultuado período de sua vida. [...] O cérebro dos adolescentes pode ser positivamente moldado pela orientação, estrutura e disciplina fornecidas por pais cuidadosos e outros adultos” (p. 19, 53).

Por isso, Alexandre Hohagen, presidente do Google para a América do Sul, disse: “Em casa, lugar de computador é na sala ou no corredor. Jamais em quartos isolados ou fechados.” Pais responsáveis devem cuidar dos filhos. E, para isso, devem se informar o quanto puderem sobre como cuidar deles. Um bom livro para isso é Como Proteger Seus Filhos na Internet, da editora Novo Conceito. Nele, o especialista na área de tecnologia e informação, Gregory S. Smith, dá boas dicas para os pais e mostra os perigos a que estão expostos os menores.

Smith compara: “Crianças e jovens com idades de 8 a 17 anos não estão sendo criados num ambiente semelhante ao do tempo da infância dos pais. As crianças de antigamente nem mesmo poderiam imaginar os tipos de pornografia pesada disponível ao alcance do clique de um mouse, nem mesmo prever o comportamento que os adolescentes de hoje em dia têm diante do computador” (p. 32).

O livro é bastante explícito e transcreve, inclusive, diálogos travados entre crianças e predadores sexuais online. Por isso mesmo deve ser lido apenas pelos pais.

Associação de conceitos

Responda rápido: O que as vacas bebem? Você respondeu “leite”? Talvez. E isso acontece porque, quando criança, aprendemos a associar vaca com leite, e os neurônios que codificam as duas palavras aprendem a se ativar ao mesmo tempo.

Segundo Dean Buonomano, doutor em neurociência pela Universidade do Texas, “o cérebro humano pode ser convencido inconscientemente. Ele pode associar conceitos caso seja exposto de forma contínua e prolongada a alguns estímulos. É o que fazem os publicitários com imagens, sons e aromas. Um bom exemplo disso é o tabaco. Poderosas campanhas de marketing no século passado levaram a associar o cigarro a um estilo de vida exclusivo. O resultado foram milhões de mortes, que poderiam ter sido evitadas. Essas associações, de certa forma, tornaram-se um problema social grave.”

Agora leia esta palavra: sexo. Que conceitos e imagens lhe vêm à mente?

O mal da pornografia

A indústria pornográfica é maior do que a Microsoft, Google, Amazon, eBay, Yahoo!, Apple, Netflix e EarthLink juntas. Cerca de 50% dos cristãos e 40% de seus pastores admitem ter problemas com a pornografia. Dois terços dos advogados presentes na reunião de 2003 da Academia Americana de Advogados Matrimoniais disseram que a pornografia virtual estava envolvida na metade dos casos que representaram. Dá para perceber o tamanho do problema?

Regis Nicoll, escritor e membro de um ministério para homens da Igreja Adventista, escreveu: “No local de trabalho, o vício em pornografia resulta na perda da produtividade e na negligência de cumprir os deveres, que podem ter efeitos danosos, talvez até desastrosos. Em casa, resulta paradoxal e tragicamente em desordens íntimas.”

Desordens íntimas? Sim. O blog Mulher 7 x 7, do site da revista Época, divulgou a pesquisa feita pela Universidade de Pádua, na Itália, segundo a qual 70% dos homens jovens que procuravam neurologistas por ter desempenho sexual ruim admitiam o consumo frequente de pornografia na internet. “A perda da libido acontece porque os consumidores de pornografia estão ‘abafando’ a resposta natural do cérebro ao prazer. Anos substituindo os limites naturais da libido por intensa estimulação acabariam prejudicando a resposta ao neurotransmissor dopamina. A dopamina está por trás do desejo, da motivação – e dos vícios. Ela rege nossa busca por recompensas. Uma vez que o prazer está fortemente ligado à pornografia, o sexo real parece não oferecer recompensa.”

Segundo Kimberly-Sayer Giles, “os homens são muito visuais, e ver pornografia produz uma droga [dopamina] que leva à euforia no corpo. Essa droga é a razão pela qual a pornografia se torna viciante. Quando a elevação natural desaparece, o homem se sente deprimido (como acontece com qualquer droga) e tem vontade de passar pelo processo novamente. As mulheres são mais estimuladas por livros de romance do que por sexo. Então, quando elas leem histórias românticas (e nem precisam ter romance tão explícito assim), elas podem experimentar a liberação da mesma substância química viciante”.

William M. Struthers, psicólogo com formação em neurociência e autor do livro Wired for Intimacy: How Pornography Hijacks the Male Brain, afirma que experiências com pornografia e hormônios de prazer criam novos padrões na programação do cérebro, e experiências repetidas formalizam a programação. Não é coincidência o fato de que as demandas de drogas para o desempenho masculino e os aumentos do corpo feminino sigam juntos à explosão da pornografia na internet. Eles perdem interesse pelo normal e elas querem se igualar ao anormal.


Joe S. McIlhaney Jr. e Freda McKissic Bush dizem ainda que “sexo é um dos mais fortes geradores de recompensa pela dopamina. Por essa razão, os jovens são particularmente vulneráveis a cair no ciclo da recompensa dopamínica por comportamento sexual imprudente – eles podem ficar viciados nisso. Mas o efeito benéfico da dopamina para os casais casados está na dependência [vício] deles no sexo um com o outro” (Hooked, p. 35).

A ex-atriz pornô Jennifer Case deixou a indústria do sexo há alguns anos e diz que compreende que só com a ajuda de Deus os homens conseguem sair do vício, assim como foi com a ajuda de Deus que ela deixou essa indústria. “Se você está vendo pornografia ou está viciado em pornografia, você está tentando encher um vazio dentro de você que só Deus pode preencher. Toda vez que você olha pornografia, você está aumentando o vazio, e você destruirá sua vida”, ela adverte.

Case diz ainda que a pornografia é “maligna” e “é uma droga, veneno e mentira”. “Se você pensa que poderá guardá-la no escuro, Deus a tirará para fora, para a luz, para deter você e curar você.”

Segundo C. S. Lewis, existe “um desejo cada vez mais crescente por um prazer cada vez menor”.

Preocupação divina

Nos tempos dela, Ellen White já manifestava sua preocupação com o assunto: “Nos trens, fotografias de mulheres nuas são frequentemente oferecidas à venda. Esses quadros repugnantes são encontrados também em estúdios fotográficos, e são dependurados nas paredes dos que trabalham com gravuras em relevo. É esta uma época em que a corrupção prolifera por toda parte. A concupiscência dos olhos e as paixões corruptas são despertadas pela contemplação e a leitura. [...] A mente tem prazer [dopamina] em contemplar cenas que despertam as paixões baixas, vis. Essas imagens depravadas, vistas por olhos de uma imaginação viciada, corrompem a moral e predispõem os iludidos e obcecados seres humanos a darem rédea solta às paixões libidinosas. Seguem-se então pecados e crimes que arrastam para baixo seres formados à imagem de Deus, nivelando-os aos irracionais, afundando-os afinal na perdição. Evitai ler e ver coisas que sugiram pensamentos impuros. Cultivai as faculdades morais e intelectuais” (Mente, Caráter e Personalidade, v. 1, p. 229).

E ela adverte: “Aqueles que não querem ser presa dos ardis de Satanás devem bem guardar as entradas da alma; devem evitar ler, ver, ou ouvir aquilo que sugira pensamentos impuros. A mente não deve ser deixada a divagar ao acaso em todo o assunto que o adversário das almas possa sugerir” (Mensagens aos Jovens, p. 285).

O “tratamento” recomendado para os viciados em pornografia é o mesmo para pessoas viciadas em álcool, cafeína ou outras drogas: abstinência, substituição e vigilância.

De Deus vem a promessa: “Submetam-se a Deus. Resistam ao diabo, e ele fugirá de vocês” (Tiago 4:7). “A leitura limpa e sã [substituição] será para o espírito o que é para o corpo o alimento saudável. Haveis de tornar-vos assim mais fortes para resistir à tentação, formar bons hábitos, e proceder segundo os retos princípios” (Ellen G. White, Mente, Caráter e Personalidade, v. 1, p. 107).

Em tempos de reavivamento e reforma, fica a recomendação inspirada: A “primeira obra dos que desejam reformar-se é purificar a imaginação” (Ellen G. White, Mente Caráter e Personalidade, p. 595).

Note: Deus criou a dieta original saudável; o diabo inventou o fast-food. Deus criou a água e as frutas; o diabo, a bebida alcoólica. Deus criou o sexo para o casamento entre um homem e uma mulher; o diabo promove a infidelidade, o adultério mental (Mateus 5:28), o “sexo sem compromisso” e a pornografia. Com todas essas deturpações, o inimigo de Deus causa dor nos seres humanos e, consequentemente, no Criador.

“Nunca derrube uma cerca até você saber por que ela foi colocada”, disse Robert Forst. Se Deus colocou limites à sexualidade humana, é porque tinha e tem uma boa razão para isso.

Histórias tristes

Além dos testemunhos bonitos que tenho recebido por e-mail ao longo dos anos, há também as histórias tristes de pessoas boas sofrendo sob o peso dos vícios. São histórias que mostram que realmente todo cuidado é pouco, quando se trata do policiamento na internet. Por razões óbvias, o nome delas foi omitido:

“Sempre tive um sonho: de me tornar um ministro. Com poucos meses após a maioridade, me tornei ancião da minha igreja e colportor. [...] Com o passar do tempo, deixei de olhar para Cristo. [...] Achei uma oportunidade de ganhar dinheiro fácil e acabei me envolvendo com pornografia. Mas ninguém sabe disso. Ninguém me conhecia e conhece. E cheguei ao estagio de eu mesmo não me conhecer. E isso me entristece, por mim e por elas. Nunca foi meu desejo envergonhar o evangelho ou trazer descrença às pessoas. Na verdade, desde muito novo (12 anos mais ou menos) fui atraído por pornografia; é minha maior fraqueza. [...] Eu quero do fundo do meu coração mudar para não me perder e não estragar futuramente meu casamento. [...] Preciso de sua ajuda.”

“Seu texto me ajudou a admitir que sou viciado [em pornografia] e que preciso de ajuda. Por favor, ore por mim e pela minha infeliz esposa. Seu ministério tem salvado vidas e até mesmo conseguido alcançar um endurecido pastor. Por favor, ore por mim. Não aguento mais essa situação.”

“Peço que você ore por mim. Sou viciado em pornografia. Comecei aos 13 anos vendo um vídeo por semana, e hoje, com 34 anos, vejo pornografia na internet. Sou casado e imagino cenas na hora do sexo, na oração – em plena oração aparecem imagens. É horrível! Estou há apenas dois dias sem ver pornografia. [...] Minha esposa conheceu seu blog através de mim. Com tristeza, devido ao vício, mas com a alegria de saber que Jesus nos transforma, deixo meu abraço.”

“Sou jovem e evangélico há sete anos. Realmente creio em Cristo com toda a minha vida. Tenho desejo de ser um pastor, estudo muito a Bíblia, também procuro sempre ter uma vida de oração intensa, porém, há mais ou menos um ano tenho tido problemas que eu não tinha antes, com masturbação e às vezes com pornografia. Acredite em mim: não sou uma pessoa má, repudio essas coisas, tenho nojo disso, detesto, enfim, nunca gostaria de ter visto essas coisas. Tenho travado batalhas enormes, feito muitos jejuns, ficado semanas sem cair, mas sempre, de repente, algo súbito acontece e novamente caio. Não sei mais o que fazer. Não sou um novo convertido, não sou depravado, mas não sei o que acontece comigo. [...] Estou escrevendo a você porque eu nunca conseguiria tratar disso com alguém pessoalmente. [...] Não consigo me abrir nesse aspecto; acho vergonhoso.”

Não sei quanto a você, mas me dá vontade de chorar quando leio essas histórias tristes de pessoas amadas por Deus, mas escravizadas nas redes do inimigo. No entanto, creio sinceramente que existe libertação em Cristo, afinal, “sejam quais forem nossas tendências herdadas ou cultivadas para o erro, podemos vencer, mediante o poder que Ele nos está disposto a comunicar” (Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver, p. 176). É por isso que oro quase todos os dias por essas pessoas – e por mim mesmo. Convido-o a fazer a mesma coisa.

Conselhos divinos

Quero concluir este artigo com alguns conselhos provenientes da Inspiração:

“Não podemos avançar na experiência cristã enquanto não afastarmos de nosso caminho tudo quanto nos separe de Deus” (Ellen G. White, Mensagens aos Jovens, p. 377). Decida agora e não espere para depois: jogue fora todo e qualquer conteúdo (filmes, livros, revistas, músicas) que o estejam afastando de Deus e de uma espiritualidade plena. Se o problema é o computador, tome decisões sérias baseadas nos conselhos expostos neste artigo.

“Cumpre-nos, no que de nós depender, cerrar toda entrada pela qual [Satanás] possa encontrar acesso à alma” (Ellen G. White, O Maior Discurso de Cristo, p. 118). Você precisa exercer seu poder de escolha no sentido de proteger as “janelas da alma” – olhos, ouvidos, pele (tato) e boca.

Davi nos dá um conselho semelhante: “Não porei coisa má diante dos meus olhos” (Salmo 101:3). Mas, e se a tentação surgir de repente, sem que eu tenha me exposto a ela. Aí vem o segundo conselho (na verdade, uma petição) de Davi: “Desvia meus olhos, Senhor, de contemplarem coisas sem valor, e vivifica-me em Teu caminho” (Salmo 119:37). Olhe para outra coisa. E se for uma imagem mental, “mude de canal”. Pense conscientemente em outra coisa. Domine seus pensamentos com a ajuda de Deus.

“E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2). Se vivermos apenas conectados nas coisas do “mundo”, nossa mente será formatada (formato) ou conformada (colocada numa forma) sob padrões que nos afastam da espiritualidade. Finalmente, acabaremos perdendo a capacidade de experimentar, discernir a “boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. Então, a sequidão espiritual e, finalmente, a morte da alma será a triste consequência.

Antes do ponto final, vamos ler de novo (que tal memorizar?) o conselho de Paulo registrado em Filipenses 4:8? “Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.”

Ponto final.

Michelson Borges é jornalista formado pela UFSC e mestre em teologia pelo Unasp

Leia também: "Pescadores ou pescados – parte 1"

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