domingo, outubro 24, 2010

O que a Bíblia ensina sobre uso de imagens?

Muitos cristãos utilizam desenhos e pinturas de personagens bíblicos, inclusive de Jesus. Alguns têm chegado a fazer esculturas representando cenas bíblicas. Isso não é proibido pelo segundo mandamento?

No segundo mandamento da lei de Deus, lemos o seguinte: “Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto” (Êx 20:4, 5). Um dos princípios mais importantes para entender a Bíblia é jamais ler apenas o trecho de uma frase, deixando de lado seu contexto. Somente quando lemos o texto completo, podemos entender seu sentido.

O segundo mandamento – Vejamos como esse princípio é importante. Se usarmos partes isoladas do segundo mandamento, poderemos chegar a conclusões absurdas. O texto diz, por exemplo: “Não farás para ti imagem de escultura.” Logo, se eu fizesse uma imagem ou desenho (para ser adorado ou não) e o desse para outra pessoa, não haveria pecado nenhum.

Além disso, o texto declara: “Nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.” Fora de contexto, isso significaria que não posso ter flores ou frutas artificiais ornamentando a casa, nem pinguim de geladeira, maquetes de construções, réplicas do corpo humano para estudantes de medicina. Eu também não poderia dar um boneco ou boneca a uma criança, nem dar-lhe papel e lápis para que ela faça um desenho. Ninguém defenderia tal extremo, mas é isso que a frase afirma, se a lermos de maneira isolada.

Como, então, entender o segundo mandamento? O objetivo de um texto geralmente fica mais claro no seu fim, na sua conclusão. Observe: “Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto.” Em outras palavras: Não faça representações ou figuras de qualquer pessoa ou coisa com o objetivo de adorá-las. Esse é o sentido do segundo mandamento.

Como podemos ter certeza de que o segundo mandamento realmente tem esse significado, e que ele não proíbe qualquer tipo de arte visual? Tudo que precisamos fazer é ver o que outros textos bíblicos têm a dizer sobre o assunto.

Artes visuais na Bíblia – No Antigo Testamento, o uso da arte na religião não era proibido. A habilidade artística era considerada um dom de Deus (Êx 31:2-5). Alguns dos móveis do tabernáculo foram decorados com representações de flores e frutas (Êx 25:31-36; 1Rs 6:29), o véu que cobria o tabernáculo e o véu que havia dentro dele tinham figuras de querubins (Êx 26:1, 31) e havia dois querubins de ouro e cima da arca da aliança (Êx 25:17-20). Deus mandou construir uma serpente de escultura, para que fossem curadas todas as pessoas que olhassem para ela (Nm 21:8, 9).

No templo de Salomão, a arca foi colocada entre dois querubins de tamanho grande, confeccionados por ordem de Salomão (1Rs 6:23), a pia grande estava apoiada em 12 touros de metal (1Rs 7:25), e os móveis tinham figuras de leões, touros e querubins (v. 29). Objetos artísticos em forma de romãs e lírios foram usados para decorar o próprio edifício (v. 15-22). O trono real possuía arte decorativa em forma de leões (1Rs 10:19).

Mesmo no local de adoração a Deus havia “imagens de escultura” e representações visuais ou “semelhança” de coisas que “há em cima nos céus” e “na terra”. Além disso, no templo de Salomão e em seu palácio havia diversas imagens. Mas, claramente, nenhuma dessas representações artísticas tinha o objetivo de ser venerada ou adorada. Portanto, o problema não é o uso dessas artes visuais, mas o mau uso delas. Mesmo objetos confeccionados por ordem de Deus podem ser usados de maneira distorcida. Prova disso é que a serpente de bronze tornou-se, posteriormente, objeto de adoração e, por isso, foi destruída pelo rei Ezequias (2Rs 18:4).

Artes visuais no cristianismo – Imagens decorativas retratando temas religiosos (por exemplo, peixes, pombos, profetas, etc.) são encontradas no início do cristianismo, em catacumbas e locais de reunião. Mas essas imagens tinham o mesmo objetivo que aquelas mencionadas na Bíblia.

Apenas no século 7º, a veneração de imagens se tornou amplamente difundida entre os cristãos. Os católicos argumentam que não adoram as imagens religiosas, mas apenas as “veneram” e as usam para se aproximar dos santos por elas representados. Entretanto, não podemos concordar nem mesmo com esse uso, porque a Bíblia ensina que é apenas por meio de Cristo que nos aproximamos de Deus (Jo 14:6; Rm 8:34; 1Tm 2:5) e que os justos mortos estão inconscientes na sepultura até a ressurreição (Sl 115:17; Ec 9:5, 10; Mt 16:27; 1Co 15:51-55; 1Ts 4:13-18).

Aplicações atuais – A Bíblia, portanto, não condena o bom uso de figuras e imagens religiosas. Apesar disso, são necessários bom senso e precaução ao usar artes visuais na igreja. O uso exagerado desse recurso poderia dar a impressão de que o consideramos essencial na adoração a Deus. Alguns cristãos, que não estudaram o assunto mais profundamente, poderiam interpretar como idolatria o uso de determinados objetos na igreja.

Outro aspecto a ser considerado é a representação de Deus. Cremos que ilustrações de personagens bíblicos (incluindo Jesus e os seres angelicais), já contemplados por seres humanos, são aceitáveis quando não destinadas à veneração e quando não desvirtuam o caráter do respectivo personagem. Mas Deus, o Pai, “que habita em luz inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem é capaz de ver” (1Tm 6:16), jamais deveria ser reproduzido pela imaginação humana. Mesmo cenas bíblicas deveriam ser representadas de maneira respeitosa e fiel à descrição bíblica.

Com base no ensino bíblico sobre imagens, que consideramos acima, a escritora cristã Ellen G. White faz aplicações corretas à nossa época: “Alguns condenam figuras, alegando que são proibidas pelo segundo mandamento, e que todas as coisas desse gênero deveriam ser destruídas. [...] O segundo mandamento proíbe o culto das imagens. Deus mesmo, porém, utilizou figuras e símbolos para apresentar a Seus profetas as lições que deveriam ser dadas ao povo, para que, dessa forma, pudessem se entendidas melhor que de qualquer outra maneira. Isso apela para nossa compreensão, por meio do sentido visual” (Historical Sketches of the Foreign Missions of the Seventh-day Adventists, p. 212).

(Matheus Cardoso é editor associado da revista Conexão JA e editor assistente de livros na Casa Publicadora Brasileira; colabora na seção “Perguntas” do blog www.criacionismo.com.br)

Fontes:

Alberto R. Timm, “Idolatria”; Ángel Manuel Rodríguez, “Art or Idol?”; George W. Reid, “Statuary and the Second Commandment”; Gleason Archer, Enciclopédia de Temas Bíblicos: Respostas às principais dúvidas, dificuldades e “contradições” da Bíblia (São Paulo: Vida, 2001), p. 103.

quinta-feira, outubro 21, 2010

Duvidas sobre o mal, milagres e livre-arbítrio

Certa vez, quando perguntaram a Jesus quem havia pecado, Ele respondeu que o homem nascera daquele jeito [cego] para ser manifestar a glória de Deus. Ou seja, Deus colocou o problema apenas para se manifestar a glória dEle? É Deus quem coloca a dor, a doença, para, depois, curar ou matar? Jesus disse coisas como: “Não se preocupem com o dia de amanhã.” Mas Ele Se preocupou tanto que chegou a suar sangue! Outra coisa que me incomoda é a respeito de milagres, da probabilidade matemática. Cálculo simples: dois milhões de pessoas têm câncer, duas são curadas do nada. Milagre? Matematicamente falando, sim. Mas milagres acontecem aos que não são cristãos também... Mas o que mais me incomoda mesmo é sobre o livre-arbítrio. Como entender isso? – J.

Prezado J., primeiramente, entendo que não podemos simplificar tanto assim uma realidade que é muito mais complexa. Assuntos como livre-arbítrio, determinismo, milagres, etc. não podem ser resolvidos numa frase, num parágrafo e talvez nem mesmo em milhares de páginas. Fé não é confiar no que não vemos? Não é ter certeza do que esperamos? (Hebreus 11:1).

Certas expressões bíblicas não podem ser entendidas fora de seu contexto (o pensamento e a cultura judaico-oriental). Para os judeus, Deus era responsável por aquilo que Ele não impedia. Ex.: Foi Deus quem endureceu o coração de faraó ou foi o próprio faraó, com a permissão de Deus, já que Ele não força a vontade de ninguém? Assim, o cego de nascença nasceu assim por uma fatalidade deste mundo de pecado (como tantos outros nascem com tantos outros problemas). Mas, no caso dele, uma maravilha seria operada porque ele creu no Senhor. Como ocorreu com Jó, muito tempo antes, esse cego teria a honra de representar bem o caráter e as obras de Deus. Isso deve ser entendido à luz do grande conflito e levando em consideração a eternidade.

Todo mal no Universo provém de Satanás, o originador do mal. O que Deus faz, frequentemente, é reverter o mal em bem para nós. Assim, muitas vezes, Deus Se vale de uma doença (que ele permite, mas não causa) para nos conduzir de volta ao caminho da salvação ou para modelar nosso caráter. Curiosamente, de modo geral, aqueles que passam por uma dor encaram o problema de modo diferente daqueles que apenas observar quem sofre. Os mais revoltados com Deus por causa da existência do sofrimento são aqueles que apenas “filosofam” sobre o assunto. Não fosse assim, países pobres como os da África teriam multidões de ateus, enquanto países desenvolvidos da Europa seriam majoritariamente crentes. Mas a realidade é justamente o oposto disso.

Jesus suou sangue não por desconfiar do cuidado de Deus e por Se preocupar com o dia de amanhã. Ele passou por essa pressão imensa porque levou sobre Si nossos pecados. Não podemos comparar o que Ele experimentou com aquilo que nós experimentamos. Jesus não nos daria um conselho que Ele mesmo não vivesse. A agonia do Getsêmani e da cruz é algo singular experimentado por um Deus-homem que assumiu a culpa dos pecadores. E é justamente pelo que Jesus conquistou na cruz que podemos ter ainda mais certeza de que Deus nos ama e tem em vista o nosso bem – por isso podemos confiar nEle e descansar quanto ao futuro.

Quanto aos milagres, sem dúvida eles também acontecem na vida dos que não creem. A concepção e o nascimento são milagres. O nascer e o pôr do sol (na verdade, a rotação sincrônica da Terra) são milagres. A manutenção da proporção dos gases atmosféricos respiráveis – outro milagre. O funcionamento e a existência do Universo – tremendo milagre! Isso mostra a misericórdia de um Deus que manda chuva e sol sobre crentes e não crentes, sobre justos e injustos (Mateus 5:45). Deus nos mantém vivos e nos convida a uma vida de comunhão com Ele.

Mas quer saber qual é, para mim, o maior milagre? Uma vida transformada por Deus. Um ser impuro tornado puro. A índole má transformada num temperamento manso e submisso à vontade de Deus. Isso é milagre! Já vi curas e coisas maravilhosas que não poderiam ser explicadas de outra maneira senão pelo poder sobrenatural de Deus, mas isso não chega perto dos milagres que presenciei na vida de seres humanos que se deixaram transformar por Deus.

Finalmente, o livre-arbítrio. Creio que temos a liberdade de escolher entre a vida eterna e a morte eterna – e agradeço a Deus porque minhas escolhas se limitam a dois caminhos, senão, como ser humano limitado que sou e com tendência a más escolhas, eu me perderia na confusão, caso houvesse mais opções. Essas são as duas grandes escolhas que todo ser humano tem que confrontar. Mas há também as pequenas escolhas diárias que acabam afetando em alguma medida as grandes escolhas. Exemplo: Quem namorar? Com quem casar? Que amizades cultivar? No que trabalhar? Que faculdade cursar? O que comer? O que assistir na TV? Que músicas escutar? Etc. São decisões menores que acabam afetando as maiores, na medida em que nos aproximam ou afastam de Deus. E é Deus, o Espírito Santo, que nos influencia para as boas decisões, se nos mantemos próximos dEle por meio da oração, do estudo da Bíblia e do cultivo de bons hábitos de vida e de pensamento.

Mesmo em meio às nossas dúvidas e incertezas, temos que responder como Pedro: “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna” (João 6:68). Se abandonarmos a Deus, para onde iremos? Temos que confiar nEle, pelas provas que Ele já deu de que nos ama e está nos conduzindo – com a nossa permissão – para a vida eterna. Lá todas as nossas dúvidas serão esclarecidas e nosso sofrimento terá fim.

Mas temos que chegar lá...

(Michelson Borges, jornalista e mestre em Teologia)

Importa realmente o que vestimos?

Quando se fala em qual deve ser o vestuário adequado para o cristão, muitos vão logo pensando na velha controvérsia da calça x saia. Porém, esta é uma visão limitada e preconceituosa. O vestuário do verdadeiro cristão envolve questões muito mais profundas do que a simples escolha de um traje. Deus não é etnocêntrico, ou seja, não adota uma cultura específica para servir de padrão a todas as outras.

Na história da humanidade, registrada nas Sagradas Escrituras, podemos ver nitidamente Deus respeitando as culturas de cada época e região, mesmo quando estas se revelaram inadequadas e não colaboraram para a felicidade humana.

Hoje não é diferente. Ele aceita que nossos irmãos das mais diversas culturas do mundo O adorem e sirvam com sua vestimenta peculiar. Por isso, jamais poderíamos chegar a uma dessas igrejas impondo nosso estilo de vestir como ideal. Pense no que aconteceria caso um irmão de certa tribo africana quisesse obrigar um brasileiro a ir à igreja vestindo túnicas longas. Isso traria escândalo ou, na melhor das hipóteses, risos.

É por esse motivo que Deus não escolhe uma roupa específica para usarmos. No entanto, Ele deixou princípios universais para serem seguidos por todas as pessoas de todas as épocas e culturas. E são justamente esses princípios que devem nos levar a usar roupas que sejam condizentes com nossa fé.

“Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1Co 10:31). Esse deve ser o princípio áureo de quem quer agradar a Deus. Tudo o que fizermos – inclusive o vestuário que usamos – deve glorificar a Deus. Na Bíblia, encontramos ainda outras preciosas orientações com relação à roupa que glorifica ao Criador: “Da mesma forma que as mulheres, em traje decente, se ataviem com modéstia e bom senso, não com cabeleira frisada e com ouro ou pérolas, ou vestuário dispendioso” (1Tm 2:9). “Não seja o adorno da esposa o que é exterior, como frisado de cabelos, adereços de ouro, aparato de vestuário” (1Pe 3:3).

Deus é glorificado quando nossa roupa não chama atenção para nós mesmas(os) e nos apresenta apenas como vasos de barro, contendo valioso tesouro. É claro que isto não é válido somente para as mulheres. Foi o contexto da época que fez com que os apóstolos Pedro e Paulo assim escrevessem.

Já ouvi muitos dizerem que não importa o que vestimos, o importante é o que vai no coração. Mas, com certeza, o que vai no coração também se revela em nosso exterior. Até nossa personalidade pode ser avaliada, em parte, através daquilo que vestimos. A roupa que usamos demonstra a forma como queremos que os outros nos vejam. E esta é a questão crucial. Se já não sou mais eu quem vive e Cristo vive em mim, como será minha roupa? Quero que me apreciem e me achem atraente, bonita(o), sedutora(o), ou quero que, ao me olharem, vejam a simplicidade, modéstia, decência, asseamento e bom gosto que eram vistos em Jesus?

Vejamos o que Ellen White diz sobre isso: “Nossas palavras, ações, vestidos, são pregadores vivos, juntando com Cristo, ou espalhando. Isto não é coisa insignificante, para ser passada por alto com um gracejo. A questão do vestuário exige séria reflexão e muito orar” (Testemunhos Seletos, v. 1, p. 596). “Os que se apegam aos adornos proibidos na Palavra de Deus, nutrem orgulho e vaidade no coração. Desejam atrair a atenção. Seu vestuário diz: Olhem para mim, admirem-me. Assim cresce decididamente a vaidade no coração humano, devido à condescendência” (Ibid., p. 599).

Temos que tomar cuidado para não nos secularizar e nos conformar com os costumes do mundo. A cultura e os costumes são muito dinâmicos. O que há vinte anos era considerado indecente, hoje é aceito com naturalidade. O nudismo e o erotismo não causam mais espanto. Até as crianças estão sendo corrompidas debaixo dos narizes dos pais.

Ainda que estranhos para a (i)moralidade atual, os princípios de Deus continuarão sendo sempre os mesmos. Não podemos nos deixar levar pelas modas do mundo quando elas ferem a representação adequada do caráter de Deus. Ellen White nos faz uma preciosa advertência: “Muitos se vestem como o mundo, a fim de exercerem influência sobre os incrédulos; nisto, porém, cometem lamentável erro. Caso eles queiram ter influência real e salvadora, vivam segundo sua profissão de fé, mostrem essa fé pelas obras de justiça, e tornem distinta a diferença entre o cristão e o mundano. As palavras, o vestuário, as ações, devem falar em favor de Deus” (Ibid., p. 594).

Quando Cristo entra no coração, há uma transformação completa, e o vestuário jamais contradiz aquilo que professamos. “Quando a mente está firme na idéia de apenas agradar a Deus, desaparecem todos os desnecessários embelezamentos pessoais” (Ibid., p. 599).

Por tudo isso, vemos que vestir-se corretamente não é questão tão simples como a escolha de uma saia ou de uma calça – o que seria muito fácil. Na verdade, esse é um assunto que envolve genuína conversão e desprendimento do mundo. Devemos escolher usar a roupa que melhor represente o cristianismo de acordo com a cultura da época e da região em que vivemos.

Antes de sair, olhe-se no espelho e peça para Jesus avaliar se sua roupa é a mais adequada. Com certeza Ele irá mostrar e lhe dará forças para vencer os ditames deste mundo.

Nunca esqueça: como tudo na vida cristã, a vestimenta correta é resultado da comunhão com Cristo. Se tentarmos fazer o contrário (corrigir hábitos sem comunhão), estaremos fadados ao fracasso e à infelicidade. Para todo mal, Jesus é a solução. E só Jesus!

(Débora Tatiane M. Borges é pedagoga e reside em Tatuí, SP)

quinta-feira, outubro 14, 2010

A Bíblia e os outros "livros sagrados"

Podemos considerar o Alcorão e o Livro de Mórmon em pé de igualdade com a Bíblia?

O Alcorão dos muçulmanos possui sérias incoerências e inexatidões históricas (mesmo sendo muito mais recente que a Bíblia). Exemplos:

Sura 2:249. Quando o rei Saul, de Israel, saiu marchando com suas tropas, disse: “Deus vos testará por meio de um rio. Aquele que dele beber não fará parte do meu grupo; aquele, porém, que não provar dele, a não ser por meio de beber pela mão, fará parte do meu grupo.” Faz-se aqui tremenda confusão entre Saul e Gideão (confira Juízes 7:5-8).

Sura 61:6: “E lembrai-vos de quando Jesus, Filho de Maria, disse: ‘Ó filhos de Israel, em verdade sou o apóstolo da parte de Deus para vós, a fim de confirmar uma lei que foi dada antes de mim, a fim de anunciar um apóstolo que virá após mim, e cujo nome será Ahmad.’” O autor certamente obteve isso a partir do título Parakletos, que Jesus atribuiu ao Espírito Santo, em João 16:7. Confundiu-se Parakletos com Periklytos (famoso, louvado) que, em árabe, seria Ahmad ou Muhammad (Maomé).

Algum tempo atrás, circulou pela internet um daqueles e-mails sensacionalistas dando conta de que teriam sido descobertas moedas com o nome de José do Egito. Era, na verdade, um grande mal-entendido. A informação proveio do jornal egípcio Al-Ahram, via site Memri. Outro site que repercutiu o assunto foi o Urban Christian News. Este até publicou uma foto, dando uma tremenda “barrigada” jornalística. As moedas da imagem são, na verdade, gregas e trazem a inscrição “Basileos Ptolomaios”. Nada de hieróglifos. Detalhe: José viveu por volta do ano 1850 a.C., enquanto Ptolomeu viveu no terceiro século a.C.

No tempo de José não havia moedas. As fotos do site árabe são escaravelhos entalhados em alabastro e em pedra, e definitivamente não se trata de moedas. A moeda foi inventada no 8º século a.C. pelos lídios. Ademais, onde estão o rosto e o nome de José nesses artefatos? Além disso, José não era faraó. Como teria uma moeda esculpida com seu nome e rosto? (Além do que, por ser judeu, não consentiria com esse tipo de homenagem pictográfica.)

Parece que o Dr. Sa’id Mahammad Thabet, que é muçulmano, quis provar a exatidão do Alcorão, que na Sura 12:20 diz que os irmãos de José o “venderam por um preço baixo, um número de moedas de prata”. Muito material do Alcorão é “emprestado” da Bíblia, que é bem mais antiga que o livro sagrado dos islâmicos. O que ocorre neste caso específico é uma corruptela da tradução malfeita do texto bíblico de Gênesis 37:38: “Passando, pois, os mercadores midianitas, os irmãos de José, alçando-o da cisterna, venderam-no por vinte ciclos de prata aos ismaelitas, os quais o levaram para o Egito” (Almeida Contemporânea). A versão Almeida Revista e Atualizada traz a palavra “moedas” em lugar de “ciclos”. Ocorre que o original hebraico traz apenas “vinte de prata”. A palavra shekels (= peças, pedaços, peso ou ciclos) foi um acréscimo posterior ao texto original. O Alcorão, baseado numa tradução bíblica imprecisa, colocou “moedas”.

O que Thabet fez foi tentar “salvar” o texto corânico, indo na contramão de outros estudiosos, ao afirmar que há textos da 3ª, da 6ª e da 12ª dinastias que mencionam moedas. Só que ele usa a palavra deben, que, à semelhança de shekel, era também usada para se referir à medida de peso (como o futuro talento) e pesava 21 gramas.

Fica aqui a advertência para que não espalhemos informações imprecisas (e/ou até inverídicas) por aí.

O Livro de Mórmon, igualmente, possui muitas inexatidões, especialmente quando contrastado com a Bíblia. O jornalista Lee Strobel menciona uma comparação interessante: verificou-se que toda a geografia do livro de Atos foi confirmada pelo ex-cético Sir William Ramsay, de Oxford, enquanto que os lugares e pessoas mencionados no Livro de Mórmon permanecem obscuros até hoje.

Exemplos de inexatidões:

Segundo o livro Alma 7:10, Jesus haveria de nascer em Jerusalém (e não em Belém, conforme o registro em Lucas 2:4 e a profecia em Miqueias 5:2).

Helamã 14:20, 27 declara que as trevas cobriram a Terra inteira durante três dias na ocasião da morte de Cristo (e não durante três horas, conforme o registro de Mateus 27:45 e Marcos 15:33). Dessa forma, Maria não poderia ter ido ao túmulo na manhã de Páscoa.

Alma 56:15 indica que os crentes foram chamados “cristãos” já em 73 a.C., e não em Antioquia, conforme a informação dada em Atos 11:26. É difícil imaginar como alguém poderia ter recebido o título de cristão tantas décadas antes do nascimento de Cristo!

Helamã 12:25, 26, alegadamente escrito no ano 6 a.C., cita João 5:29 como fonte escrita prévia, introduzindo-a com a palavra “lemos”. É difícil aceitar que uma citação pudesse ser tirada de uma fonte que não fora composta até muitas décadas depois de 6 a.C.!

(Michelson Borges, jornalista e mestre em Teologia)

Os dias da criação são literais?

Segundo Gerhard F. Hasel, falecido professor de Teologia Bíblica e Antigo Testamento na Andrews University, nos Estados Unidos, a semântica (estudo linguístico dos significados de palavras, frases, cláusulas, etc.) chama atenção para a questão crucial do significado exato da palavra hebraica yom. Poderia a designação “dia” (yom) em Gênesis 1 ter um significado figurativo? Ou deve ela ser entendida, com base nas normas da semântica, como um dia literal de 24 horas? Algumas pessoas, numa tentativa de evitar maiores problemas com o evolucionismo, aplicam a teoria dos dias-eras ao relato de Gênesis 1. Para elas, os seis dias da criação são, na verdade, longos períodos de tempo. Será que isso é possível? Antes de mais nada, é preciso deixar claro que o termo yom em Gênesis 1 não se liga a qualquer preposição; não é usado em uma relação construtiva; e não tem nenhum indicador sintático que seria de esperar para um uso extensivo não literal.

Nas Escrituras, a palavra yom invariavelmente significa um período literal de 24 horas, quando precedida por um numeral, o que ocorre 150 vezes no Antigo Testamento. Obviamente, no relato da criação existe sempre um numeral precedendo aquela palavra – primeiro, segundo, terceiro... sétimo dia – e essa regra para a tradução de yom como um dia literal aplica-se neste caso. O que parece ser significativo também é a ênfase dada à sequência dos numerais 1 a 7, sem qualquer hiato ou interrupção temporal.

Esse esquema de sete dias (seis dias de trabalho seguidos por um sétimo dia de repouso) interliga os dias da criação como dias normais em uma sequência consecutiva e ininterrupta. O relato da criação em Gênesis 1 não somente liga cada dia a um numeral sequencial, como também estabelece as fronteiras do tempo mediante a expressão “tarde e manhã” (versos 5, 8, 13, 19, 31).

A frase rítmica “e houve tarde e manhã” provê uma definição para o “dia” da criação; e, se o “dia” da criação constitui-se de tarde e manhã, é, portanto, literal. O termo hebraico para “tarde” – ‘ereb – abrange toda a parte escura do dia (ver dia/noite em Gênesis 1:14). O termo correspondente, “manhã” (em hebraico boqer), representa a parte clara do dia. “Tarde e manhã” é, portanto, uma expressão temporal que define cada dia da criação como literal. Não pode significar nada mais.

Outro tipo de evidência interna no Antigo Testamento para o significado dos dias resulta de duas passagens sobre o sábado no Pentateuco, que se referem aos dias da criação. Elas informam como os dias da criação foram compreendidos por Deus. A primeira passagem faz parte do quarto mandamento do Decálogo, e está registrada em Êxodo 20:9-11. A ligação com a criação transparece no vocabulário (“sétimo dia”, “céus e terra”, “descansou”, “abençoou”, “santificou”) e no esquema “seis mais um”.

As palavras usadas nos Dez Mandamentos deixam claro que o “dia” da criação é literal, composto por 24 horas, e demonstram que o ciclo semanal é uma ordenança temporal da criação. Aliás, como explicar a origem do ciclo semanal, se não pela criação em seis dias literais seguidos do repouso do sétimo dia? A semana não está vinculada a nenhum movimento ou fenômeno astronômico, como os dias (rotação da Terra), os anos (translação) e os meses. A palavra divina, que promulga a santidade do sábado, toma os seis dias da criação como sequenciais, cronológicos e literais. Dizer o contrário, portanto, é ir contra o Criador.

Por fim, uma última consideração: a criação da vegetação ocorreu no terceiro dia (ver Gênesis 1:11 e 12). Grande parte dessa vegetação parece ter necessitado de insetos para a polinização. Mas os insetos só foram criados no quinto dia (verso 20). Se a sobrevivência desses tipos de plantas, que necessitam de insetos e outros animais para a polinização, dependesse deles para a reprodução, então haveria um sério problema se o “dia” da criação significasse “era”.

Ainda mais: a teoria dos dias-eras exigiria um longo período de iluminação e outro de escuridão para cada uma das supostas épocas. Isso, é claro, seria fatal tanto para as plantas quanto para os animais. Os dias da criação devem ser entendidos como literais e não como representando longos períodos de tempo. Argumentar em contrário é forçar o texto bíblico a dizer o que não diz.

(Adaptado de Folha Criacionista n° 53, setembro de 1995, p. 26-30 – Sociedade Criacionista Brasileira)

quarta-feira, outubro 06, 2010

Imoralidade na fronteira

Que lição podemos extrair da trágica experiência dos hebreus relatada em Números 25?

Por tudo o que temos visto acontecer no mundo, não deve faltar muito tempo para que nossa peregrinação tenha fim. Jesus logo voltará e, por isso, podemos dizer que estamos na “fronteira” da terra prometida, no limiar do novo lar. Estamos quase lá. Mas quase ainda não é . É verdade que deixamos o Egito do pecado, mas o inimigo tem redobrado seus esforços para manter a igreja apática, absorvida com trivialidades e pecados acariciados, justamente numa época em que deveria estar totalmente desperta. E se há um meio de prejudicar o povo de Deus (além de machucar o coração do Pai), esse é o pecado, em todas as suas formas. O livro bíblico de Números mostra as tristes consequências da imoralidade e a tragédia que se abateu sobre os hebreus em Sitim.[1]

O perigo de baixar a guarda – O povo estava estacionado, habitando em Sitim (Nm 25:1). A peregrinação havia cessado e eles estavam em repouso, por assim dizer. Faltava apenas transpor o rio Jordão e tomar posse da tão almejada terra prometida. Haviam feito grandes conquistas e derrotado poderosos inimigos. Naquele momento, havia tranquilidade no arraial; eles estavam relaxados. Nisso residia o perigo...

Quando Satanás não consegue nos derrotar com perseguição e tribulações, assim como fez com a igreja cristã primitiva, ele muda de tática. A pressão é retirada e entra em cena a sutileza. Visualize esta comparação: certo adventista passa o sábado envolvido com as coisas da igreja. De manhã, vai à Escola Sabatina e ao culto. À tarde, participa do culto jovem ou de outra atividade religiosa. À noite, pensando em “relaxar” um pouco, vai à locadora e aluga sem muitos critérios um filme qualquer. Prepara um lanche, acomoda-se confortavelmente na poltrona, relaxa, abaixa a guarda e permite que um mundo de informações e deformações lhe invada a mente.

Voltemos no tempo, muito antes de haver aparelhos de DVD e coisas do gênero. Um rei caminha pela varanda de seu palácio. Tudo vai bem em seus domínios, apesar de o exército estar em guerra. Seus planos de governo haviam prosperado. Sua carreira até ali havia sido um sucesso. Relaxado, absorto em seus pensamentos, de repente, ele se depara com uma cena inusitada: não muito longe dali, uma bela moça se banha no pátio de casa. Davi se demora na cena (quando deveria ter desviado o olhar), e o desfecho da história já conhecemos.

Algo semelhante aconteceu com os hebreus em Sitim. O que exércitos inimigos não conseguiram fazer, a vida tranquila e as sedutoras filhas dos moabitas[2] fizeram: levaram os homens à prostituição. Eles estavam relaxados, com a guarda abaixada e longe de Deus. Você certamente já ouviu a máxima “mente vazia, oficina de Satanás”.

Note como Ellen White descreve o cenário: “Tal ambiente [Sitim e seu culto idolátrico a Baal] exercia uma influência corruptora sobre os israelitas. Suas mentes se tornaram familiares com os vis pensamentos constantemente sugeridos; sua vida de comodidade e inação produzia os seus efeitos desmoralizadores; e quase inconscientemente estavam a afastar-se de Deus e chegando a uma condição em que seriam fáceis presas da tentação.”[3]

É bom repetir para frisar: “Suas mentes se tornaram familiares com os vis pensamentos constantemente sugeridos.” Aí está o problema. De tanto contemplar o pecado, acabamos nos acostumando com ele. Assim, quando as moabitas se ofereceram aos israelitas e os convidaram à idolatria, o senso moral deles estava tão embotado que facilmente cederam à tentação.

A lição é clara: no grande conflito, não podemos baixar a guarda um momento sequer – ainda mais tão perto do combate final, tão perto de cruzar o “Jordão”. Não podemos nos acostumar ao pecado do lado de cá do “rio”, e devemos selecionar bem as pessoas com quem vamos nos associar e os conteúdos midiáticos que vamos consumir. Lembre-se de que “levando os seguidores de Cristo a associar-se com os ímpios e unir-se às suas diversões. [...] Satanás é mais bem-sucedido ao induzi-los ao pecado”.[4]

O texto que deve ecoar em nossa mente enquanto estudamos essa situação em Números é este: “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia” (1 Coríntios 10:12).

Cegueira progressiva – A tragédia dos hebreus em Sitim começou no momento em que passaram a “brincar com o pecado” – afinal, tudo o que eles queriam era participar de uma festa a convite de Balaão. Relaxar um pouco. Só isso. Não pensaram nas consequências de seus atos e até onde o relacionamento com as mulheres moabitas os levaria. Ellen White deixa claro que a sedução, as festas e o vinho acabaram por “derribar as barreiras do domínio próprio”.[5] O que começou como “simples socialização”, sexo casual e intemperança, acabou levando à idolatria aberta. Os seguidores de Yahweh se prostraram pela primeira vez diante de Baal,[6] ofereceram sacrifícios em seus altares e participaram de seus ritos degradantes.

Note que foi um processo. Assim como ninguém abandona a igreja de repente, por exemplo. Primeiro a pessoa deixa de orar. Depois não lê mais a Bíblia e não vai mais aos cultos. Resultado: “Alimentando pensamentos impuros [lembre-se de que na presença de Deus isso é impossível, por isso antes ocorre o afastamento], o homem pode de tal maneira conduzir a mente que o pecado que uma vez lhe repugnava tornar-se-lhe-á agradável. [...] Uma longa operação preparatória desconhecida ao mundo, tem lugar no coração, antes que o cristão cometa francamente o pecado. A alma não desce de pronto da pureza e santidade à depravação, corrupção e crime.”[7]

Portanto, devemos cuidar para não dar o primeiro passo na direção errada. Não podemos nos afastar da Luz, ou a cegueira será progressiva e certa. Nossa oração deve ser a do salmista: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno” (Salmo 139:23-24).

A Bíblia fornece vários exemplos de pessoas que brincaram com o pecado e “se deram mal”. Já mencionamos Davi, mas o que dizer de Judas, Sansão e Salomão? Antes que alguém pense que é impossível vencer a tentação, lembremos também de Daniel e José, para mencionar apenas dois exemplos. O que os caracterizava? Ambos (e outros) tinham uma vida de viva comunhão com Deus. Além disso (no caso de Daniel isso é mais explícito), procuravam manter a mente clara por meio de um estilo de vida saudável. No momento da provação, o senso moral lhes era tão aguçado que eles podiam se “desviar do mal” (Jó 1:1).

Mas a queda não deve ser motivo de desespero. Se olharmos de volta para a Luz, podemos recuperar a visão. Davi foi perdoado de seu crime hediondo. A prostituta pagã Raabe foi perdoada e passou a fazer parte da linhagem de Jesus. A mulher adúltera recebeu do Mestre a chance de começar nova vida. Deus quer nos ver salvos e felizes e tem o poder de juntar os cacos de uma vida despedaçada e nos tornar nova criatura. O Pai pode purificar nossa mente, nossos olhos, nosso corpo; e só pedirmos.

E depois, o que fazer? Andar de mãos dadas com Jesus e nunca esquecer de que “aqueles que não querem ser presa dos ardis de Satanás devem bem guardar as entradas da alma; devem evitar ler, ver, ou ouvir aquilo que sugira pensamentos impuros”.[8]

Causa e efeito – Como consequência do grave pecado do povo que deveria ser luz para as nações, perderiam a vida os líderes que haviam tomado parte consciente no culto idolátrico e orgiástico e não usaram de sua autoridade para refrear o povo.[9][10]

Para se ter ideia do nível de depravação de alguns israelitas, é só ler o que está escrito em Números 25:6. Enquanto os filhos de Israel choravam arrependidos diante do santuário (choravam, sim, porque sempre é uma tragédia quando líderes caem), um príncipe israelita chamado Zinri trouxe uma prostituta midianita chamada Cosbi[11] e, diante de todo o povo, entrou com ela na tenda.[12] Movido por santo zelo, Fineias, neto de Arão e filho único de Eleazar (portanto, futuro sumo sacerdote), pegou uma lança, entrou na barraca e atravessou o casal provavelmente em pleno ato sexual. Nesse momento, a praga que assolava o acampamento cessou, havendo sido feita expiação punitiva pelo pecado.

A atitude do sacerdote nos parece um tanto bárbara hoje em dia, mas não podemos tirar da mente o contexto cultural e social daqueles dias. Aquele era um povo semibárbaro, iletrado, mas que Deus queria transformar em modelo para o mundo. Além disso, Israel era uma teocracia, e como apenas Deus conhece o coração das pessoas, Ele soberanamente pode decidir pela vida ou morte delas, quando o pecado contra o Espírito Santo (do qual não há arrependimento por parte do pecador) já foi cometido. A mesma coisa vai acontecer no fim do juízo, quando os ímpios receberão a morte eterna e os salvos, a vida eterna.

Os midianitas também sofreram a punição divina, depois de séculos de oportunidades de arrependimento (Gn 15:16). Conheciam os juízos que Deus havia enviado contra o Egito (Js 2:8-14), mas não aproveitaram as chances dadas por Deus, como fizeram os ninivitas, diante da pregação de Jonas (Jn 3:1). Esse ramo midianita, em particular, havia “enchido a taça de sua iniquidade”.[13] Não havia mais remédio. O câncer tinha que ser extirpado.

Um exército de 12 mil israelitas, acompanhado dos sacerdotes e das trombetas sagradas (era, portanto, uma “guerra santa”), matou todos os homens midianitas e as mulheres que haviam levado os israelitas à fornicação e idolatria. Deus “tinha o propósito de inculcar no coração dos hebreus quão grave é o pecado da prevaricação contra o Senhor”.[14] Apenas as meninas inocentes foram poupadas e levadas para o acampamento israelita, onde a lei de Deus as protegeria.

Pode ser que hoje em dia não morram de uma vez 24 mil pessoas[15] em decorrência da imoralidade (se bem que as DSTs continuam levando à morte muita gente), mas com certeza milhões de seres humanos estão morrendo por dentro, por causa de uma vida em desacordo com os planos de Deus.

Deus nos chama para obedecer-Lhe, não porque é um tirano exigente, mas porque ama Seus filhos e sabe o que é melhor para eles. Deus sabe que se vivermos de acordo com o Manual da Vida, Sua Santa Palavra, seremos realmente felizes e realizados. A Bíblia apresenta o sexo como presente de Deus, mas que deve ser praticado com a pessoa certa, no momento certo e no contexto certo, ou seja, no casamento. Fora disso, as consequências são certas: pesquisas indicam que o sexo sem compromisso e sem afetividade leva (principalmente as mulheres) à depressão, baixa autoestima e pode causar até anorexia.[16] Claro! Ninguém gosta de se sentir usado como objeto, por mais que se fale em “liberdade sexual”.

Resumindo: a liberdade para ser feliz e a verdadeira satisfação só existem quando seguimos as recomendações dAquele que criou nosso corpo e nossa psique. De certa forma, obedecer a Deus é simplesmente seguir a lei da causa e efeito.

Conselhos aos homens e mulheres de Deus – “Satanás bem conhece o material com que tem a lidar no coração humano. Ele sabe – pois tem estudado com diabólica intensidade durante milhares de anos – quais os pontos que mais facilmente podem ser assaltados no caráter de cada um; e durante gerações sucessivas tem ele operado a fim de subverter os homens mais fortes, os príncipes de Israel, pelas mesmas tentações que tiveram tanto êxito em Baal-Peor. Todos os períodos da História se acham repletos de caracteres que naufragaram de encontro aos recifes da condescendência sensual. Aproximando-nos do final do tempo, ao achar-se o povo de Deus nas fronteiras da Canaã celestial, Satanás redobrará, como fez antigamente, os seus esforços para os impedir de entrar na boa terra. Arma as suas ciladas a toda a alma. Não é simplesmente o ignorante ou sem letras que necessita de ser guardado; ele preparará suas tentações para os que se encontram nas mais elevadas posições, no mais santo ofício; se ele os puder levar a poluir a alma, poderá por meio deles destruir a muitos.”[17]

O livro Sexo Não é Problema (Lascívia, Sim), de Joshua Harris[18] é um bom exemplo de franqueza e clareza no que diz respeito aos efeitos da lascívia nos relacionamentos e na vida espiritual. Harris é pastor evangélico nos Estados Unidos, casado e pai de dois filhos. À medida que apresenta seus estudos e conselhos, ele recheia o livro com experiências de sua própria juventude e vida adulta, deixando claro que não se trata de um escritor de “outro planeta” falando para leitores a respeito de algo pelo que não é atingido e que, portanto, desconhece. Harris, como muita gente (e muitos cristãos) teve problemas com masturbação e pensamentos impuros, mas garante que, com o poder de Deus, é possível ter uma vida de pureza num mundo tremendamente impuro.

O autor adverte que a “lascívia é mantida viva e nossas fraquezas são fortalecidas por meio das pequenas provisões que nós lhe oferecemos”. Exemplo: locais tentadores, televisão, jornais e revistas, música, livros, internet, propagandas com fotos indecentes, etc. Depois ele convida o leitor a identificar os meios pelos quais a lascívia pode alcançá-lo(a) e a erigir “muros” de proteção. Harris também mostra como a lascívia alcança moças e rapazes e como ambos os sexos podem se ajudar mutuamente a manter a pureza de pensamentos e atitudes.

“A lascívia obscurece e torce a verdadeira masculinidade e feminilidade de maneira nociva”, diz ele. “Transforma o desejo bom de um homem de conquista em captura e usufruto, bem como todo o desejo bom de uma mulher de ser linda em sedução e manipulação. Geralmente, parece que homens e mulheres são tentados pela lascívia de duas maneiras singulares: os homens são tentados pelos prazeres que a lascívia oferece, enquanto as mulheres são tentadas pelo poder [de controle e manipulação] que a lascívia promete.”

Finalmente, Harris apresenta as “estratégias para mudança a longo prazo”. Segundo ele, primeiramente é necessária uma vida de íntima comunhão com Deus para que a pureza que vem do Céu revista nossa vida. Além disso, é preciso fazer um pacto como o feito por Jó: “Fiz aliança com meus olhos; como, pois, os fixaria eu numa donzela?” (31:1). Harris cita ainda vários textos bíblicos vitais na luta pela pureza, como o Salmo 119:9-11: “De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho? Observando-o segundo a Tua palavra. De todo o coração Te busquei; não me deixes fugir aos Teus mandamentos. Guardo no coração as Tuas palavras, para não pecar contra Ti.”

Para pensar: “Um homem piedoso não irá até onde ele pode, para que não vá mais adiante do que ele deve” (Thomas Watson).

Para orar e decidir: “Não porei coisa má diante dos meus olhos” (Sl 101:3). “Desvia os meus olhos das coisas inúteis; faz-me viver nos caminhos que traçaste” (Sl 119:37, NVI).

(Michelson Borges é jornalista e mestre em Teologia)

Referências:

1. A palavra “Sitim” significa literalmente “acácias”, segundo Gordom J. Wenhan, em Números, Introdução e Comentário (São Paulo: Mundo Cristão, 1981), p. 193. A região ficava a nordeste do Mar Morto, nas planícies de Moabe.

2. Warren W. Wiersbe, em seu Comentário Bíblico Expositivo (Santo André, SP: Geográfica, 2006), à página 467, explica que os moabitas eram descendentes de Ló, sobrinho de Abraão, e, por isso, aparentados dos israelitas. Por sua vez, os midianitas eram aliados de Moabe. Por conta disso, os hebreus devem ter pensado que não deveria haver motivo algum para que eles não mantivessem uma “política de boa vizinhança” com aqueles dois povos.

3. Ellen G. White. Patriarcas e Profetas (São Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 2001. CD-ROM), p 453, 454.

4. Ellen G. White, ibid., p. 458.

5. Ellen G. White, ibid., p. 454.

6. Warren W. Wiersbe. Comentário Bíblico Expositivo (Santo André, SP: Geográfica), p. 467. Obs.: Os rituais cananeus de fertilidade envolviam prostituição cultual masculina e feminina e incentivavam todo tipo de imoralidade sexual.

7. Ellen G. White, ibid., p. 459.

8. Ellen G. White, ibid., p. 460.

9. A versão Almeida Revista e Atualizada, seguindo a Vulgata, afirma que esses líderes deveriam ser enforcados, mas os Targums sugerem que eles seriam apedrejados e depois dependurados, como triste exemplo para a nação. Cf. Gordon J. Wenhan, op. cit., p. 194.

10. Em seu livro Bajo La Sombra de La Shekina (Buenos Aires: Asociación Casa Editora Sudamericana, 2009), Roy Gane chama atenção para quão justa era a lei israelita: “A lei israelita nivelava o campo de execução com o termo que poderíamos chamar, no campo da jurisprudência criminal, ‘igualdade de oportunidade de castigo’ (Lv 24:17, 19-22; Nm 35:31).” Ele lembra, também, que quanto maior a responsabilidade, maior a culpabilidade; mesmo Moisés havia sido punido com a proibição de entrar em Canaã.

11. Champlin informa que o nome “Cosbi” vem do acádio kusbu, que significa “volúpia” ou, talvez, “enganadora”. Cf. R. N. Champlin, O Antigo Testamento Interpretado Versículo por Versículo (São Paulo: Candeia, 2000), p. 703.

12. Segundo Wenhan (op. cit., p. 195), “até esse ponto as relações sexuais com as mulheres estrangeiras haviam acontecido fora do acampamento. Agora, debaixo do nariz de Moisés e das outras pessoas, Zinri demonstrou seu desprezo pelo pacto e pela sentença divina pronunciada contra os líderes como seu pai”. Seu pecado fora arrogante. É nesse contexto que a atitude enérgica de Fineias precisa ser considerada.

13. Ellen G. White, Review and Herald, 2 de maio de 1893.

14. Paul Hoff, O Pentateuco (São Paulo: Editora Vida, 1981), p. 221.

15. Segundo o Comentario Biblico Adventista Del Septimo Dia (Califórnia: Publicaciones Interamericanas, 1960), volume 1, página 930, o fato de Paulo mencionar em 1 Coríntios 10:8 que foram 23 mil os mortos pode se dever ao fato de o apóstolo ter se referido aos que teriam morrido “num só dia”. Os mil restantes poderiam ter morrido no dia seguinte. Champlin considera mais provável que Paulo tenha sofrido um inconsequente lapso de memória.

16. http://criacionista.blogspot.com/2008/07/criados-para-o-sexo-com-amor-e.html

17. Ellen G. White, Patriarcas e Profetas (São Paulo: Casa Publicadora Brasileira, 2001. CD-ROM), p. 457, 458.

18. Joshua Harris. Sexo Não é Problema (Lascívia, Sim) (São Paulo: Cultura Cristã, 1994).

segunda-feira, outubro 04, 2010

Por que a Bíblia é diferente de outros “livros sagrados”?

Hoje, muitos consideram a Bíblia apenas como o melhor livro produzido pelo cristianismo. Essas pessoas não a consideram melhor do que os livros que contêm os ensinamentos de Buda, o Bhagavad Ghita dos hindus ou qualquer outra obra religiosa. Por que os cristãos insistem que a Bíblia é um livro diferente? Em meio a tantas opiniões divergentes, é necessário examinar a origem do livro que serve de fundamento para o cristianismo. Os profetas bíblicos afirmavam possuir um conhecimento real sobre o Deus infinito. Eles estavam absolutamente certos de que Deus falava por meio deles. Os profetas diziam que Deus faz afirmações dignas de confiança. Ele é capaz de predizer o futuro, e é isso que O torna diferente dos falsos “deuses”: “Eu sou o Senhor; este é o Meu nome! Não darei a outro a Minha glória nem a imagens o Meu louvor. Vejam! As profecias antigas aconteceram, e novas Eu anuncio; antes de surgirem, Eu as declaro a vocês” (Is 42:8, 9).

Um Deus que Se comunica – Os autores bíblicos estavam seguros de que Deus pode Se comunicar e de fato Se comunica com os seres humanos. Para eles, a linguagem não é nenhum tipo de barreira que impede a comunicação direta entre Deus e os seres humanos. Deus não é limitado; Ele tem a capacidade de usar a linguagem humana. Muitas vezes, Deus é mencionado como a Pessoa que realmente está falando por meio dos profetas. Por exemplo, as palavras de Elias (1Rs 21:19) são descritas como “a advertência que o Senhor proferiu” (2Rs 9:25), enquanto que Elias sequer é mencionado.

De acordo com a Bíblia, a mensagem de um profeta é equivalente à fala direta de Deus. Portanto, desobedecer a um profeta é desobedecer a Deus: “Se alguém não ouvir as Minhas palavras, que o profeta falará em Meu nome, Eu mesmo lhe pedirei contas” (Dt 18:19). Quando o rei Saul desobedeceu à mensagem de Deus dada por meio do profeta Samuel, foi-lhe dito: “Você agiu como tolo, desobedecendo ao mandamento que o Senhor, o seu Deus, lhe deu; se você tivesse obedecido, Ele teria estabelecido para sempre o seu reinado sobre Israel. Mas agora o seu reinado não permanecerá; o Senhor procurou um homem segundo o Seu coração e o designou líder de Seu povo, pois você não obedeceu ao mandamento do Senhor” (1Sm 13:13, 14).

A Bíblia registra muitos episódios em que Deus fala diretamente com os seres humanos: conversas com Adão e Eva depois de pecarem (Gn 3:9-19); o chamado de Abraão (Gn 12:1-3); o diálogo com Elias no monte Horebe (1Rs 19:9-18). Todo o código de leis dadas no Pentateuco (Êx–Nm) é formado por palavras proferidas diretamente por Deus (Lv 1:1; Nm 1:1).

Os profetas do Antigo Testamento foram enviados por Deus para falar Suas palavras. Essa autoridade é demonstrada pela frequente expressão “Assim diz o Senhor”. De fato, o que distingue um profeta verdadeiro de um falso é que o primeiro não fala suas próprias palavras. Deus disse a Moisés: “Agora, pois, vá; Eu estarei com você, ensinando-lhe o que dizer” (Êx 4:12). Ele disse também a Jeremias: “Agora ponho em sua boca as Minhas palavras” (Jr 1:9).

A Bíblia mostra claramente que os profetas tinham muito mais do que um “encontro” com Deus que lhes dava uma sensação agradável. Deus transmitiu aos seres humanos informações concretas (Dt 29:29).

Um livro único – O Antigo e o Novo Testamentos falam inúmeras vezes que a verdade de Deus não é algo obtido por seres humanos depois de buscarem diligentemente pelo “Divino”. A verdade vem exclusivamente pela iniciativa de Deus. Deus fala por meio do profeta. E a linguagem humana é capaz de transmitir a comunicação divina.

Os apóstolos do Novo Testamento falam com a mesma autoridade que os profetas do Antigo Testamento. Eles falam pelo Espírito Santo (1Pe 1:10-12), que lhes transmitiu o conteúdo de sua mensagem (1Co 2:12, 13). Os ensinos dos apóstolos são bastante “diretivos”, transmitindo mandamentos com toda a autoridade (1Ts 4:1, 2; 2Ts 3:6, 12).

Entretanto, a Bíblia como um todo não foi ditada por Deus palavra por palavra. O mensageiro humano foi guiado por Deus ao selecionar as palavras adequadas para expressar a revelação. Dessa maneira, as palavras do profeta são chamadas de Palavra de Deus. É evidente a individualidade e personalidade de cada escritor, mas os elementos divino e humano são inseparáveis.

Ao longo da História, os estudiosos cristãos têm comparado a Bíblia com a natureza divino-humana de Cristo: “A Escritura Sagrada, com suas divinas verdades, expressas em linguagem de homens, apresenta uma união do divino com o humano. União semelhante existiu na natureza de Cristo, que era o Filho de Deus e Filho do homem. Assim, é verdade com relação à Escritura, como o foi em relação a Cristo, que ‘o Verbo Se fez carne e habitou entre nós’ (Jo 1:14).”[1]

A leitura da Bíblia mostra que existe continuidade e unidade entre o Antigo e o Novo Testamentos. Os escritores do Novo Testamento fazem centenas de citações do Antigo. Isso mostra que os apóstolos e os primeiros cristãos consideravam o Antigo Testamento como uma revelação vinda de Deus. As palavras de Isaías 7:14 são citadas como “o que o Senhor dissera pelo profeta” (Mt 1:22). Jesus cita Gênesis 2:24 como palavras ditas por Deus (Mt 19:5).

As palavras das Escrituras são mencionadas como faladas pelo Espírito Santo. Ao citar o profeta Joel, Pedro afirma: “Diz Deus” (At 2:17). Paulo e Barnabé citam Isaías 49:6 como algo que “o Senhor nos ordenou” (At 13:47). Isso mostra claramente que o Antigo Testamento contém instruções válidas para os cristãos.

Os escritores do Novo Testamento também sabiam que Deus é capaz de falar diretamente às pessoas em linguagem humana. Isso fica claro, por exemplo, no batismo de Jesus (Mt 3:17); na transfiguração de Cristo (Mt 17:5; 2Pe 1:17, 18); nas instruções dadas a Ananias (At 9:11-16); e na revelação a João (Ap 1:11–3:22).

Um livro confiável – O próprio Jesus Cristo confirmou que o Antigo Testamento era o fundamento de Seus ensinos e ética. As profecias do Antigo Testamento eram o padrão para Sua vida, como Ele disse muitas vezes: “As Escrituras precisam ser cumpridas” (Mc 14:49); “Como [...] está escrito” (Mt 26:24). Ele repreendeu aos teólogos de Sua época por permitirem que ensinos humanos distorcessem e mesmo anulassem o Antigo Testamento, a Palavra de Deus que existia na época (Mc 7:7, 13).

Jesus esperava que as pessoas aceitassem a autoridade do Antigo Testamento. Ele costumava perguntar: “Vocês não leram?” (Mt 12:5; 21:16; Mc 12:10). Em resposta à pergunta feita pelo mestre da lei sobre a salvação, Jesus disse: “O que está escrito na Lei?” (Lc 10:26).

O apóstolo Paulo também se refere à autoridade do Antigo Testamento. Na carta aos Romanos, ele constroi uma poderosa argumentação em favor do evangelho com base no Antigo Testamento (Rm 1–11).

Além disso, Jesus e os escritores do Novo Testamento aceitavam que todo o Antigo Testamento apresenta histórias verídicas e confiáveis, inclusive as histórias de Adão e Eva, bem como Noé e o Dilúvio (Mt 19:4, 5; Lc 21:26-29; 2Pe 3:3-7). Para eles, o fato de que Deus atuou no passado mostra a certeza de que Ele atuará no futuro.

Muitos dos autores bíblicos, assim como Cristo, mostram que é possível utilizar a Bíblia de maneira equivocada ou interpretá-la mal. Felizmente, Jesus apresenta uma chave que deve nos guiar quando estudamos a Bíblia: “As Escrituras [...] testemunham a Meu respeito” (Jo 5:39). Paulo diz que, quando alguém vê Jesus através das Escrituras, um “véu” é retirado dos olhos (2Co 3:14-16). Os dois discípulos que viajavam para Emaús tiveram a fé confirmada quando Cristo lhes deu a interpretação correta do Antigo Testamento (Lc 24:32).

Hoje, muitos dizem que várias partes da Bíblia são questionáveis. Creio que a seguinte advertência é relevante para todos os cristãos: “Que jamais algum ser humano julgue a Palavra de Deus ou a critique sobre quanto dela é inspirado ou quanto não é inspirado, nem diga que determinada passagem é mais inspirada que outra. Deus adverte que não sigamos por esse caminho. Deus não deu a nenhum ser humano a tarefa de decidir o que é inspirado e o que não é.”[2]

O próprio Deus expressa a mesma ideia: “A este Eu estimo: ao humilde e contrito de espírito, que treme diante da Minha palavra” (Is 66:2). Ao longo de toda a Bíblia, encontramos um Deus que procura Seus filhos, que deseja intensamente comunicar-Se com eles e que os ama mais do que ama Sua própria vida.

(Jo Ann Davidson, Ph.D, é professora de Teologia na Andrews University, Berrien Springs, Michigan, Estados Unidos. Publicado originalmente como “The Word Made Flesh”, Perspective Digest, ano 15, nº 3 [2010], p. 21-25. Traduzido e adaptado por Matheus Cardoso. Usado com permissão.)

Todas as citações bíblicas foram extraídas da Nova Versão Internacional.

Referências:

[1] Ellen G. White, O Grande Conflito (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2003), p. vi.

[2] Idem, em SDA Bible Commentary (Washington, DC: Review and Herald, 1957), v. 7, p. 919.

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